Capítulo 105: A Rejeição Que o Abalou
A voz dele era firme, inabalável, mas por dentro, o coração dele batia que nem bateria de guerra.
O Rei não reagiu logo. Ele ficou encarando a Alina, tipo tentando ler alguma coisa por trás do olhar dela. Daí, devagar, ele soltou uma risada baixa, fria e arrepiante.
"Você tá recusando um cara como eu?"
A Alina engoliu seco, mas não recuou.
"Tô dizendo não porque eu não sou algo que você pode ter só porque tem poder ou grana. Eu não sou um prêmio por ter salvado uma vida. Eu sou médica, não uma prostituta paga com um anel."
O Rei deu um sorrisinho. Teve um brilho de respeito… mas também uma chama nos olhos dele, a brasa da ambição.
"Você é fascinante, Aileen. Sua recusa só me faz te querer mais."
Ele se levantou devagar, e foi pro lado da mesa onde a Alina tava sentada. A mão dele foi, tocou o queixo dela de leve, mas com jeito de mandar.
"Você vai mudar de ideia… mais cedo ou mais tarde. Esse mundo não é dos bonzinhos, e sim dos fortes. E eu vou garantir que você escolha o lado certo."
A Alina tirou a mão dele com um tapa. "Vamos ver quem é forte no final desse jogo, Sr. Rei."
O Rei segurou o olhar dela por mais um segundo, e voltou pro lugar dele. "Tudo bem… o jogo começou."
A ameaça não era blefe vazio. Em questão de horas, não dias, a carreira do Leo desabou que nem castelo de areia com as ondas.
Aquela manhã, a notícia correu solta.
"Diretor do Hospital Bungalow Demitido. Pego em Escândalo de Desvio de Dinheiro e Caso Antigo de Má Prática Resurge."
Uma gravação de uma reunião de emergência vazou, o rosto do Leo não conseguiu esconder o choque. As provas eram perfeitas demais, completas demais. Como se tivessem sido preparadas há muito tempo, só esperando alguém apertar o play.
A Alina ficou parada que nem estátua no escritório dela quando ouviu a notícia. As mãos dela tremiam, não de medo, mas de raiva.
"Rei…" ela murmurou, a voz queimando.
A Alina tentou ligar pro Leo. Várias e várias vezes. Mas todas as ligações terminavam com a voz fria da operadora.
"Seu número foi bloqueado. Você não pode se conectar ao número de destino."
O coração dela afundou. Ela só queria dar força pra ele, mostrar que ela ainda tava ali, ainda acreditava nele. Mas todas as portas foram fechadas. Como se o Leo tivesse realmente desligado tudo.
Sem se entregar, a Alina foi pro apartamento dele, na esperança de vê-lo, olhar nos olhos dele, dizer que ele não tava sozinho. Mas o que ela encontrou foi vazio. O apartamento tava frio, vazio e sem vida.
Até que os olhos dela pegaram alguma coisa em cima da mesa. Uma carta, com o nome dela escrito com capricho num envelope cheio de poeira.
"Não me procure, Alina. Minha vida já era. Desculpa por não ter sido sincero com você."
As mãos dela tremeram. O mundo pareceu desabar. O Leo escolheu ir embora. Não consertar as coisas, mas fugir. A Alina ficou parada. A ferida se abriu. O homem em quem ela tinha apostado tudo a deixou quando ela mais precisava dele.
As lágrimas dela caíram. Não porque ela foi abandonada, mas porque ela se arrependeu de acreditar que o amor podia salvar alguém que nunca quis ser salvo.
A Alina saiu do apartamento com passos lentos e instáveis. Mas antes que ela pudesse pisar na calçada, um carro preto bloqueou o caminho dela. A porta abriu, e lá dentro tava o Rei, relaxado num terno preto, com uma mão descansando com elegância no queixo.
"Entra. Precisamos conversar."
A Alina se recusou. Mas dois guardas saíram rapidinho, levando ela pra dentro com jeito gentil, mas firme.
