Capítulo 17: O Inimigo Me Quer Vivo
O sangue de **Alina** parecia gelo nas veias dela.
"O que você quer?" ela sibilou, com os olhos fixos em **Vasko**, cada músculo tenso de cautela.
**Vasko** olhou para trás, como se estivesse pesando as opções.
"Eu não vim aqui para te matar... pelo menos, ainda não."
O coração dela batia tão forte que doía. Ela lutou para controlar a respiração, procurando qualquer chance de sobreviver.
"Então por que você está aqui?"
**Vasko** deu um passo à frente. Perto demais. A respiração dele roçou a pele dela.
"Porque alguém quer te ver."
O corpo de **Alina** congelou. "Quem?"
Um sorriso fino e cruel curvou seus lábios, mas seus olhos permaneceram frios. "**Marco**."
O mundo se despedaçou ao seu redor.
"Não... isso é impossível", ela sussurrou.
**Vasko** bateu na bochecha dela. Gentil - mas cheio de ameaça.
"Acredite. Estou sob ordens para te levar a ele. Viva."
**Alina** engoliu em seco. Se **Marco** realmente a queria... isso não era um aviso. Era uma execução.
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Dentro do depósito, **Leo** chegou ao local, só para ser recebido pelo caos. Suprimentos espalhados. Sangue acumulado. Corpos espalhados pelo chão. Os soldados sobreviventes lutavam com a pouca força que lhes restava.
**Mijan** correu para um oficial machucado que ainda estava de pé, apesar do sangue escorrendo por seu uniforme. "Relatório. Agora!"
O oficial limpou o sangue da boca.
"Eles entraram em uma unidade pequena, mas altamente treinada. É como se soubessem exatamente onde nos atingir."
O olhar de **Leo** se intensificou. "O que eles levaram?"
A face do oficial escureceu. "Duas coisas. Armas pesadas... e nossos documentos de inteligência."
**Leo** e **Mijan** trocaram olhares.
"Isso não foi apenas um ataque", **Mijan** murmurou.
"Eles estão procurando alguma coisa..." **Leo** cerrou os punhos. "Ou alguém."
**Mijan** zombou. "E eu tenho um palpite muito bom de quem."
Os olhos de **Leo** brilharam. "**Aileen**."
**Mijan** gritou ordens. "Protejam a área. Estou enviando reforços para recuperá-la."
Mas **Leo** mal o ouviu. Sua mente estava girando, seu peito apertado de pavor. "Aguenta firme, **Aileen**... Eu estou indo."
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No escuro, **Alina** sabia que não podia esperar. Se **Marco** colocasse as mãos nela, acabou. Com velocidade de raio, ela enfiou o joelho na barriga de **Vasko**.
"Ugh—!"
Ele cambaleou para trás. O suficiente. **Alina** avançou, puxando uma adaga de baixo da roupa.
**Vasko** riu, embora a tensão estivesse em sua mandíbula.
"Ainda a mesma, hein, **Aileen**? Sempre escolhendo o caminho difícil."
**Alina** não respondeu. Seu foco estava afiado como navalha. Pronta para lutar. Para matar, se precisasse.
**Vasko** suspirou teatralmente.
"Tudo bem, se é assim que você quer—"
Mas então, tiros ecoaram à distância.
Os olhos de **Vasko** se estreitaram.
"Parece que temos convidados não convidados."
Fumaça flutuava no céu noturno. O coração de **Alina** disparou. '**Leo**. Ele tinha que estar perto.'
Agora a única pergunta era: ela conseguiria sobreviver tempo suficiente para que ele a alcançasse? Quando a atenção de **Vasko** vacilou, **Alina** se moveu. Rápido. Seus golpes eram imprevisíveis, afiados. **Vasko** cambaleou, mas não foi tão facilmente derrotado. No momento em que ela viu uma abertura, ela correu.
"Droga!" **Vasko** amaldiçoou, perseguindo-a. A perseguição começou.
Mas **Alina** não estava apenas correndo. Ela estava levando-o para longe. Ela se recusou a deixar mais ninguém ser arrastado para esse pesadelo.
Suas respirações eram rápidas. Suas pernas queimavam. Mas **Vasko** estava ficando para trás. Por um momento, a esperança brilhou. Até que uma voz a estilhaçou.
"Ei, **Aileen**!" **Vasko** rugiu. "Olha quem eu encontrei!"
**Alina** olhou para trás - e seu coração parou.
"Não. **Lana**! Por que ela? Por que agora?"
Mesmo assim, **Alina** correu. Ela não podia parar. Não até—
Bang!
Um tiro cortou a noite. Seguido por um grito.
"Ahh!"
