Capítulo 126: A Armadilha do Inimigo
Raja virou devagar, os movimentos dele tranquilos, enquanto ele ia em direção a Alina. O olhar dele era calmo - assustadoramente. Tipo um predador com a certeza de que a presa não tinha para onde correr.
"Você entrou no meu escritório. Sem permissão. Mexeu nos arquivos privados. Acessou segredos que eram só meus..." A voz dele era baixa, mas tinha uma autoridade que não dava pra questionar.
Alina apertou a barra da saia do trabalho dela. "Eu só queria a verdade."
"Mas você procurou sem ser honesta," Raja sussurrou, chegando perto até a sombra dele engolir ela. "E toda violação... tem que ter consequências. Você sabe disso."
Ele pegou um controle pequeno na mesa dele e apertou um botão. A porta do escritório trancou com um 'clique' suave. As janelas escureceram - modo privacidade ativado.
"Raja..." Alina sussurrou, quase inaudível.
"Não fala," ele cortou ela bruscamente. "Agora, você só precisa ouvir e entender que, nesse lugar... eu mando em tudo."
A mão dele não era bruta, mas fria e firme quando ele guiou ela para o lado da mesa dele. Ele não era brutal. Na verdade, ele era quase gentil - tão controlado, tão metódico, que resistir parecia inútil e desnecessário.
"Não é sobre vingança," Raja murmurou perto do ouvido dela. "É sobre ensinar alguém esperta demais... que toda ação tem uma consequência."
E aí ele puniu ela não com força, mas com controle. O toque dele era preciso, as palavras dele sedutoras, mas mandonas. Ele explorou o limite entre dominação e desejo. Não para machucar, mas para conquistar.
Cada respiração, cada arrepio, virou uma confissão. Que não importava o quanto Alina odiasse o jogo, ela já tava presa nele. Quando Raja finalmente se afastou, deixando ela recuperar o fôlego, ele sorriu - um sorriso lento, tranquilo, curvando os lábios.
"Agora você entende, Aileen... Eu não só te observo. Eu te possuo."
Desde aquela noite, Alina tentou manter distância. Mas Raja não deu chance pra ela recuar. Naquela manhã, ele chamou ela de novo no escritório dele. Sem toque. Sem sussurros quentes. Só um olhar frio e uma frase que gelou o sangue dela.
"Vamos armar uma cilada para Adrian."
Alina franziu a testa. "Por que eu?"
Raja não piscou. "Porque ele tá interessado em você. E eu quero que ele acredite... que ainda tem uma chance."
Alina mordeu o lábio. "E se eu me recusar?"
"Isso não é um pedido," Raja disse suavemente. "Só tô te contando o plano."
Ele virou o laptop dele para ela, mostrando uma gravação da segurança daquela noite. "Adrian roubou o arquivo do Projeto K. Mas ele foi burro demais para perceber... que já tava alterado."
Os olhos de Alina se estreitaram. "Alterado como?"
"Eu coloquei um rastreador. Assim que ele abrir em outro aparelho, vamos rastrear ele. E o nosso sistema vai invadir o dele."
Ele olhou para ela, firme e frio. "Mas precisamos de uma isca final. Algo que faça ele baixar a guarda e ligar para quem tá por trás dele."
"Você quer que eu chegue perto dele."
Raja deu um sorriso lento e mortal. "Você não precisa tocar nele. Só faz ele acreditar que você tá começando a perder a fé em mim."
Aquela tarde, Alina encontrou Adrian na sala de estar do andar de cima. Ele levantou o olhar, sorrindo como sempre.
"Uau, que surpresa agradável. A doutora charmosa vem me ver sem marcar?"
Alina cruzou os braços, dando um sorrisinho. "Talvez eu só esteja... curiosa."
"Sobre o quê?"
"Raja," ela disse, sem rodeios. "E quem era pra ser CEO do Grupo Mahesa antes dele aparecer."
A expressão de Adrian mudou. Aí ele soltou uma risada baixa. "Então você começou a entender, hein?"
Alina sentou, se inclinando um pouquinho. O tom dela era brincalhão. Os olhos dela, não.
"Você uma vez me disse que eu não era como as outras mulheres. Você tava certo. Eu sei que Raja tá escondendo algo de mim."
Adrian chegou mais perto, sentindo a brecha, mas não a armadilha.
"Ele tá manipulando todo mundo. Inclusive você," ele sussurrou. "E eu sei onde tão as rachaduras."
"Prove," Alina desafiou.
Ele deu um sorriso cínico. "Ah, eu vou. Mas preciso saber que você tá falando sério. Que você não é só uma peça no jogo dele."
"Então me mostra, Adrian. Prove que eu tava errada em confiar nele."
Sem ele saber, a câmera no pingente de Alina transmitia cada palavra ao vivo para o escritório privado de Raja. Onde ele tava sentado, calmo e indecifrável, assistindo a cena rolar.
"Boa, Aileen," ele murmurou. "Continua... e quando for a hora, eu vou destruir tudo por dentro."
Aquela noite, no apartamento de Adrian. Alina chegou com um look casual-chique - elegante, discreto e sutilmente desarmador. O rosto dela calmo, a mente afiada. Ela sabia que não era só uma batalha pela verdade, mas pela sobrevivência.
Adrian abriu a porta com um sorriso malicioso e serviu vinho. "Finalmente você veio."
"Para de fingir que isso é um encontro," ela disse, aceitando a taça, mas não bebendo.
"Você quer provas, né?" Ele foi até um armário e tirou um disco rígido preto e fino. "Aqui tem tudo - dados do Projeto K, transações ilegais, o poder de verdade por trás do Grupo Mahesa."
Alina observou ele. "Se isso é verdade... por que tá me dando?"
"Porque eu quero que Raja caia. E eu sei que você pode fazer isso acontecer. Ele confia em você."
Ela hesitou, aí pegou o disco. Mas ela não sabia que a câmera de verdade não tava mais no pingente. Quando ela conectou no laptop, a tela deu uma piscada e apagou.
"Ops," Adrian murmurou, chegando mais perto. "Eu adicionei uma coisinha também. Aquela câmerazinha no seu colar? Desconectada."
Alina congelou.
"Então estamos quites agora," ele sussurrou. "Você tentou me prender. Eu tentei te prender. A única saída viva disso... é juntos."
O olhar de Alina endureceu. "Ou eu continuo fingindo. E te corto mais fundo."
Adrian riu. "Você pode tentar. Mas quanto mais você brincar com fogo, mais rápido você queima, Aileen."
De volta no escritório dele, Raja assistiu a gravação ficar preta. Ele só sorriu.
"Eles acham que eu sou cego. Mas isso sempre esteve sob meu controle."
Ele abriu outra transmissão - essa do alfinete escondido na blusa de Alina. A verdadeira vigilância.
"Bem-vinda ao meu jogo," ele sussurrou.