Capítulo 91: O Preço do Reconhecimento
Raka franziu a testa. 'Ué? Como assim?'
Leo olhou pra Alina, e depois virou pro Raka com um baita suspiro. 'O prédio caiu, Raka. O casamento virou missão de resgate.'
Os olhos do Raka arregalaram. 'MEU DEUS! Aquele prédio…? Achei que era só um foguinho!'
Alina assentiu devagar. 'Mas a gente saiu. E já tá bom por hoje.'
Raka botou a mão na cabeça, ainda sem acreditar. 'Inacreditável… Perdi toda essa treta?'
Leo deu um sorrisinho cansado. 'Você não perdeu o casamento.'
Raka olhou pra ele, confuso.
'Porque o casamento não aconteceu', Leo completou, dando uma olhada pra Alina, cheia de significado.
Alina retribuiu o olhar, e por um instante, o mundo parou. Silêncio. Como se só eles dois existissem ali. Como essa história ia terminar, só o tempo ia dizer.
No dia seguinte, Leo já tava na cama do hospital. E, sei lá como, ele pediu que uma pessoa específica fosse a médica dele: Alina.
Todos os doutores experientes ficaram chocados. Ninguém ousou contestar a decisão do diretor novinho, exceto uma pessoa: Dr. Nathan.
'Aileen, você pode até ter sido indicada direto pelo diretor', ele falou com aspereza, 'mas não esqueça que você é minha aluna. Uma responsa desse tamanho devia ser minha.'
Como sempre, Alina só deu de ombros. A indiferença dela era inabalável. Ela tava acostumada com as palhaçadas do Nathan, sempre querendo ser o centro das atenções desde que o Leo virou diretor do hospital.
A partir daquele momento, o hospital ficou diferente. Pro Nathan e pros puxa-sacos, só tinha um objetivo: conquistar a confiança do Leo.
'Engraçado', Alina murmurou baixinho, quase pra ela mesma. 'Achei que ele ia melhorar. Parece que só quer ser reconhecido mais ainda.'
Ela entrou no quarto VIP. Leo virou na hora, recebendo ela com um sorriso amigável que era difícil de decifrar.
'Por que essa cara feia, minha nova médica particular?'
Alina respirou fundo e soltou o ar devagar. 'Por causa desse seu plano maluco, virei alvo de todo mundo. Por que eu? Por que não outro doutor experiente?'
Leo sorriu, despreocupado. 'Porque você foi eleita a melhor médica desse hospital. E eu sempre escolho os melhores, não os mais velhos.'
A cara da Alina continuou emburrada. Ela sabia que merecia o título. Mas não assim. Ela queria ser reconhecida pelo trampo duro, não vista como alguém que tava se jogando pra conseguir uma promoção.
Mas agora, todo mundo achava que ela tava de olho no Leo de propósito. E a decisão do Leo só reforçou essa suposição.
Depois de terminar o exame do Leo, Alina voltou pro seu posto principal, o pronto-socorro. Hoje, ela tava escalada como cirurgiã de plantão. Um lugar cheio de pressão e caos, mas onde Alina se sentia mais viva.
Mesmo assim, os olhares hostis e os sussurros nunca a deixavam.
Os colegas encaravam com olhos antipáticos. Com inveja. Ressentimento. Famintos pela mesma admiração.
'Doutora Aileen', uma enfermeira disse com um tom malicioso, 'conta o segredo pra gente. Como você ficou tão próxima do Dr. Leo? Foi porque você dormiu com ele?'
Umas risadinhas rolaram, não de alegria, mas de deboche.
'Ah, para, não seja pão-duro. A gente adoraria ser como você, subindo na vida com beleza e charme. Essa é sua nova estratégia?'
Alina não falou nada. Seus olhos encontraram os delas, frios, mas calmos.
Por um instante, o silêncio reinou. Ela podia ter respondido, podia ter detonado com uma frase afiada. Mas Alina não era do tipo que se justificava pra quem só queria botar ela pra baixo.
'Não preciso me vender pra conseguir meu lugar', ela finalmente disse, com a voz baixa, mas cortante. 'Se vocês têm tempo pra fofoca, por que não usam pra virar médicos de verdade?'
Ela passou por elas sem dar outra olhada. Mas as palavras dela ficaram, machucando o orgulho que já tava procurando um motivo pra odiá-la há tempos.
A tensão não parou por aí. Como se as ofensas anteriores não fossem suficientes, a pressão aumentou até que um chamado de emergência tocou.
'Paciente crítico no pronto-socorro! Traumatismo craniano com sangramento forte!'
A atmosfera que tava agitada de repente congelou. Só que, em vez de correr pra ajudar, a equipe médica recuou, um por um.
Alina se preparou pra agir rápido, mas algo tava errado. Ninguém tava se mexendo pra ajudar ela.
Aí a voz áspera de um doutor cortou o silêncio, cheia de sarcasmo.
'Deixa que nossa melhor médica resolva', ele falou, com os braços cruzados, um sorriso de deboche na cara. 'Ela é brilhante. Tão brilhante que até o diretor se curva pra ela. Com certeza ela consegue cuidar de um paciente sozinha?'
Umas enfermeiras riram baixinho. Outros fingiram não ouvir.
'Ah, bora lá pra lanchonete. É por minha conta!', ele completou, seguido por passos indo embora.
Alina ficou ali, cercada pelo cheiro de sangue e os bipes estridentes dos monitores. Suas mãos tremiam, não de medo, mas de raiva contida.
Só que ela não tinha tempo pra eles. Uma vida precisava ser salva. Rapidamente, ela colocou as luvas, ajustou a máscara e foi trabalhar sozinha.
A cirurgia foi feita em condições nada ideais. Sem um segundo par de mãos pra ajudar. Sem uma voz de apoio por perto. Só o relógio correndo e o coração do paciente lutando contra a morte.
Sob as luzes cirúrgicas, o suor escorria da testa da Alina. Suas mãos tremeram por um segundo, mas ela as firmou. Ela não podia falhar. A vida daquele paciente tava nas mãos dela.
Mesmo sendo difícil, ela não parou. Cada ponto, cada corte foi feito com cuidado e determinação. Normalmente, essa era uma tarefa pra dois ou três médicos, mas ela carregou o peso sozinha.
O tempo passou mais devagar que o normal. Um procedimento que devia ser rápido demorou o dobro. Mas Alina continuou focada. Ela não se importava com o tempo, nem com quem tava olhando, nem com quem tava rindo. Ela só se importava com uma coisa, salvar a vida que tava na frente dela.
E quando os sinais vitais do paciente finalmente se estabilizaram e o monitor cardíaco apitou de novo, a Alina soltou um baita suspiro. Ela conseguiu.
Mas, quando ela virou, seus olhos travaram numa figura parada atrás da janela da sala de cirurgia. Seus olhares se encontraram, e, mais uma vez, o mundo ficou em silêncio. Leo.
A expressão dele era indecifrável. Uma mistura de admiração, raiva e uma dor profunda. Ele viu tudo. Do começo ao fim. Incluindo a traição silenciosa da equipe médica.
Leo invadiu o corredor de observação, sua voz ecoando com força enquanto ele entrava no corredor principal.
'Vou dar um toque neles.'