Capítulo 153: Uma Resposta a Mirza
Naquele dia, uma enfermeira entrou no escritório da Dra. **Alina** com passos leves, carregando uma marmita bem embalada.
"Dra. **Alina**, isso é da despensa. Seu pedido de hoje", ela disse com um sorriso amigável.
**Alina**, enterrada em pilhas de relatórios, mal levantou os olhos. "Valeu. Deixa em cima da mesa."
A enfermeira colocou a comida sem pensar duas vezes e saiu da sala. Em um corredor sombrio, um par de olhos observava em silêncio.
Ele ficou parado, sua presença invisível, testemunhando silenciosamente como o plano se desenrolava sem deixar rastros. Poucos minutos antes, enquanto a enfermeira estava de costas, Fio colocou um líquido transparente na marmita de **Alina**. Usando luvas médicas, ele se moveu rapidamente como alguém que já tinha feito isso antes.
"Se esse veneno não silenciar ela", Fio sussurrou para si mesmo, "nós vamos precisar de uma solução mais permanente."
Mas as coisas não saíram como planejado. **Alina** nunca teve a chance de tocar na comida dela. O dia inteiro passou em um borrão de cirurgias e plantões. Foi só no entardecer que ela voltou para o escritório e finalmente abriu o recipiente.
Suas sobrancelhas franziram instantaneamente. Um cheiro estranho atingiu seu nariz, e formigas mortas cobriam a superfície da comida.
Seu coração disparou. Isso não era normal. Com instinto treinado, ela colocou luvas, transferiu parte da comida para um tubo de amostra estéril e correu para o laboratório do hospital. Uma hora depois, os resultados chegaram.
"Esse composto..." o técnico do laboratório murmurou sombriamente, "É uma neurotoxina sintética. Mesmo um traço poderia parar o coração em minutos."
**Alina** fechou os olhos. Isso não era mais só intimidação, estavam tentando matá-la. Sem perder tempo, ela reuniu tudo: os resultados do laboratório, as imagens do circuito interno de TV e um relatório de cronograma. Uma cópia foi direto para a segurança do hospital, e outra foi encaminhada para a polícia.
Em outro lugar, Fio entrou no depósito dos fundos, com pânico evidente em seu rosto. Com as mãos tremendo, ele ligou para **Mirza**.
"O plano falhou. Ela não comeu. Eu acho que ela sabe—"
Ele não conseguiu terminar. As sirenes da polícia tocaram lá fora. Oficiais entraram no hospital armados com mandados e foram direto para o escritório de segurança. **Mirza** congelou ao ouvir a comoção.
"Não... é muito cedo", ele murmurou.
Ele agora entendeu que a mulher que tentaram quebrar não era só resiliente. Ela estava um passo à frente.
A polícia varreu a ala administrativa, chocando médicos e funcionários. O chefe da segurança entregou as últimas 48 horas de vigilância. Não demorou muito para encontrar o que precisavam: imagens de Fio adulterando a comida antes de entregá-la ao escritório particular de **Alina**.
Na sala de investigação, **Alina** sentou-se com o detetive principal, apresentando as evidências compiladas.
"Isso não foi apenas uma ameaça. Foi uma tentativa de assassinato", ela disse calmamente, mas com firmeza na voz.
O detetive assentiu. "Vamos agir imediatamente. Isso é mais do que suficiente para deter Fio e implicar ainda mais **Mirza**."
**Mirza**, percebendo que a polícia estava agindo rápido, tentou ligar para Fio. Tarde demais. Fio já tinha sido preso. Ele não resistiu, mas o medo em seus olhos disse tudo.
Dentro da sala de interrogatório, a pressão o quebrou. Ele nomeou **Mirza**.
Ele confessou tudo, desde a adulteração de dados de pacientes até o plano do veneno. Tudo sob as instruções de **Mirza**.
Horas depois, oficiais entraram no hospital com um segundo mandado, desta vez para **Mirza**. Não apenas por fraude de dados, mas por orquestrar uma tentativa sistemática contra a vida de um colega.
**Mirza** explodiu de raiva, recusando-se a ser algemado na frente de seus colegas. "Eu sou o melhor médico que este hospital tem! Vocês acham que podem me tocar?!"
Mas os oficiais não hesitaram. Eles o algemaram e o levaram para fora. Seu rosto, antes arrogante, agora não continha nenhum triunfo.
De volta ao seu escritório, **Alina** estava na janela, deixando o peso do dia cair sobre ela. Ela fechou os olhos. Então abriu um relatório final para a diretoria do hospital. A luta não tinha terminado—mas pelo menos por aquela noite, ela estava viva. E a verdade esteve ao seu lado.
No dia seguinte, na sala de interrogatório, **Mirza** estava sentado em frente ao investigador principal, com os pulsos presos em algemas.
"Temos evidências esmagadoras de manipulação de dados médicos e tentativa de assassinato. Você tem algo a dizer em sua defesa?" o oficial perguntou com firmeza.
**Mirza** zombou, mas permaneceu em silêncio. Ele não ia se render. Ainda não. Isso não era apenas sobre culpa, era sobre o caminho que ele havia escolhido. Um destino torcido.
De volta ao hospital, **Alina** e **Raja** analisaram o relatório final da investigação. Cada arquivo médico falsificado, cada rastreamento digital apontava claramente para **Mirza**. A diretoria do hospital não perdeu tempo em emitir seu veredicto.
"Dr. **Mirza** Laras foi considerado culpado de conduta imprópria grave, manipulação de dados e difamação. Com efeito imediato, ele é demitido e enfrentará a acusação legal completa. Esta instituição não tolera comportamento criminoso que coloca vidas em perigo", declarou um membro da diretoria.
**Raja** se virou para **Alina**, com orgulho nos olhos. "Você conseguiu. Você acabou com isso."
**Alina** assentiu solenemente. "Esta não é uma vitória. É apenas o começo. Ainda há muito a consertar se quisermos proteger a integridade deste hospital."
**Raja** sorriu suavemente. "Eu sei. Mas hoje, nós vencemos."
Mesmo atrás das grades, **Mirza** não estava pronto para desistir. Ele poderia se declarar culpado, cumprir sua pena... ou esperar a hora certa. O mundo da medicina era vasto. E se ele perdesse esta batalha, ele simplesmente esperaria pela próxima.
Mas por enquanto, **Alina** e **Raja** encontraram um momento de paz. Na cafeteria do hospital, tarde da noite, **Alina** olhou para **Raja**.
"Obrigada", ela disse em voz baixa. "Sem você, eu talvez não estivesse aqui."
**Raja** sorriu, gentilmente colocando a mão sobre a dela. "Eu só fiz o que era certo. Eu só quero que você se sinta segura, **Alina**. Você é mais do que apenas uma médica."
**Alina** encontrou seu olhar, seu sorriso suave. "E você é mais do que um homem de negócios. Você me fez sentir vista."
Eles ficaram em silêncio por um momento, palavras não ditas, mas profundamente sentidas. Desafios ainda estavam por vir, mas eles não estavam mais enfrentando-os sozinhos. E isso fez toda a diferença.