Capítulo 30: O Perigo se Aproxima
Alina assentiu. "Mostre o caminho… e não esperem que a gente volte de mãos vazias."
A névoa veio devagar enquanto Alina e Leo seguiam o velho. O ar ficou mais frio, mordendo os ossos deles. Na distância, o som dos grilos ecoava, misturando com o sussurro do vento carregando o cheiro de terra úmida.
"O xamã vive no fundo da floresta", disse o velho rouco. "As pessoas raramente vão lá… exceto aqueles que trabalham para ele."
Alina estudou o rosto do homem, pegando a sombra do medo em seus olhos.
"Aqueles que trabalham para ele… algum deles volta?" ela perguntou calmamente.
O homem engoliu em seco, hesitando antes de responder, "Alguns voltam com dinheiro. Mas alguns… desaparecem e nunca mais são vistos."
Leo cerrou os punhos. "Então isso não é só uma operação ilegal. Pode ter algo ainda mais perigoso."
O silêncio os envolveu enquanto eles se aventuravam mais na floresta. O luar mal penetrava a densa copa, lançando sombras sinistras ao redor deles. O cheiro úmido de folhas misturado com uma presença sombria engrossando no ar.
Depois de vários minutos de caminhada, o velho parou. Na frente deles, uma trilha estreita foi quase engolida por arbustos crescidos.
"Até aqui eu vou", ele disse, sua voz tremendo. "Se vocês continuarem… terão que enfrentá-lo sozinhos."
Alina e Leo trocaram olhares. Não havia outra escolha.
"Obrigada", Alina disse.
O velho assentiu rapidamente antes de se virar e desaparecer na escuridão.
Leo respirou fundo. "Tá pronto?"
Alina deu um sorriso. "Eu tô sempre pronta."
Eles entraram mais na floresta, a escuridão engrossando, o silêncio mais pesado. Até os grilos ficaram quietos, como se a própria natureza estivesse prendendo a respiração. Então — farfalhar.
Alina congelou. Leo estreitou os olhos, os músculos tensos. Das sombras, um par de olhos vermelhos brilhantes os encarava. O coração de Alina bateu forte. O que era aquilo? De repente, algo saiu dos arbustos!
Leo se moveu rápido, puxando Alina para o lado. O vento passou por eles enquanto a criatura corria. Um momento depois, eles o viram — uma coruja enorme, suas asas se abrindo selvagemente antes de voar para longe.
Alina soltou uma respiração aliviada. "Droga… eu pensei que fosse outra coisa."
Leo permaneceu em silêncio, seus olhos fixos no caminho à frente. Era ali que estava o destino deles. Movendo-se com cautela, eles se aproximaram de uma cabana velha e mal iluminada. Estava longe de qualquer aldeia, mas estranhamente movimentada com pessoas.
Alina e Leo trocaram olhares, entendendo que cada movimento tinha que ser calculado. Eles se aproximaram de uma fenda entre as tábuas de madeira, espiando para dentro. Vários homens em roupas casuais estavam ocupados empilhando grandes caixas.
Nenhum sinal do velho xamã que eles estavam procurando. Mas a resposta às suas suspeitas veio rapidamente.
Um homem estava em pé no canto, falando ao telefone com uma voz baixa e firme.
"A vela se apagou."
Leo se contorceu. Os olhos de Alina se arregalaram. Eles sabiam o que aquele código significava — o velho xamã havia sido executado.
"O porto está nebuloso, mas a brisa do mar ainda está calma."
Alina cerrou os punhos. Isso significava que houve um pequeno revés, mas o carregamento ainda estava prosseguindo. Então, a frase final enviou calafrios pela espinha dela.
"O inverno está chegando mais cedo."
O coração dela disparou. Havia outro alvo de execução. E podia ser ela.
Daquele código, Alina instantaneamente percebeu quem estava por trás daquele caos. Seu estômago caiu quando ela concluiu que o velho xamã era apenas um peão — um que havia falhado. Falha significava morte.
E Marco o havia executado sozinho. Ao lado dela, Leo permaneceu em silêncio. Mas seus olhos revelaram que ele também havia percebido algo.
Alina olhou para ele, tentando sondar, "Você sabe de alguma coisa, não sabe?"
Leo respirou lentamente. "Eu sei quem é o chefe deles."
Alina franziu a testa. "Como você sabe?"
Leo se virou para ela, seu olhar afiado, mas cheio de uma emoção ilegível. "Uma garota do meu passado me contou."
Alina ficou surpresa. "Como assim?"
