Capítulo 75: O Plano do Inimigo
Jio tinha acabado de sair do café quando uma voz suave, mas cortante, o cumprimentou de lado.
"Eu te vi sentado com a Dra. Alina mais cedo", disse uma mulher, parada elegantemente sob a sombra de uma árvore. "Mas… por que ela escolheu o Dr. Leo em vez de você?"
A entonação dela era como seda escondendo espinhos. Jio não respondeu, seus olhos fixos à frente. Ele não tinha tempo para esse drama.
Mas seus passos pararam quando a mulher falou novamente, mais perto agora, mais ousada.
"Prazer em conhecê-lo, sou Indry", ela disse, um sorriso sedutor adornando seu belo rosto. Ela estendeu a mão. "Interessado em trabalhar comigo?"
Jio olhou para a mão, depois para os olhos dela. Havia algo por trás do olhar de Indry. Segredos, ambição ou talvez uma armadilha?
"Claro", Jio finalmente disse, oferecendo um sorriso fraco. "Qual é o seu plano?"
Indry retirou a mão lentamente, mas seu sorriso não desapareceu. Ela parou ao lado de Jio, andando em sincronia com ele.
"Sabe, Leo e Alina são como rei e rainha no mundo deles. Mas todo reino tem suas rachaduras", ela sussurrou, sua voz mal ultrapassando uma brisa.
Jio olhou para o lado, sem dizer nada. Ele queria ver até onde aquela mulher iria. Indry parou, encarando-o diretamente.
"Eu quero quebrar esse reino e você pode ser a chave."
Jio estreitou os olhos, o pequeno sorriso retornando.
"E se eu concordar, o que eu ganho com isso?"
Indry tocou os lábios, como se estivesse ponderando. Então ela se inclinou, perto o suficiente para Jio sentir o perfume suave dela.
"Mais do que você pode imaginar", ela sussurrou.
Naquela noite, eles se encontraram novamente. Não no café, mas no lounge de um hotel cinco estrelas. Indry sentou-se elegantemente em um sofá, pernas cruzadas, os dedos brincando com uma taça de vinho.
Jio chegou sem conversa fiada, sentando-se em frente a ela. "Estou aqui. E então?" ele disse secamente.
Indry sorriu, entregando-lhe um envelope fino. "Dentro estão os registros médicos, os relatórios financeiros do hospital e algo que nem Leo sabe que vazou."
Jio abriu o envelope. Seus olhos percorreram rapidamente. Ele soltou um assobio baixo.
"Isso pode destruí-los."
Indry olhou para ele friamente. "Não destruir, mudar. Esse mundo é muito pequeno para duas estrelas no mesmo céu."
Jio colocou os documentos de volta. "E o que eu sou nesse plano?"
"A sombra que diminui a luz deles", respondeu Indry. "E se tudo correr bem, você não terá apenas um nome, terá poder."
Jio recostou-se, olhando para o teto com um sorriso fraco. "Então, por onde começamos?"
Indry se inclinou, sussurrando um nome em seu ouvido. Um nome que não deveria estar envolvido.
"Alina."
Alina olhou pela janela de seu escritório. A chuva começou a cair, embaçando as luzes da cidade. Sua mão segurava uma xícara de chá, agora morna. Em sua mesa, as fichas dos pacientes estavam empilhadas, mas sua mente vagava.
Leo estava chegando em casa tarde com mais frequência. Trabalho, ele disse. Mas Alina era inteligente o suficiente para saber quando alguém estava escondendo algo. Uma batida suave interrompeu seus pensamentos.
"Entre", ela disse, um pouco confusa. Ela não estava esperando ninguém.
A porta abriu. Um homem entrou. Não era da equipe. Não era um paciente.
"Jio?" Alina murmurou, surpresa. "O que você está fazendo aqui?"
Jio ofereceu um sorriso fraco, entregando uma pasta. "Eu tenho algo que você pode querer ver."
"Eu não me lembro de ter marcado uma reunião", disse Alina friamente, levantando-se de sua cadeira.
"Você não marcou. Mas um dos funcionários da recepção ainda acha que sou bom amigo de Leo", ele disse, apontando para o crachá em seu peito. "Aparentemente, isso é suficiente."