Dentro do carro, o Rei olhou pra Alina sem sorrir. Diferente de antes, quando ele tava cheio de controle elegante, dessa vez, a aura fria dele cortou mais fundo.
"E aí?" a voz dele tava parada, mas afiada. "Ainda quer me recusar?"
A Alina olhou pra ele com fúria. "Acha que eu vou me entregar só porque você acabou com o Leo?"
O Rei se encostou, respondendo com uma voz baixa e perigosa.
"Não só ele. Eu posso fazer tudo que você ama… desmoronar. Até seu futuro, aquela licença médica que você tanto se orgulha… Eu podia destruir tudo. Mas eu não quero."
Ele se aproximou, a voz dele num sussurro no ouvido dela. "Eu quero te proteger. Te ter. E você… vai ser minha, mais cedo ou mais tarde."
A Alina virou a cabeça devagar, o rosto ainda frio. "Se você acha que o amor se compra com medo, então você nunca me conheceu de verdade."
O Rei deu um sorrisinho. Não de alegria, mas porque o verdadeiro desafio tinha acabado de começar.
"Então vamos ver… qual de nós é mais teimosa, Doutora Aileen."
Aquela noite, a chuva caiu de mansinho, batendo na janela do apartamento da Alina com um ritmo suave, mas que assombrava.
Ela ficou parada em frente ao vidro, usando a camisa branca comprida do Leo, a última coisa que ele tinha deixado no armário dela. O cabelo dela tava solto e molhado, os olhos vazios.
Leo, a única pessoa em quem ela sempre confiou. Derrubado pelo mesmo homem que agora a caçava. Que moleza, o Rei tinha tirado tudo do Leo, tipo tirar uma vida sem derramar sangue.
O telefone dela tocou. Um número desconhecido.
"Você não respondeu minha pergunta, Aileen."
A voz do Rei era veneno embalado em mel. Suave, mas cheia de controle.
"Sua resposta mais cedo foi idealista demais. Mas hoje à noite… me dá uma resposta do seu coração solitário."
A Alina não disse nada.
"Eu não quero a resposta da sua mente odiosa, mas do seu corpo que secretamente quer ser conquistado."
As palavras dele fizeram a Alina prender a respiração. Mas ela não respondeu. O Rei deu uma risadinha no outro lado.
No dia seguinte, o mundo da Alina pareceu mais quieto que o normal. Como se tivesse um buraco dentro dela que ninguém conseguia preencher. O Leo foi embora, deixando um buraco no coração dela que nem o tempo conseguia curar.
Mas naquele silêncio, o Rei apareceu. Ele não perdeu a oportunidade. Com o estilo dele, elegante, mas assertivo, ele começou a chegar na Alina. Todo dia, sem falhar, ele aparecia no hospital onde ela trabalhava. Às vezes, levando o café preferido dela, outras entregando almoço pra toda a equipe, fazendo todo mundo falar dele, até admirá-lo.
"Se todos os homens fossem como o Sr. Rei, o mundo seria um lugar mais doce", uma enfermeira brincou com uma risada.
Daí vieram os presentes. Buquês de flores raras. Relógios de edição limitada. Até os sapatos dos sonhos que a Alina tinha mencionado numa boa.
Mas ela recusou tudo sem hesitar.
"Eu não sou o tipo de mulher que se compra", disse a Alina friamente, devolvendo cada item numa caixa arrumadinha. A expressão dela tava inabalável, mesmo com o coração em pedaços.
Mas a recusa dela não abalou o ânimo do Rei. Bem pelo contrário.
"Quanto mais você se afasta, mais eu quero me aproximar, Alina", ele disse um dia, com um sorriso calmo, mas os olhos cheios de determinação.
A Alina sabia que esse cara era diferente do Leo. Mas ela também sabia que a ferida no coração dela ainda não tinha cicatrizado. E ela não ia deixar ninguém entrar… pelo menos, por enquanto.