Capítulo 73: Falsa Esperança
A luz do sol furou as cortinas, banhando o quarto com um calor não convidado.
**Alina** abriu os olhos devagar. A cabeça dela tava doendo, a garganta seca. Mas o que fez ela sentar de uma vez foi uma coisa...
"Esse... não é meu quarto."
Ela olhou em volta. O quarto tinha uma vibe masculina. Móveis minimalistas. Um cheiro familiar... **Leo**.
Os olhos dela desceram pro corpo. Ela tava vestindo uma camiseta enorme, que claramente não era dela. E... sem calcinha. A **Alina** corou. Uma mistura de pânico, raiva e vergonha.
"O que rolou ontem à noite?"
Ela saiu correndo do quarto. As pernas dela tavam bambas, mas as emoções já tavam pegando fogo.
"**LEO**!!"
Não demorou muito pra o cara aparecer da cozinha, de moletom e camiseta branca... manchada de vômito no ombro.
"Eu sabia que você ia surtar", ele falou na maior tranquilidade, segurando um copo d'água. "Bebe isso primeiro, depois pode gritar comigo o quanto quiser."
A **Alina** pegou o copo, os olhos dela brilhando.
"Você trocou a minha roupa?!"
**Leo** assentiu, calmo. "Você tava com febre, e suas roupas tavam encharcadas do seu próprio vômito. Não tive outra escolha."
O rosto da **Alina** ficou mais vermelho ainda. Se era de vergonha, raiva, ou os dois, ela não sabia.
"E ontem à noite... a gente... fez algo?" ela perguntou, a voz tensa.
**Leo** olhou pra ela. Silêncio.
"Quase... Mas, infelizmente, você vomitou antes que pudesse virar pecado."
A **Alina** congelou, depois olhou pra ele com raiva.
"Você se aproveitou de mim!"
**Leo** chegou mais perto, a expressão séria. "Eu perdi o controle por um momento, sim. Mas não te toquei mais do que o necessário. Acredite ou não, a decisão é sua."
A **Alina** rangeu os dentes, o peito subindo e descendo com a emoção.
"Já enjoei disso, **Leo**. Você some quando eu preciso, depois aparece do nada, agindo como um herói que me salvou!"
"Eu sei que eu errei", respondeu **Leo**, quieto. "Mas pelo menos me dá uma chance de consertar. Não só porque eu me sinto culpado... mas porque eu ainda me importo."
A **Alina** ficou olhando nos olhos do **Leo**. Os dela tavam ardendo. Mas ela não queria chorar na frente dele. Não mais.
"Se importa?" ela sussurrou. "Você não sabe o que isso significa."
Então ela se virou e foi pra porta.
Mas os passos dela pararam quando o **Leo** falou: "Então, me ensina."
"Esse lance nunca vai dar certo... enquanto você estiver na mão do **diretor do hospital**."
As palavras saíram dos lábios da **Alina** como uma ferida se abrindo de novo. O olhar dela era frio, quase glacial, e sem esperar uma resposta, ela se virou e saiu do apartamento do **Leo** sem olhar pra trás.
Enquanto a **Alina** saía do prédio chique, ela não percebeu um par de olhos observando ela. Uma **jovem enfermeira** do mesmo hospital. Não demorou muito pra a fofoca se espalhar como fogo. O nome da **Alina** começou a ecoar por todos os corredores, sussurrado por trás dos sorrisos falsos da **equipe** médica.
Naquele dia, o segredo que a **Alina** e o **Leo** guardavam com tanto cuidado quase foi exposto. A **diretoria do hospital** chamou o **Leo** pra interrogação.
Mas, graças à reputação quase intocável dele e à habilidade de contornar as situações, o **Leo** convenceu eles que não tinha rolado nenhuma quebra de ética profissional. Mas, desde aquele dia... tudo mudou.
No hospital, uma distância invisível, mas inegável, cresceu entre eles. O olhar quente que o **Leo** costumava dar agora se escondia atrás de formalidades. E a **Alina**? Ela tratava ele como nada mais que um superior que ela tinha que respeitar. Sem mais olhares roubados. Sem mais conversas secretas na sala de suprimentos.
Mesmo fora do horário de trabalho, o **Leo** não conseguia chegar perto dela. A **Alina** ainda tava brava. Ainda magoada. E o **Leo** sabia que, dessa vez, só o charme não ia ser suficiente.
