Capítulo 71: Um Choque de Palavras com Leo
Mas as ações dela foram MEGA arriscadas."
Ele passou os dedos na têmpora, tentando acalmar a tempestade dentro dele. Como **Diretor**, ele sabia que a decisão de **Alina** tinha violado os protocolos do hospital. Mas como **o homem** que a amava, ele também sabia que era aquela parte dela que o tinha feito se apaixonar. A coragem dela, a empatia dela, e o coração dela que nunca conseguia ficar parado diante do sofrimento.
No entanto, um hospital não é lugar pra agir por impulso.
Logo, a secretária dele entrou quieta.
"Sr. **Leo**, **O chefe da administração** quer conversar sobre as ações recentes da Dra. **Aileen**. Eles estão preocupados que isso possa criar um precedente para desrespeitar os procedimentos, se não for resolvido rapidamente."
**Leo** assentiu lentamente, seus olhos ainda fixos na tela. **Alina** tinha acabado de sair da sala de cirurgia. O rosto dela estava exausto, mas os olhos estavam brilhando. O paciente tinha sido salvo.
Ele respirou fundo. "Marque uma reunião. Mas não com **O chefe da administração** ainda. Eu quero conversar com **Aileen** hoje à noite."
A secretária saiu do escritório rapidamente. Enquanto isso, **Alina** tinha acabado de tirar as luvas cirúrgicas e se encostar na parede do corredor. A respiração dela ainda estava pesada. Não por exaustão física, mas pelo peso mental que ela tinha antecipado o tempo todo. E ela tinha razão.
"Dra. **Aileen**," a secretária chamou com cuidado. "O Sr. **Leo** gostaria de vê-la. Agora."
**Alina** assentiu levemente. Nenhuma surpresa cruzou seu rosto. Ela esperava isso. Mesmo que o paciente vivesse, a decisão dela, imprudente, com certeza tinha quebrado muitas regras.
"Tudo bem. Eu vou."
Enquanto ela caminhava em direção ao escritório de **Leo**, sua mente estava nublada de perguntas. Ela estava errada? Ou era o sistema que era muito rígido, forçando vidas a serem sacrificadas?
Ela abriu a porta com compostura. **Leo** estava de costas para ela, olhando pela janela refletindo o laranja suave do crepúsculo. O quarto estava quieto demais, calmo demais para duas pessoas que sabiam que estavam prestes a trocar palavras pesadas.
"Se você me chamou aqui pra me dar uma bronca, termine logo," **Alina** disse sem preâmbulos, tentando soar forte, mesmo com o coração tremendo um pouco.
**Leo** virou lentamente. Seu olhar era afiado, mas havia algo mais. Preocupação e afeto que ele não conseguia esconder.
"Eu não quero te dar bronca," ele disse suavemente. "Eu só quero saber até onde você está disposta a cruzar a linha por seus ideais?"
**Alina** olhou para ele, desapontada. Ela não esperava que aquelas fossem suas primeiras palavras.
"Ideais?" ela repetiu, sua voz subindo um pouco, mas ainda controlada. "Você acha que eu salvei aquele paciente só por causa de algum idealismo?"
**Leo** prendeu a respiração, mas não disse nada. "Você realmente acredita que as regras deste hospital são mais importantes do que a vida que está sangrando na minha frente?" ela continuou, seus olhos começando a embaçar. Não de raiva, mas de mágoa.
Ela se aproximou, agora a poucos metros dele. "Eu sei dos procedimentos. Eu sei das consequências. Mas eu também sei que o que eu fiz foi a coisa certa."
**Leo** olhou profundamente nos olhos dela. Ele queria gritar, repreendê-la, mas a verdade era que, em parte, ele admirava a coragem dela.
"Eu não estou condenando o que você fez, **Alina**," ele finalmente disse, sua voz suavizando. "Mas sua posição e a minha posição, estamos sob escrutínio. Um pequeno erro pode derrubar tudo."
**Alina** soltou uma risada amarga. "Então eu deveria ter ficado parada e deixado alguém morrer para proteger a reputação do hospital?"
Silêncio. **Leo** não disse nada. Seu coração estava em pedaços. Ele queria abraçá-la, fazer tudo ficar bem. Mas ele também sabia que havia uma parede crescendo entre eles, uma parede de crenças conflitantes.
"Se é assim que você me vê, talvez nós realmente estejamos em caminhos diferentes," **Alina** sussurrou.
As palavras ficaram no ar, mais profundas do que qualquer argumento poderia cortar.
"Eu te amo, **Alina**. Mas eu também sou responsável por centenas de outras vidas neste hospital. Eu não posso arriscar tudo por um ato impulsivo, mesmo que ele venha de você."