Alina pegou a pasta, seu olhar afiado. "Eu não gosto de convidados não convidados."
"Você vai gostar do que está dentro", respondeu Jio, então acenou para a porta. "Veja por si mesma."
Antes que Alina pudesse dizer outra palavra, Jio já tinha ido embora. Seus passos calmos, como se soubesse que não poderia ser tocado.
Alina abriu a pasta, meio irritada. Mas sua expressão mudou assim que seus olhos reconheceram a caligrafia. De Leo.
Anotações médicas e uma carta pessoal. Seus olhos se estreitaram. Sua mente se moveu rápido. Essa não era uma visita casual. Era um aviso. Ou uma ameaça.
Naquela noite, Leo chegou em casa mais cedo do que o normal. Alina estava sentada na sala de estar, como se estivesse esperando por ele. Embora ela não estivesse, não realmente. Ela simplesmente não conseguia parar de pensar na pasta de Jio. Seu olhar era afiado, mas um pequeno sorriso ainda brincava em seus lábios quando viu seus amigos entrarem.
"Cansado?" ela perguntou gentilmente.
Leo sorriu e beijou sua testa. "Como sempre."
"Você não mencionou que Jio passou pelo hospital", disse Alina casualmente, servindo chá para os dois.
Leo fez uma pausa. "Ele estava lá?"
Aileen assentiu, observando sua reação.
"Ele disse que estava de passagem. Mas estranho, não é? Ele chegou até o quinto andar. Normalmente a segurança é mais rigorosa."
Leo riu levemente, embora sua voz tivesse uma leve ponta. "Talvez ele conheça alguém por dentro."
Alina tomou um gole de chá, escondendo seus pensamentos por trás do aroma de jasmim.
"Leo", ela disse suavemente. "Você ainda confia em mim, certo?"
Leo franziu a testa. "Claro."
Alina sorriu. "Bom. Porque a partir de amanhã, vou reabrir meu consultório particular. Fora do horário do hospital."
Leo pareceu surpreso. "Tão de repente? Por quê?"
"Instinto", ela respondeu. "Uma médica deve saber quando agir antes que a doença se espalhe."
Leo não respondeu. Mas Alina sabia que aquela resposta não era apenas para ele. Era para algo apodrecendo entre eles.
A sala luxuosa no andar superior de um hotel. Luzes fracas, uma grande janela com vista para a paisagem da cidade. Indry estava em frente a um espelho, vestindo um vestido de cetim preto, ajustando seus brincos com elegante precisão.
Jio sentou-se casualmente no sofá, assistindo a uma tela de tablet. Nela, as filmagens do circuito interno de TV do hospital estavam sendo exibidas. Um trecho de Alina recebendo a pasta, depois Leo chegando naquela noite. Tudo foi claramente registrado.
"Ela está começando a suspeitar", disse Jio, sem olhar para cima.
Indry se aproximou, pegou o tablet. "Bom. Isso significa que ela ainda está viva. E pessoas que estão vivas lutam."
"E aqueles que lutam", acrescentou Jio, "são mais fáceis de controlar do que aqueles que se rendem."
Indry deu um sorriso fino. "Eu gosto dela. Bonita, inteligente e confiante demais no namorado."
Jio olhou para ela. "Você tem certeza de que Leo não vai notar que você está se movendo pelas costas dele?"
Indry soltou uma risada suave e fria. "Leo só pensa em si mesmo. Ele acredita que está jogando xadrez, mas ele é apenas uma peça."
Ela olhou nos olhos de Jio. "Agora é a sua vez. Aproxime-se de Alina. Ganhe a confiança dela. Ajude-a a investigar Leo."
Jio levantou uma sobrancelha. "Quer que eu seja o herói dela?"
"Não um herói", sussurrou Indry, seus olhos cheios de esquemas. "Um espelho. Um que reflete a podridão que ela não quer ver."
Jio se levantou, pegando seu casaco. "Tudo bem. Mas lembre-se disso, Indry, eu não pertenço a você. Estou neste jogo porque quero ver tudo desmoronar."
Indry sorriu, imperturbável. "E vou garantir que você tenha o melhor lugar da casa quando isso acontecer."