"Aquele código…" Leo continuou. "Ela uma vez me ensinou. Um código comumente usado em negócios da máfia."
Alina se enrijeceu. Ela realmente havia ensinado a Leo alguns códigos básicos antes… mas por que ele ainda se lembrava deles?
Como se estivesse sentindo sua confusão, Leo de repente perguntou: "A propósito, você se lembra da garota sobre a qual eu te falei uma vez?"
Alina o observou com cautela. "Uma garota?"
Leo sorriu. "Sim. A garota que está sempre na minha mente. Aquela que ainda está no meu coração."
O coração de Alina bateu forte. Seu rosto ficou quente apesar do ar frio da noite.
Leo… ele tinha permanecido fiel a ela todo esse tempo?
Ela deveria estar feliz. Ela deveria se sentir aliviada. Mas por alguma razão, algo se apertou em seu peito.
"O que há de errado comigo? Eu deveria estar feliz… mas por que me sinto triste?"
Alina mordeu o lábio, tentando entender as emoções estranhas que a invadiam. Ela desviou o olhar, olhando de volta para a cabana. No entanto, sua mente ainda estava obscurecida pelas palavras de Leo.
"A garota que ainda está em seu coração… Era realmente eu?"
Mas antes que ela pudesse pensar nisso por mais tempo, Leo falou novamente.
"Precisamos sair daqui."
Seu tom era sério, cheio de cautela. Alina assentiu, afastando as emoções que a dominavam.
Ambos se afastaram lentamente da cabana, permanecendo nas sombras. Mas antes que pudessem escapar, o rangido de uma porta de madeira os parou em seus rastros.
"Quem está aí?!"
Uma lanterna varreu a direção deles. Alina e Leo trocaram olhares. Eles haviam sido vistos.
"Corre!" Leo sussurrou com aspereza antes de agarrar a mão de Alina e correr em direção à floresta.
Gritos irromperam atrás deles. Passos soaram atrás deles. Então, o som distinto de uma arma sendo engatilhada. Eles não estavam apenas sendo perseguidos. Eles estavam sendo caçados.
BANG!
Um tiro soou. A bala passou zunindo pelo pé de Alina.
Leo a puxou, forçando-a a avançar. "Continua correndo! Não pare!"
Mas apenas alguns metros à frente, Alina tropeçou em uma raiz de árvore, batendo no chão com força.
Leo imediatamente se virou, curvando-se para ajudá-la. "Aileen, você está—"
BANG!
Outro tiro. Leo cambaleou. Os olhos de Alina se arregalaram de horror ao ver sangue escorrendo de seu ombro.
"Leo, você está bem?" ela perguntou em pânico, sua voz tremendo ao ver a manga manchada de sangue dele.
Leo cerrou os dentes, mas assentiu. "Eu estou bem. Temos que continuar nos movendo."
Sem hesitação, Alina o levantou, apoiando seu peso. Mas eles mal deram alguns passos antes que um som arrepiante ecoasse pela noite.
Um uivo. Seguido pelo tilintar de correntes sendo soltas. Eles haviam soltado os cães de caça. A perseguição estava prestes a se tornar ainda mais mortal. Leo, ferido, estava desacelerando. Ele sabia que, nesse ritmo, eles não conseguiriam.
"Aileen, me deixe. Você ainda pode correr mais rápido."
"Cala a boca!" Alina rosnou sem perder o ritmo. "Eu não vou te deixar!"
A batida de patas ficou mais alta. A respiração de Alina falhou. Então, em um piscar de olhos, um cachorro preto enorme avançou para ela, presas à mostra, pronto para rasgar carne.
Reagindo instintivamente, Alina chutou, atingindo o cachorro em cheio na mandíbula. Ele latiu, momentaneamente derrubado — mas não o suficiente. Ele se recuperou rapidamente, rosnando ainda mais ferozmente.
Leo puxou seu braço. "Você não pode lutar contra eles! Precisamos de cobertura!"
Mas Alina não conseguia apenas correr. Se eles não fizessem nada, os cachorros nunca parariam. Mais pares de olhos vermelhos brilhantes emergiram da escuridão. Os assassinos treinados estavam se aproximando.
Alina respirou fundo, firmando-se apesar do perigo. Ela tinha jeito com cachorros. Mas esses… eram diferentes. Eles foram treinados para caçar. E para matar. Leo se contorceu ao lado dela, claramente desaprovando o que ela estava prestes a fazer.
"Aileen, não seja imprudente! Esses não são cães comuns!"