Capítulo 11: O Apagamento Deliberado
Alina deu uma leve empinadinha no canto da boca. "Então, tá pronta pra falar a verdade agora?"
O homem engoliu seco. "Me machuquei numa missão", ele finalmente admitiu. "Mas meu alvo era mais durão do que eu esperava."
Alina fechou os olhos. "Quem te mandou?"
A sala ficou tensa na hora. O homem balançou a cabeça rapidamente. "Não posso dizer."
"Resposta errada." Alina se recostou na cadeira, seu olhar afiado fatiando a mentira dele. "Se você não vai falar, talvez eu tenha que garantir que você não saia vivo deste hospital."
A cara do homem ficou pálida. Suor frio escorria pela têmpora dele.
Antes que ele pudesse responder, a porta bateu com tudo.
O homem de uniforme preto entrou, com a cara neutra. "Relatório: O alvo foi garantido."
Alina virou bruscamente. "Quem garantiu?"
O homem olhou para ela friamente. "Isso não é da sua conta, Doutora."
O paciente na cama congelou. Seus olhos se arregalaram de terror. "Não! Eu posso falar! Posso dar informações—"
Tarde demais. O homem uniformizado puxou uma seringa e injetou no pescoço do paciente antes que alguém pudesse reagir.
Alina pulou da cadeira. "Droga! O que você está fazendo?"
Mas o homem continuou calmo, como se tudo estivesse indo de acordo com o plano. O paciente começou a se contorcer, espuma branca saindo da boca.
Alina correu para pegar equipamentos médicos, mas o homem uniformizado foi mais rápido. Ele apertou um botão no relógio.
De repente, o alarme do hospital disparou.
"FOGO! EVACUAÇÃO IMEDIATA!"
O pânico explodiu. Alina xingou baixinho. 'Isso não é fogo. É uma distração.'
Quando ela se virou, o homem uniformizado tinha sumido. O paciente na cama estava sem vida.
Alina fechou os punhos. Alguém tinha apagado a evidência—de novo. E desta vez, ela não ia ficar parada. Ela se lembrou do outro paciente, o homem de meia-idade que afirmou conhecer Aileen.
Ela correu pelos corredores do hospital, agora cheios de caos. O alarme continuava tocando, funcionários e pacientes correndo para as rotas de evacuação.
"Eles criaram esse caos de propósito", ela murmurou.
Lana apareceu atrás dela, ofegante. "Aileen! Onde você vai?"
"Pro quarto do paciente."
"Você tá louca? Todo mundo tá sendo evacuado!"
Alina olhou para ela. "Esse é o problema. A pessoa que estamos procurando pode escapar nesse caos."
Sem esperar resposta, ela correu escada acima. Mas quando chegou ao quarto do paciente, ela congelou—o quarto estava vazio. Nenhum sinal de luta, nenhum corpo, nem uma gota de sangue. Como se o paciente nunca tivesse estado lá.
"Droga!" Alina bateu com o punho na parede.
Nathan apareceu atrás dela. "Ele sumiu?"
Os olhos de Alina queimavam de frustração. "Não sumiu. Alguém levou ele."
Nathan soltou um suspiro. "Eu te avisei. Você não pode ficar brincando com isso, Aileen."
"Eu não tô brincando", ela respondeu friamente. "Alguém está apagando as evidências, e eu não gosto de perder respostas."
Nathan a estudou. O olhar dele não estava cheio de medo, mas de outra coisa—raiva enterrada.
"Você sabe de alguma coisa, não sabe?" ele perguntou bruscamente.
Alina deu uma empinadinha no canto da boca. "Procure as respostas você mesmo, Doutor."
---
Em outro lugar, em uma sala escura, o homem de uniforme preto falava ao telefone.
"O alvo foi garantido."
Uma voz fria respondeu do outro lado. "Bom. Agora elimine qualquer um que interfira."
"Incluindo a doutora?"
Silêncio. Então a voz respondeu, "Sim. Certifique-se de que Aileen Monroe não dure muito mais tempo."
O homem deu uma empinadinha no canto da boca. "Entendido."
Em sua mão estava uma foto de uma mulher com traços marcantes, seus olhos escondendo incontáveis segredos. Aileen Monroe era o próximo alvo.
---
Fora do quarto vazio do hospital, Alina saiu. O alarme de incêndio ainda estava tocando, transformando o hospital em uma zona de guerra. Mas sua mente estava focada em uma coisa—alguém tinha levado o paciente antes que ela pudesse obter respostas.
Lana agarrou seu braço. "Aileen, a gente tem que ir. Esse lugar não é seguro."
"Eu não vou sair daqui até saber quem está por trás disso." Alina puxou o braço, se soltando. "Alguém está limpando tudo com muita perfeição. Isso não é um ato individual—é uma operação organizada."
Nathan e Lana a puxaram em direção à saída. Eles estavam preocupados com a segurança dela. Alina cedeu, embora soubesse que não havia fogo. Ninguém acreditava nela.
Horas depois, os bombeiros examinaram o local. Sem chamas, sem fumaça. O alarme era falso. Uma ilusão deliberada.