O lance deles agora tava por um fio. Frágil demais pra salvar, mas precioso demais pra largar. E, como sempre... o **Jio** apareceu na hora mais inesperada. Se foi coincidência ou coisa planejada, ele sempre parecia saber quando a **Alina** tava sozinha.
Naquele dia, a **Alina** tava curtindo um momento de paz num café escondido num canto da cidade. Ela tava sentada perto da janela, vendo a chuvinha, tomando um drink quente. Tentando, por um momento, esquecer a bagunça na vida dela.
"Nos encontramos de novo, linda!"
Aquela voz entrou nos ouvidos dela, fazendo ela se virar devagar. E, com certeza—o **Jio**, com o sorriso confiante dele, tava na frente dela.
A **Alina** levantou a sobrancelha e deu um sorrisinho. Mas não foi totalmente sincero. Tinha hesitação nos olhos dela, como se a presença dele sempre trouxesse uma mistura de conforto... e caos.
"O que você tá fazendo aqui, **Jio**?" ela perguntou, o tom seco, mas educado.
"Encontrando uma nova colega", respondeu o **Jio**, olhando pro relógio. "Mas parece que ela tá atrasada. Sorte minha, eu te vejo primeiro."
A **Alina** não respondeu. Só assentiu de leve e voltou a tomar o drink dela. Silêncio entre eles.
O **Jio** puxou uma cadeira e sentou sem ser convidado. Ele olhou pra **Alina** com um olhar quente—quente demais pra quem dizia ser só amigo.
"Faz tempo que eu não te vejo sorrir assim", ele murmurou.
A **Alina** suspirou, olhando pra baixo um pouco. "Eu tô sorrindo porque meu drink tá bom."
"Nesse caso, talvez eu devesse virar barista—pra te fazer sorrir todo dia", o **Jio** brincou, rindo baixinho.
A **Alina** segurou o riso. Mas o coração dela continuou na defensiva. Ela sabia que o **Jio** não era o tipo de cara que só passa por perto. Ele vinha com atenção... e talvez intenções além da amizade.
E, por alguma razão, a parte machucada dela começou a se perguntar. Que mal faria... deixar alguém além do **Leo** chegar perto?
Mas a decisão dela de se manter longe do **Jio** de repente vacilou... quando os olhos dela pegaram uma figura familiar no outro lado do café. O **Leo**.
Com vários investidores gringos e uma **mulher** linda grudada no braço dele. Rindo, flertando, tocando no braço dele, como se fossem namorados de longa data.
A **Alina** congelou. Algo espetou o peito dela. Ciúmes? Talvez. Mas mais forte que isso era a decepção... porque o **Leo** nem parecia incomodado com a presença dela na mesma sala.
Mas, sem mostrar nada, a **Alina** mudou o comportamento dela. Ela se virou pro **Jio** e sorriu de um jeito mais caloroso que o normal. O olhar dela suavizou, a voz um pouco mais alta, quase flertando. E, quando ela gargalhou com a piada do **Jio**, não foi porque foi engraçado. Foi porque o **Leo** tava vendo.
Aquele cara, mesmo conversando com os investidores, vez ou outra olhava pra ela. O olhar dele era frio, mas os olhos ardiam com emoção. Ele viu a **Alina** sentada muito perto do **Jio**, e o coração dele ferveu. Ele queria ir lá, puxar ela, abraçar ela, e gritar que ele ainda amava ela.
Mas... ele não podia. A posição e a reputação dele tavam em jogo na frente daqueles investidores. Então, o **Leo** só conseguiu cerrar o maxilar e os punhos embaixo da mesa. Observando de longe. Sofrendo em silêncio.
Enquanto isso, a **Alina** continuava interpretando o papel dela. Rindo, tocando no braço do **Jio**, até chegando mais perto do que precisava.
O **Jio** inclinou a cabeça um pouco, sentindo algo estranho no comportamento da **Alina**. Ela normalmente mantinha distância. Mas agora? Ela parecia tá tentando alguma coisa.
Em vez de desconfiança, o **Jio** sentiu... esperança. Porque, pela primeira vez... a **Alina** parecia tá deixando ele entrar.
"Eu tô feliz que você esteja disposta a me dar uma chance"