Capítulo 67: Buscando Novos Aliados
'Eu conheço esse lugar. Tem alguém que pode nos ajudar."
Leo virou bruscamente, seguindo as direções de Alina. Ele dirigiu o carro por uma estrada estreita e deserta, que parecia esquecida pelo tempo. Só um punhado de pessoas conhecia essa estrada, e Leo era uma delas.
Ele estreitou os olhos, olhando em volta com cautela. Esse lugar... ele conhecia. Mas algo em seu estômago não estava totalmente convencido. Será que seu antigo palpite estava certo?
O carro parou em frente a uma casa velha, aparentemente abandonada. Mas no momento em que ele saiu, velhas memórias vieram à tona.
"Randi?!" ele chamou em descrença.
"Você o conhece?" Alina perguntou secamente, como se já soubesse a resposta.
"Ele... ele era meu melhor amigo. Estávamos na mesma equipe uma vez. Ex-mercenários."
Leo virou-se para ela, ainda em choque.
"Você realmente me trouxe aqui?"
Alina simplesmente encolheu os ombros. "Eu quase esqueci que salvar pessoas é seu trabalho, não é?" ela disse, entrando na casa sem nem bater.
Por trás das cortinas, um par de olhos afiados já os observava. Randi sabia quem era, mesmo antes de a porta abrir. Mas no momento em que viu Leo na soleira, ele ainda parecia surpreso.
"Leo? Droga, quantos anos se passaram? E quem é essa?"
Seus olhos examinaram Alina com curiosidade, então ele soltou um baixo sibilo.
"Da última vez que você esteve aqui, você disse que estava apaixonada por um chefe da máfia..."
Imediatamente, a mão de Leo se estendeu, prendendo a boca de seu amigo. Seu rosto ficou vermelho vivo.
Alina cruzou os braços e sorriu. "Essa era eu. A chefe da máfia com um novo rosto. Digamos, resultado de alguma cirurgia reconstrutiva."
Os olhos de Randi se arregalaram. "Você? Alina?!"
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, com o rosto tenso, olhando para Leo e Alina. A atmosfera ficou estranha, tensa, mas também um pouco absurda.
"Espera, espera, você está me dizendo, Alina, a chefe da máfia intocável e implacável, agora é essa mulher bonita na minha frente?"
A voz de Randi estava cheia de descrença e curiosidade.
Alina assentiu lentamente. "Resumindo, fui sacrificada, transferida para este corpo e agora estou sendo caçada por Marco. O homem que deveria estar morto."
Leo suspirou. "Precisamos da sua ajuda, Randi. Isso não é brincadeira. Dois carros cheios de assassinos profissionais estão em nosso encalço. Não vai demorar muito para eles encontrarem este lugar."
Randi estalou a língua. "Como nos velhos tempos, hein, Leo? Aparecer com uma grande confusão."
Ele abriu a porta ainda mais.
"Entrem. Mas não esperem um sofá aconchegante, este lugar é um esconderijo, não uma mansão."
Os três entraram na casa velha. Embora em ruínas por fora, ela escondia um corredor subterrâneo completo com monitores de vigilância, armas leves e uma sala de emergência.
"Este será um local seguro por enquanto", disse Randi, ligando os monitores. "Mas se Marco souber que você está viva, ele não vai parar até que sangue seja derramado."
Alina olhou para a tela, avistando um dos carros de seus perseguidores parando perto do beco.
"Eles são rápidos", ela murmurou.
Randi se virou para ela. "Então precisamos ser mais rápidos. Você vai precisar de um plano, armas e talvez um pequeno exército. Alguém em quem possamos confiar."
Leo segurou o ombro de Randi. "Obrigado, Randi. Eu sabia que você ajudaria."
Randi deu um sorriso torto. "Ainda não tenho certeza, cara. Estou ajudando porque estou curioso para saber o quão insana essa história de amor entre minha ex-chefe da máfia e meu melhor amigo pode ser."
Alina deu um leve sorriso. Mas seu olhar se intensificou. "Se Marco quer guerra desta vez, ele encontrará uma Alina diferente."
Randi assentiu, sentando-se em uma cadeira velha e rangente. Ele olhou para o monitor, com os dedos dançando em um teclado empoeirado, mas funcionando.
"Ok, primeiro precisamos descobrir quão forte Marco está agora. Se ele te rastreou até aqui, seus recursos devem ser insanos."
"Acredite em mim, são." Alina encostou-se na parede, com os braços cruzados. "Ele tirou tudo de mim. Meu povo, armas, informações. Até minha identidade."
"Mas ele não me tem", acrescentou Leo com firmeza.
