Capítulo 36: Prova aos Olhos do Mundo
Alina mordeu o lábio, com a cabeça a mil. Se eles não achassem a resposta agora, a aldeia ia afundar numa tristeza ainda maior—uma tristeza criada por quem queria esconder a verdade.
De longe, Leo observava-a. Os seus olhos afiados liam a tensão na cara de Alina. Quando ela voltou do rio, ele perguntou logo, com a voz baixa mas urgente.
"Encontraste alguma coisa?"
Alina assentiu, com os olhos cheios de preocupação. "Uns aldeãos ainda se importam, mas estão com medo. Alguém está a controlar tudo das sombras."
Leo soltou um longo suspiro, esfregando a nuca com frustração. "Então temos de encontrar o cérebro disto antes que eles se livrem de nós para sempre."
Alina ficou em silêncio por um momento, depois tomou uma decisão. "Vou voltar à floresta para descobrir quem está por trás disto."
Leo reagiu no mesmo instante. "Sozinha? Isso é muito perigoso, Aileen."
Mas Alina já tinha começado a andar, a sair da aldeia sem esperar pela aprovação de Leo. Ele tentou ir atrás dela, mas ela virou-se e travou-o com um olhar firme.
"Não te preocupes, eu consigo cuidar de mim," ela disse. "Fica na aldeia. Não quero que os aldeãos desconfiem se nós os dois desaparecermos."
Leo queria discutir, mas sabia que Alina já tinha tomado a sua decisão. Relutantemente, ele ficou para trás enquanto ela desaparecia na floresta densa.
Na quietude da noite, Alina chegou à casa do velho xamã. O lugar era como ela o tinha visto pela última vez—escuro, húmido e cheio de uma aura sinistra. Os bandidos, que diziam ser homens de Marco, ainda estavam a trabalhar. De longe, Alina estudou as caras deles uma a uma, à procura da figura misteriosa encapuzada que ela tinha visto naquela noite. Mas ninguém parecia suspeito. Todos pareciam relaxados, como se não tivessem nada a temer ou do que se sentir culpados.
No entanto, algo estava diferente desta vez. Entre os bandidos, um homem que ela conhecia muito bem estava a dar ordens.
Os olhos de Alina arregalaram-se. "Axel?!"
O coração dela disparou, recusando-se a acreditar no que estava a ver. Ela piscou várias vezes, esperando que a sua visão estivesse errada. Mas o homem continuava lá—Axel, a pessoa em quem ela outrora confiou, agora a trabalhar para Marco.
A raiva ferveu nas suas veias. Esta traição doeu mais do que qualquer ferida que ela alguma vez tinha sofrido.
Aproveitando o momento, Alina avançou sem hesitar. "Então traíste-me também?" A sua voz era aguda, fria como uma faca.
Axel estremeceu, a sua expressão mudando num instante. Ele virou-se, com os olhos cheios de choque e arrependimento. "Chefe, ouve-me—"
Mas ela não lhe deu chance de explicar. Num movimento rápido, Alina enfiou o punho na barriga de Axel, fazendo-o cambalear. Sem parar, ela deu-lhe um soco forte no nariz, mandando-o cair no chão, com sangue a pingar da cara dele.
Estranhamente, Axel não revidou. Ele apenas ficou ali, deixando Alina descarregar a sua fúria. A confusão chamou a atenção dos homens de Marco. Eles saíram a correr da cabana, prontos para investigar. Axel levantou-se rapidamente e travou-os.
"O que se passa, chefe?" um deles perguntou, desconfiado.
Axel limpou o sangue do nariz e respondeu num tom seco, "Um intruso, mas já tratei disso."
"Devíamos capturá-los," sugeriu outro bandido.
"Não é preciso," cortou Axel rapidamente. "Concentre-se no trabalho. Precisamos de terminar isto antes do amanhecer e sair da aldeia o mais rápido possível."
Os seus homens obedeceram, voltando para dentro sem mais suspeitas. Mas o que eles não perceberam foi que um deles já tinha saído para relatar o incidente a Marco.
De volta à aldeia, Alina sentiu como se o seu mundo tivesse desabado. Ela andava com passos pesados, com a mente em turbilhão.
Leo correu na direção dela, com a cara cheia de preocupação. "Aileen! O que aconteceu? Estás bem?"