**Alina** congelou. Parecia que seu coração estava sendo arrancado do peito. Ela olhou para **Leo**, **o homem** que antes sempre esteve ao lado dela, agora soando como um estranho.
"Você mudou, **Leo**." Sua voz tremeu, mas seu olhar era afiado. "Eu estou decepcionada com você."
**Leo** deu um passo à frente, alcançando a mão dela, mas ela recuou. Aquela distância entre eles parecia mais fria do que a sala com ar condicionado.
"Eu estou tentando explicar."
"Não precisa," **Alina** o interrompeu friamente. "Você escolheu como lidar com isso. E eu vou escolher o meu."
**Leo** respirou fundo. "Eu não posso te defender na frente deles. Mas eu vou garantir que você não seja culpada sozinha."
"Eu posso enfrentá-los sozinha, **Leo**." Seus olhos não vacilaram. "Eu não preciso da sua ajuda."
Sem esperar uma resposta, **Alina** se virou e saiu. A porta se fechou atrás dela, marcando não apenas o fim de uma conversa, mas o início de uma verdadeira fratura entre eles.
Lá fora daquela porta, **Alina** caminhou rapidamente pelo corredor do hospital. Seus olhos estavam ardendo, mas nenhuma lágrima caiu. Ela sabia que, a partir daquele dia, não apenas sua reputação, mas seu coração seriam testados.
**Leo** encarou a porta que ela tinha batido. Seu coração em pedaços. Ele queria persegui-la, explicar tudo. Mas ele sabia que qualquer coisa que ele dissesse agora só aprofundaria a ferida.
Momentos depois, a porta se abriu novamente. Desta vez, não era **Alina**. Era **O chefe da administração** e dois funcionários de RH, com seus rostos graves.
"Sr. **Leo**," **O administrador** começou formalmente. "Nós avaliamos as ações da Dra. **Aileen**. Embora suas intenções tenham sido nobres, suas ações ainda violaram o procedimento do hospital."
**Leo** não disse nada.
"Nossa decisão é que a Dra. **Aileen** receberá uma advertência formal e uma dedução salarial de um mês. Foi considerado objetivamente e segue nossas políticas."
**Leo** exalou profundamente. "Eu entendo."
"Deseja apresentar uma objeção?" RH perguntou.
**Leo** olhou pela janela, para o mesmo céu crepuscular onde ele e **Alina** uma vez se apaixonaram no telhado do hospital.
"Não," ele respondeu calmamente. "Mas certifiquem-se de que ela não se sinta punida por se importar. Se você vai registrar o erro dela, registre também que ela salvou uma vida."
A equipe trocou olhares, depois assentiu e saiu. Sozinho novamente, **Leo** sentou-se lentamente. Ele sabia que as coisas entre ele e **Alina** nunca mais seriam as mesmas. Mas talvez, o amor verdadeiro não seja sobre salvar um ao outro. É sobre se manter firme mesmo quando você deve andar em caminhos separados.
Naquela noite, a notícia da sanção de **Alina** se espalhou rapidamente. Alguns funcionários sussurravam pelas costas dela, enquanto **Alina** estava sentada em silêncio no vestiário, olhando fixamente para o teto.
Nenhum deles sabia o quão quebrada ela realmente se sentia. Sem dizer adeus, **Alina** saiu do hospital. Seus passos a levaram a um lugar que ela não visitava há anos. Um pequeno bar no canto da cidade, seu refúgio em dias mais escuros.
Ela entrou quieta, sentou-se em um canto e pediu a bebida que antes tinha sido sua fuga.
Um gole, depois outro, até que o álcool começou a amortecer seus pensamentos inquietos. Ela se recostou e fechou os olhos. O mundo parecia quieto.
"Faz muito tempo que eu não te vejo aqui," uma voz veio ao lado dela.
**Alina** abriu os olhos. Era **Jio**, sentado ao lado dela com um leve sorriso.
"Ainda com os mesmos hábitos, **Alina**?" ele disse casualmente. "Você é médica agora. Não é exatamente o melhor lugar para alguém como você."
**Alina** tomou outro gole profundo. Desta vez, mais lento. Seus olhos não estavam mais afiados, apenas cansados.
"Médicos também são humanos, **Jio**," ela respondeu roucamente. "Melhor eu beber do que tirar uma vida na mesa de operações só pra seguir alguma regra estúpida."
**Jio** olhou para ela por um longo momento, então sinalizou para o barman para pedir uma bebida.
"Nesse caso, eu vou ficar com você hoje à noite. Para que você não precise beber enquanto odeia o mundo sozinho."