Randi olhou para eles. "Ah, romântico. Mas, sendo realistas, Leo, você está pronto para que isso se transforme em guerra total? Não se trata mais de salvar uma ou duas pessoas. É uma guerra entre dois mundos sombrios."
Leo olhou nos olhos de seu amigo. "Eu não vou deixar ele pegar Alina de novo."
Silêncio caiu. Randi suspirou profundamente.
"Tudo bem. Vamos começar com minha antiga rede. Existem alguns nomes em que ainda podemos confiar. E há um esconderijo de armas que ninguém tocou desde nossa última missão."
"O armazém do cais?" Leo perguntou.
Randi assentiu. "Sim. Mas precisamos ser cuidadosos. Se Marco for tão forte, ele pode estar caçando todos os antigos contatos de Alina também."
De repente, um dos monitores apitou. Uma câmera do lado de fora mostrava uma figura escura se aproximando do outro lado da rua.
"Droga. Eles mandaram um olheiro." Alina se aproximou da tela.
"Um cara?" Leo perguntou.
"Um que vemos", respondeu Randi rapidamente. "Se eu fosse Marco, já teria snipers e distrações no lugar."
Alina tirou uma pistola de sua bolsa com mãos rápidas e experientes.
"Vamos nos separar. Leo e eu sairemos pelo túnel dos fundos como iscas. Randi, você segura este centro de controle. Prepare uma rota de fuga e, se possível, corte as comunicações deles."
Randi sorriu. "Essa chefe da máfia sabe como dar ordens."
"Velhos hábitos. Uma vez máfia, sempre máfia", respondeu Alina sem sorrir.
Leo olhou para ela com uma mistura de admiração e preocupação. "Tem certeza de que quer sair por aí?"
Ela retribuiu o olhar. "Mais certeza do que Marco tem de que pode me prender de novo."
O túnel dos fundos era estreito, empoeirado e fedia a ferrugem. Luzes de emergência lançavam um brilho fraco no rosto focado de Alina. Seus passos eram firmes, como se ela estivesse de volta aos seus dias liderando operações de alto risco.
"Vamos para oeste, depois subimos no telhado ao lado", sussurrou Alina, verificando sua arma.
"Você se lembra de tudo isso?" Leo perguntou.
"Meu corpo pode ser novo, mas minha mente ainda é a antiga Alina."
Quando eles emergiram pela porta dos fundos, o lado de fora estava estranhamente quieto. Silencioso demais.
Alina sinalizou. Eles correram rente à parede e subiram uma escada de metal rangente até o telhado. De cima, eles viram um carro preto perto da casa de Randi. Dois homens saíram - um de guarda, o outro falando em um fone de ouvido.
"Não apenas olheiros. Olhe para a formação deles", Alina apontou.
"Coordenação militar", murmurou Leo.
De repente, um tiro soou.
BANG!
A bala quase não atingiu a parede ao lado deles.
"Sniper!" Leo gritou, puxando Alina para trás de uma chaminé.
"Droga... eles sabem que estamos aqui."
Alina pegou um rifle curto de suas costas, olhando para Leo. "Pronto para um pouco de caos?"
"Sempre."
Com movimentos experientes, Alina saltou do telhado para uma varanda vizinha. Leo seguiu. Eles se esgueiraram por um corredor estreito, indo em direção ao outro lado da rua. Mas assim que estavam prestes a sair...
"Pare." Uma voz grave cortou o silêncio.
Um homem grande estava no final do corredor. Uma tatuagem de dragão enrolada em seu pescoço. Alina o reconheceu.
"Kai..." ela sussurrou.
"Eu fui enviado para te matar, Lina", ele disse secamente, embora seus olhos indicassem hesitação.
"Você jurou lealdade a mim uma vez. Marco te deu mais do que eu já dei?"
Kai olhou para baixo, segurando sua arma, mas não a levantou.
"Eu não sei em quem confiar mais. Nosso mundo enlouqueceu..."
"Então confie em quem você costumava seguir." Alina se aproximou lentamente. "Se você ainda é o Kai que eu conhecia... prove isso agora."
Vários segundos de silêncio. Então—
BRAT! BRAT!
Kai atirou não neles, mas nos homens de Marco que se aproximavam por trás.
"Vão. Eu vou segurá-los aqui."
Leo pegou Alina. "Precisamos encontrar um carro e ir para os cais. Precisamos de armas. E aliados."
Antes de correr, Alina olhou para Kai pela última vez. Ela deu a ele um aceno firme.
"Obrigado."
"Não desperdice meu sacrifício, Chefe."
Eles desapareceram nas sombras do corredor, enquanto tiros ecoavam mais alto atrás deles.