Os pés de **Alina** pararam. Seu estômago caiu. Lentamente, ela se virou.
"**Lana**?!" O pânico a dominou quando ela viu sua amiga no chão, sangue jorrando de sua perna.
"Isso não pode estar acontecendo..." ela sussurrou, a culpa roendo seu peito.
**Vasko** sorriu como um predador que havia encurralado sua presa. Claro. Ele conhecia a fraqueza de **Alina**.
"Deixe-a ir!" **Alina** gritou, sua fúria transbordando.
**Vasko** riu friamente.
"Você acha que eu vim todo esse caminho para brincar? Você destruiu minha base de suprimentos, **Aileen**. Eu quase morri por sua causa."
Seus olhos brilharam com a raiva há muito enterrada. "E agora? Agora é minha vez."
**Alina** cerrou os punhos. Correr não era mais uma opção. Era isso. **Lana** não podia ser mais uma vítima.
Lentamente, **Alina** se aproximou, com uma mão levantada. "Ok. O que você quer?"
**Vasko** nunca abaixou a arma da cabeça de **Lana**. Ele tinha o sorriso de um homem que pensava já ter vencido. **Alina** se aproximou, com os olhos fixos em **Lana**, que ainda estava consciente, mas pálida, tremendo de perda de sangue.
"Sua vida pela dela", **Vasko** disse sem hesitar, sua voz tão afiada quanto uma lâmina.
**Lana** balançou a cabeça freneticamente. "Não, **Alina**! Não o escute! Corra! Eu estou bem! Só vai!"
Mas aquelas palavras apenas torceram a faca mais fundo. Isso era insano. Completamente injusto. Ela estava à beira do inferno, forçada a escolher entre si e uma amiga inocente.
Se este fosse seu corpo real, sua vida antiga. Talvez ela tivesse corrido sem pensar duas vezes. Mas essa não era mais sua vida. Era o corpo de **Aileen**. E **Aileen** era o tipo de pessoa que preferiria morrer a deixar outra pessoa sofrer. E de alguma forma... essa parte dela estava começando a dominar.
"Droga, **Aileen**... por que você é assim?" ela amaldiçoou em silêncio, mordendo o lábio com força o suficiente para tirar sangue.
Mas o tempo estava escorrendo. Cada segundo puxava a corda da forca com mais força. A paciência de **Vasko** se esgotou. Seu dedo pairava no gatilho.
"Decida. Agora!"
**Lana** fechou os olhos, sussurrando orações. A mente de **Alina** girou, o coração batendo como um tambor de guerra. Sem pensar, as palavras saíram de sua boca.
"Pare! Eu vou tomar o lugar dela!" Os olhos de **Lana** se arregalaram, horrorizados. "**Aileen**... não!"
Mas **Alina** a ignorou. A decisão foi tomada. Era a única maneira. Ela se endireitou, encarando **Vasko**. Esperando. O sorriso de **Vasko** se alargou.
"Bom. Mas... tarde demais. A bala já está na câmara."
Sem aviso, ele mudou o objetivo direto para a cabeça de **Alina**. Ela fechou os olhos, preparando-se para o fim.
"Apenas acabe com isso..." ela pensou amargamente. "Se eu tiver que morrer, não me faça esperar."
Bang!
Mas... ela ainda estava de pé. Ainda respirando. Por quê? Ela abriu os olhos.
"**Lana**...?"
**Lana** tinha se movido. Ou melhor... ela se jogou na frente da bala. Por uma fração de segundo, **Lana** ficou entre eles. Então ela desabou. Sangue manchou a terra. A bala não fora para **Alina**. **Lana** a havia levado.
"Não!" **Alina** gritou, caindo de joelhos, pegando o corpo inerte de **Lana** enquanto ele desmoronava em seus braços.
Seu peito queimava. Lágrimas embaçaram sua visão. A risada cruel de **Vasko** ecoou como um trovão. E algo dentro de **Alina** quebrou. Não raiva. Fúria. Raiva pura, sem filtros.
Ela deitou **Lana** suavemente. Então ela se moveu. Rápido. Mortal. Seu punho atingiu a mandíbula de **Vasko** com uma força que quebrou os ossos. Sua cabeça virou para o lado. De novo. E de novo.
Ele tossiu sangue. Caiu no chão. **Alina** não parou. Ela pegou a arma dele.
Bang! Bang! Bang!
Cada bala vingou **Lana**. Cada tiro foi justiça. Quando o pente se esgotou, **Vasko** não estava mais se movendo. E **Alina** ficou ali, tremendo, olhando para o corpo dele com fúria gelada.
"Você escolheu o inimigo errado", ela sussurrou.