Capítulo 90: À Beira da Destruição
Ela cerrou os punhos, as unhas cravando na própria palma.
'Eu vou te matar… não importa o que aconteça. Você vai morrer pelas minhas mãos!'
Ela deu um passo para trás, desaparecendo da multidão da festa. Deixando para trás apenas um ar gélido que, por alguma razão, de repente fez com que Alina tremesse sem saber porquê.
Ela se virou, como se estivesse sentindo algo… mas tudo o que viu foram convidados se despedindo e a risada suave das crianças perto da fonte.
'O que foi?' Leo perguntou, notando a expressão dela.
Alina balançou a cabeça lentamente. 'Não sei. Só sinto… que estamos sendo observados.'
Leo pegou na mão dela, segurando-a com mais força. 'Se alguém tentar te machucar, eu não vou ficar parado.'
Mas até mesmo Leo não sabia que o perigo já estava chegando. A atmosfera ainda estava cheia de risadas leves e conversas calorosas quando de repente
BOOM!!
Uma explosão alta sacudiu o salão da festa em uma das entradas. O som de vidro quebrando, gritos de pânico e metal tilintando se misturaram em caos. Alina instintivamente agarrou o braço de Leo, enquanto ele imediatamente a envolveu em um abraço protetor, protegendo-a dos escombros voadores.
Fumaça espessa começou a preencher a sala. As pessoas corriam em todas as direções.
'O que está acontecendo?!' Lucy perguntou, com os olhos arregalados e a respiração trêmula.
Leo se virou rapidamente, com o olhar aguçado. 'Sem tempo para explicar! Precisamos sair, agora!'
'Mas a saída está bloqueada pelos escombros!' Elandra gritou, apontando para a porta principal agora enterrada sob madeira e concreto em chamas.
Leo rosnou em voz baixa, sua mente correndo. Eles estavam no segundo andar. Muito alto para pular sem ferimentos graves. Mas o tempo estava passando. O cheiro de pólvora ficou mais forte. E aquele tilintar metálico… como um gatilho.
'Pode haver uma segunda bomba,' ele murmurou.
'Leo, temos que ir agora!' Alina gritou, agarrando a mão dele com força.
Leo olhou para a varanda de vidro voltada para o jardim dos fundos. A queda era de cerca de quatro metros. Alto demais para pular com segurança, a menos que…
'A mesa redonda comprida, a do bolo!' ele gritou.
Eles correram em direção à grande mesa deitada de lado. Leo e Elandra a empurraram em direção à varanda, quebrando o vidro com um estrondo alto.
'Lucy, Alina, vocês vão primeiro. Peguem as cordas das cortinas, amarrem nas pernas da mesa. Vai funcionar como um escorregador de emergência,' Leo instruiu rapidamente, suas mãos habilidosamente amarrando o tecido grosso nas bordas da varanda.
'E se não for forte o suficiente?' Lucy perguntou, em pânico.
Leo olhou para ela. 'Não temos escolha.'
Um por um, eles escorregaram. Seus corpos rasparam contra o tecido, pousando com força, mas em segurança no chão. Assim que Leo se preparava para seguir
BOOM!
Uma segunda explosão sacudiu o andar de cima, jogando Leo para trás. Fumaça subiu, e as chamas lamberam o teto de madeira.
'LEO!' Alina gritou de baixo, lágrimas caindo enquanto ela observava os escombros começarem a engolir o homem que ela amava.
Leo se levantou dos escombros, seu corpo coberto de poeira e ferimentos. Ele tentou controlar a respiração, pronto para escapar. Mas então ele congelou quando ouviu o choro fraco de uma criança. Seus olhos se aguçaram. Alguém ainda estava preso.
'Leo! Desça agora!' A voz de Alina ecoou em pânico. Mas Leo não respondeu.
Com passos firmes, ele voltou para a escuridão. Não muito tempo depois, ele emergiu novamente, carregando uma criança pequena e ajudando uma mulher grávida a andar. Sua respiração estava pesada, mas sua determinação não vacilou.
Quando chegaram ao ponto de evacuação, o pânico atingiu o auge. Todos se apressaram em usar a única corda de escape. Gritos, empurrões, choro… puro caos.
