Capítulo 127: Separação Temporária
A noite se arrastou no apartamento do Adrian. O silêncio entre eles parecia a calmaria antes da tempestade. Adrian chegou mais perto, a voz baixa e cheia de manipulação.
'Sabe que ele não vai sacrificar o império só pra te salvar, né?", ele sussurrou no ouvido da Alina, os dedos roçando no braço dela.
Mas a Alina não era de ficar quieta. Num movimento rápido, ela se virou, chutou o joelho do Adrian e enfiou o joelho nas costelas dele. Ele caiu com um gemido, atordoado. A mulher que ele achava que era só uma peça se revelou uma lutadora.
'Eu não sou nenhuma garota frágil pra você brincar,' Alina rosnou, prendendo ele no chão, o joelho pressionando forte o peito dele enquanto ela travava os pulsos.
Naquele momento, a porta se abriu com tudo. Raja entrou, seguido por policiais armados pra caramba. Os olhos dele travaram na cena: Alina em cima do Adrian, o rival dele se contorcendo no chão. Mas em vez de alívio, uma tempestade surgiu no olhar dele.
Ele foi pra cima, puxou o Adrian e empurrou ele pros oficiais. Mas assim que o Adrian saiu do quarto, Raja se virou pra Alina. Os olhos dele eram gelo. A mandíbula travada.
'Ele te tocou,' ele rosnou. Não era uma pergunta. Era uma afirmação. Um julgamento.
A respiração da Alina falhou. 'Eu parei ele. Eu revidei.'
Mas o Raja não tava ouvindo. Ele tava longe demais, a possessividade brilhando no peito dele. Mais tarde naquela noite, na residência particular do Raja, a porta se fechou atrás deles. Sem aviso, ele a puxou pra dentro, trancando o espaço entre eles.
'Você sabe a punição por me fazer perder o controle?' ele perguntou, a voz baixa mas fria como aço.
'Raja…'
'Silêncio.'
Ele a pressionou contra a mesa de mármore, o rosto perigosamente perto.
'Eu ainda consigo sentir a presença dele na sua pele e isso me dá nojo.'
'Não foi minha culpa,' ela sussurrou, tremendo.
'Não. Mas eu ainda vou apagar isso… do meu jeito.'
O toque dele não era violento, mas tinha poder. Não nascido do ódio, mas do ciúme. Ciúme profundo, ardente, que se recusava a dividir o que era dele. Naquela noite, o Raja não a machucou, mas a dominou. Completamente. Reivindicando ela com a voz, o corpo e a presença. Não com dor, mas com controle implacável.
A Alina chorou, não de dor, mas porque não sabia mais onde o amor terminava e a obsessão começava. O corpo dela tremia com uma necessidade estranha, destruidora, que ela odiava e desejava. Conforme a noite avançava, ela ficou perto da porta, ainda tremendo. Raja estava perto da janela alta, as costas rígidas, os punhos cerrados.
'Por que você não diz nada?' ele disse friamente. 'Depois de tudo, você nem consegue se explicar?'
'Eu não preciso,' Alina sussurrou. 'Eu provei o suficiente hoje.'
Ele se virou. Os olhos dele escuros, queimando. 'E ainda… você deixou ele te tocar.'
'Ele não me tocou daquele jeito!' a voz dela rachou. 'Eu lutei com ele!'
Mas o Raja já estava na frente dela, a centímetros de distância. O ar entre eles ficou pesado, volátil.
'Mas o rastro dele ainda está na sua pele,' ele disse através dos dentes cerrados, levantando o queixo dela pra encarar ele. 'E eu não vou deixar isso ficar.'
'Eu vou apagar cada vestígio daquele homem,' ele sussurrou, 'até que seu corpo lembre apenas um nome… apenas um homem que te possui.'
A Alina tentou se manter composta, mas o corpo dela tremia com intensidade. Ela não estava com medo. Ela estava furiosa, despedaçada e profundamente envolvida. Ela odiava o poder do Raja sobre ela, mas também o desejava.
Lágrimas se juntaram nos olhos dela. 'Você ainda vai me punir de novo?'
O sorriso dele era frio. 'Você acha que isso é vingança, Aileen? Não. Isso é conquista.'
E naquela noite, o Raja a pegou de novo e de novo, não com força, mas com controle deliberado. Quebrando lentamente as paredes dela, até que o corpo dela cedeu… e a alma dela seguiu.
Quando o corpo dela finalmente tremeu incontrolavelmente, as lágrimas caindo livremente, ela sussurrou roucamente, 'Chega… por favor…'
Ele parou, os olhos dele presos nos dela. 'Você se rendeu pra mim… completamente?'
Ela não falou. Ela apenas assentiu, a cabeça baixa. Não quebrada, mas caída. Caída demais.
Os dias passaram. Para os outros, a Alina parecia inalterada. Calma. Profissional. No controle. Mas por dentro, uma tempestade rugia. As mãos dela tremiam no escritório. O coração dela disparava com o som da voz do Raja, mesmo pelo interfone.
'O que está acontecendo comigo…' ela sussurrou no reflexo dela no espelho do banheiro. 'Essa não sou eu…'
E ainda, noite após noite, quando o Raja a chamava para os aposentos dele, o corpo dela se movia antes que a mente pudesse argumentar. Sem palavras. Sem resistência. Apenas saudade.
Raja notou. Os olhos dela não estavam mais apenas cheios de medo, mas de vício. Saudade. Confusão.
'Você não consegue ficar longe de mim agora, consegue?' ele perguntou uma noite, o toque dele surpreendentemente suave contra a bochecha dela.
A Alina ficou em silêncio.
'Você me odeia,' ele continuou. 'Mas o seu corpo sempre vem pra mim primeiro.'
Ela fechou os olhos. 'Eu odeio quando você está certo…'
'Então por que você não vai embora?'
Ela olhou pra ele e, pela primeira vez, foi honesta com ele e consigo mesma.
'Porque… quando eu estou com você, é a única vez que eu me sinto viva.'
Raja não falou. Ele a puxou para os braços dele. Não para consolar, mas para reclamar. Mas a paz nunca durava. Uma manhã, a Alina recebeu uma mensagem direta.
'Precisamos de você, Dra. Aileen. Isso não é um pedido. É um chamado nacional.'
Ela não hesitou.
'Eu tenho que ir. O Damien precisa de mim na zona de conflito. É urgente,' ela disse pro Raja.
Ele olhou de cima da mesa, os olhos ilegíveis. Não estava bravo. Mas tenso.
'Então você está indo embora,' ele disse, sem rodeios.
'É meu dever como médica,' ela disse firmemente, sentindo a atmosfera mudar como uma tempestade se formando. 'Eu não posso ignorar isso.'
Ele se levantou, lento e controlado. 'Ou… você está escolhendo se afastar de mim.'
'Não é uma escolha,' ela disse baixinho. 'Mas eu não posso pertencer a alguém que não me deixa cumprir meu propósito.'
O olhar dele escureceu, mas não de raiva. De compreensão relutante. Porque ele sabia… se ele realmente quisesse que ela fosse dele, ele tinha que deixá-la ir.
'Vá então,' ele disse, a voz fria. 'Mas lembre-se disso: o Damien pode ter te conhecido no passado. Mas só eu… te possuo agora.'