Mas Alina não respondeu. Os seus olhos estavam vazios, as suas mãos a tremer, com vestígios de sangue nos dedos.
"Aileen, estás magoada?"
"Preciso de um tempo sozinha," ela murmurou, passando por ele.
Leo só podia observar a sua ida em confusão. No canto sombrio da aldeia, Alina estava parada, com o coração pesado pela traição.
Ela já tinha arriscado a sua vida por Axel antes. Salvou-o das ruas, deu-lhe um lar. Até o puxou de volta da beira da morte quando ele quase foi baleado. E foi assim que ele a recompensou. Com traição.
Mas Alina não ia quebrar por causa disso. Ela cerrou os punhos, reprimindo as suas emoções. Se era assim que o mundo funcionava, então ela tinha de ser mais forte. Não havia lugar para os fracos.
Quando o amanhecer chegou, era hora de Leo e Alina saírem da aldeia. Mas a sua partida não foi de vitória. Eles não tinham provas concretas para levar com eles. Os aldeãos que outrora hesitaram tinham agora virado completamente as costas. Ao despedirem-se, não houve sorrisos, nem adeus—apenas olhares frios. Alguns até lhes disseram para sair sem mais palavras.
Eles tinham sido expulsos. Descartados como lixo inútil. Com passos pesados, caminharam em direção aos portões da aldeia, sentindo como se todos os seus esforços tivessem sido em vão. Mas antes que pudessem atravessar a fronteira, o rugido dos motores aproximou-se rapidamente.
Uma coluna de carros pretos derrapou diante deles, e dezenas de pessoas saíram, carregando câmaras e microfones. Jornalistas. A mídia.
Leo e Alina trocaram olhares, percebendo que esta era uma reviravolta inesperada—mas também a oportunidade perfeita.
Um repórter apressou-se em direção a eles, com o microfone na mão. "Recebemos informações de que esta aldeia está envolvida no comércio ilegal de drogas. Conseguem mostrar-nos onde está a acontecer?"
Alina, ainda cheia de raiva e decepção, de repente encontrou uma nova razão para lutar. Com determinação, ela assentiu.
"Sigam-me," ela disse.
Sem hesitação, Alina guiou o grupo de jornalistas até à casa do velho xamã. Câmaras rodaram, capturando cada passo. O mundo exterior estava finalmente a testemunhar a verdade escondida dentro desta aldeia.
Quando chegaram, a tensão aumentou. Os bandidos de Marco ainda estavam lá, tentando fugir com as suas mercadorias. Mas a chegada da mídia prendeu-os. O brilho das câmaras congelou-os no lugar. As suas caras outrora confiantes tornaram-se pálidas de pânico.
A transmissão ao vivo começou. Em poucos minutos, a notícia espalhou-se pelo mundo. As redes sociais explodiram com hashtags expondo o sindicato criminoso. O nome de Marco foi mencionado como o cérebro.
Em breve, o som dos helicópteros encheu o ar. As forças da lei internacionais tinham chegado, totalmente armadas. Um tiroteio começou.
Os bandidos revidaram, mas eram lentos demais. As forças especiais moveram-se com brutal eficiência, derrubando-os um por um. A resistência não durou muito antes de ser totalmente esmagada.
Enquanto isso, as câmeras continuavam a filmar. O mundo assistia enquanto a aldeia era finalmente liberta dos seus governantes sombrios.
Em outro lugar, Marco observava o monitor à sua frente. A sua expressão permaneceu em branco—sem raiva, sem pânico. Como se tudo isto não significasse nada para ele. Para ele, os fracos mereciam ser destruídos.
O tiroteio terminou. Um a um, os homens de Marco foram algemados e arrastados para os veículos policiais. Os repórteres correram para documentar a cena, descrevendo como a aldeia finalmente tinha escapado aos seus opressores.
No meio do caos, Alina observava tudo. Havia uma faísca de esperança nos seus olhos. Poderia este ser o início de uma mudança real para a aldeia?
Ela queria justiça para este lugar, para garantir que não fosse mais ignorado. Ela queria que crescesse. Depois de confirmar que tudo estava no lugar, Alina e Leo saíram silenciosamente. Eles tinham feito a sua parte.
O SUV preto que os tinha trazido à aldeia já estava à espera. Quando a porta abriu, uma figura familiar virou-se para eles do banco do motorista.
"Encontramo-nos novamente, Doc," disse o motorista com um pequeno sorriso.