Do lado de fora, o hospital estava em desordem. Pacientes e funcionários dispersos, sussurros enchendo o ar. Depois que os bombeiros saíram, a equipe médica correu para trazer os pacientes de volta para dentro.
Dias depois, Alina recebeu uma notícia chocante. Ela estava sendo transferida para uma missão humanitária em uma zona de conflito.
"Você precisa de um tempo depois desse incidente", disse seu superior.
Alina sabia que era mais do que apenas uma transferência de rotina. Alguém tinha arranjado isso.
Quando ela chegou ao acampamento médico, as condições estavam longe do ideal. Explosões ecoavam na distância, pacientes chegavam com ferimentos horríveis. Alina imediatamente vestiu seu jaleco médico e foi trabalhar.
Em meio ao caos, ela avistou um homem com um avental cirúrgico manchado de sangue no centro da sala. Suas mãos enluvadas estavam firmes, seus olhos afiados calculando.
"O que você está fazendo aqui?" Sua voz era fria, autoritária.
Alina estreitou os olhos, reconhecendo seu rosto. Dr. Leo. O cirurgião lendário conhecido por salvar vidas em circunstâncias impossíveis.
Leo a estudou sem expressão. "E você nunca fez parte dessa equipe para começar. Quem você realmente é?"
Alina avançou, sua voz desafiadora. "Uma médica da cidade transferida para cá."
Leo deu uma leve empinadinha no canto da boca, seu olhar penetrante. "Ah, você já chegou?" ele disse, sua voz mudando. "Comece a trabalhar—eles não podem esperar para terminarmos de conversar."
Alina conhecia Leo melhor do que ninguém. Mas Leo não a conhecia. Não havia tempo para explicar. Do lado de fora, os tiros se aproximavam. O tempo deles estava acabando.
"Trate os outros pacientes rapidamente. Só temos uma hora antes de termos que nos mudar", disse Leo, colocando uma atadura nos ferimentos de um soldado.
Alina e sua equipe trabalharam rapidamente. Ela se forçou a se concentrar, embora seu coração estivesse batendo forte enquanto observava Leo. 'O que está acontecendo comigo?' ela pensou. 'Por que eu sou atraída por ele? Ele era quem estava me perseguindo antes.'
A sensação a perturbava, distraindo-a.
"Doutora, o paciente está sangrando muito", Lana chamou.
Só então Alina voltou a si. Lana tinha sido enviada para lá com ela, designada para fazer companhia. Mas os outros médicos tinham uma missão diferente—eles estavam observando-a, relatando cada movimento dela às autoridades em casa.
Leo a repreendeu bruscamente. "Se você não consegue se concentrar, não brinque com a vida de um paciente!"
Alina se encolheu. "Desculpa. Eu vou arrumar isso."
Ela rapidamente estabilizou o paciente crítico. Momentos depois, a situação estava sob controle.
"Levem os pacientes para a ambulância agora", ela ordenou. "Precisamos ir para um local mais seguro."
Do lado de fora, os veículos esperavam. A equipe médica trabalhou rapidamente, transferindo os pacientes um por um. Restava apenas um transporte. Mas ainda havia vítimas feridas e pessoal médico que ficou para trás.
"Só resta um veículo, Doutora", disse Lana. "O que fazemos?"
Alina olhou para Leo. Ele permaneceu calmo, verificando um paciente. Ela estava prestes a falar, mas Leo foi mais rápido.
"Levem os pacientes primeiro. Aqueles de nós que podem andar encontrarão outra maneira."
A ordem dele foi seguida imediatamente. Agora, restava apenas um assento. Três membros da equipe médica ainda estavam no acampamento. Leo disse para Alina ir, mas ela insistiu que Lana pegasse o último lugar.
"Eu não posso te deixar aqui!" Lana protestou.
"Cuide dos pacientes. Eu vou achar outra maneira", disse Alina com firmeza.
Lana obedeceu relutantemente. Quando a última ambulância partiu, Alina se virou para Leo.
"E agora?" ela perguntou.
Leo não respondeu. Ele caminhou em direção à parte de trás do acampamento, e Alina o seguiu em silêncio.
"Você sabe lidar com uma arma?" ele perguntou de repente.
Alina deu uma empinadinha no canto da boca. De alguma forma, ela sabia que sim. Leo pareceu entender. Ele jogou uma arma para ela, e ela a pegou com firmeza.
"Pegue isso. Só por via das dúvidas."
Leo puxou uma lona, revelando uma motocicleta militar empoeirada.
"Suba", ele disse.
Alina subiu rapidamente, seus braços instintivamente envolvendo a cintura de Leo. O motor rugiu, e eles correram para a noite.
atrás deles, uma explosão sacudiu o chão, iluminando o céu com chamas.
Alina olhou para trás, sua respiração falhou. O acampamento que eles tinham acabado de deixar agora estava queimando.
Alguém não queria que eles saíssem vivos.
Leo acelerou. "Segure firme. Eles estão atrás de nós."
Tiros irromperam atrás deles. Alina engatilhou sua arma.
"Quantos?" ela perguntou.
"Mais do que podemos aguentar", respondeu Leo sem diminuir a velocidade.
Alina respirou fundo. "Então vamos fazer eles se arrependerem de nos perseguir."