Leo foi empurrado para trás. Ele tentou detê-los, gritando por calma. Mas o mar de pessoas estava selvagem, aterrorizado. Alguns escorregaram, caindo. Outros pendiam na beira, presos entre a vida e a morte.
Lucy gritou histericamente quando alguém caiu bem na frente dela. Elandra a abraçou com força, protegendo seus olhos do horror.
Enquanto isso, Leo ainda estava lá dentro. Sua voz alta, sua presença corajosa. Ele acalmou a multidão, guiando-os um por um. Ele se tornou uma âncora na tempestade. Um por um, eles desceram em segurança.
Até que restassem apenas ele e uma velha trêmula no canto. Leo olhou para a corda desfiada, quase rasgada.
Se ele a ajudasse, não haveria tempo para se salvar. Mas sem hesitar, ele levantou seu corpo frágil e a levou para a saída.
'Segure firme. Você vai sair em segurança.'
Alina gritou novamente quando a mulher se preparava para descer. O prédio estremeceu violentamente. Rachaduras se alargaram no teto, e chamas se espalharam pelo chão sob Leo.
'LEO!!' Alina gritou, com a respiração presa quando a corda começou a se desfazer.
Sem hesitar, Leo empurrou a velha para descer. A corda balançou selvaticamente enquanto seu corpo frágil deslizava, recebido por gritos de alívio dos sobreviventes. Mas antes que Leo pudesse seguir, a corda se partiu. Ele cambaleou para trás quando o chão sob seus pés começou a desmoronar.
'LEOOOO!!!' Alina gritou, instintivamente tentando correr de volta para dentro, mas Damien e Elandra a seguraram.
'Não, Alina! O prédio está desabando!' Damien sacudiu seus ombros, com o rosto tenso.
Alina caiu em lágrimas. 'Ele ainda está lá dentro! LEO AINDA ESTÁ LÁ DENTRO!'
Fumaça espessa e explosões menores sacudiram a estrutura novamente. Todos só puderam observar horrorizados enquanto os andares superiores desabavam, engolindo Leo por dentro. Então silêncio. Nenhum som. Nenhum movimento. Apenas fumaça e chamas morrendo.
Alina caiu de joelhos, tremendo. 'Não… Leo… assim não…'
Lucy chorava silenciosamente. 'Ele salvou todo mundo… ele…'
De repente, um som de tosse emergiu dos escombros. Poeira girava. Uma grande prancha de madeira se moveu lentamente. E debaixo dos destroços… Leo apareceu. Cambaleando, coberto de ferimentos e poeira, mas vivo.
Aplausos irromperam. Alina correu, lágrimas imparáveis. Ela jogou os braços em volta de Leo, nunca querendo deixá-lo ir novamente.
Leo deu um sorriso fraco. 'Eu te disse… Eu ia provar o quão sério eu sou, Alina.'
Alina assentiu através de suas lágrimas. 'E você quase morreu fazendo isso…'
Leo a abraçou ainda mais forte. Seu corpo tremia não de medo, mas de quase perder tudo.
'Mas eu não vou morrer…' ele sussurrou em seu ouvido, sua voz rouca, mas firme, 'Não antes de me casar com você.'
As lágrimas de Alina fluíram livremente, mas desta vez de esperança.
Não muito tempo depois do incidente, sirenes soaram à distância. Policiais, jornalistas e médicos chegaram. Holofotes iluminaram as ruínas, agora reduzidas a escombros e ferimentos.
Na multidão, Raka correu em direção a eles, com o rosto ansioso.
'Doutora Alina! Doutor Leo! Vocês estão bem?' ele gritou.
Ele parecia culpado. 'Sinto muito por não poder ir ao casamento de vocês, Doutor Leo. Por favor, não fiquem bravos… Todos os médicos seniores foram à festa de vocês, então eu tive que ficar e cobrir o hospital…'
Leo e Alina não puderam deixar de rir. Em meio aos destroços e exaustão, houve uma pequena pausa para rir. Eles riram da inocência de Raka, completamente alheios ao que acabara de acontecer.
'Ele não se casou,' Alina sussurrou, sua voz trêmula, mas calma.