Capítulo 120: O Sequestro de Alina
Ve zombou com desprezo frio, indo embora com uma chama de vingança ardendo nos olhos dela.
'Pode rir agora, Alina," ela disse antes de sair, 'mas isto não acabou. Eu voltarei… e da próxima vez, vou destruir vocês duas."
A porta bateu com força, o som ecoando através do silêncio tenso que ficou para trás. Raja soltou um suspiro pesado. Ele agarrou a mão de Alina com força, como se estivesse a tentar convencer-se de que estava tudo bem. Que ele tinha salvado a sua mulher da loucura de Ve. Mas ele não sabia que o verdadeiro perigo tinha acabado de começar.
Momentos depois, Raja saiu para atender uma chamada telefónica misteriosa. A sua expressão tornou-se sombria, os seus passos rápidos e urgentes. Alina ficou dentro, ainda ocupada com o seu trabalho, alheia ao facto de que Raja não voltaria tão cedo. Foi então que eles chegaram.
Três homens de preto invadiram a clínica sem dizer uma palavra. Os seus movimentos eram rápidos e precisos, movidos por intenções obscuras. Um foi direto para o quarto de Alina, enquanto os outros dois imobilizaram os funcionários da clínica lá fora. Mas Alina não era uma donzela indefesa.
Tão cedo quanto eles atacaram, ela reagiu. Derrubou um com um pontapé forte na garganta, depois esmagou uma ferramenta da sua secretária na cabeça de outro. A adrenalina correu pelo seu corpo. Os seus olhos estavam afiados. A sua respiração constante, mas feroz. Ela estava pronta para a guerra.
Então o telemóvel dela tocou. O ecrã acendeu-se com uma palavra: Raja. Ela hesitou, depois atendeu. Os seus olhos arregalaram-se ao ouvir a voz dele em pânico, sem fôlego.
'Aileen… não saia da clínica… há—"
A chamada foi cortada. Um estrondo alto soou ao fundo. E naquele décimo de segundo Alina baixou a guarda. O último atacante consciente esgueirou-se por trás dela e enfiou uma seringa no pescoço dela.
'Ra… ja…" ela sussurrou fracamente, antes de cair no chão. Escuridão.
Raja pisou no acelerador, o carro dele cortando o trânsito como uma bala. O único pensamento dele era Alina. Algo na voz dela o assombrava. Uma sensação terrível subiu pela sua espinha.
Quando chegou à clínica, não esperou que o motor parasse. Ele saltou e congelou. As portas da clínica estavam escancaradas. Dentro, caos.
Enfermeiras inconscientes no chão. Arquivos médicos espalhados. O ar cheirava a produtos químicos, talvez gás, talvez sedativos.
'Aileen…" Raja murmurou, com os olhos a examinar desesperadamente.
Ele entrou a correr. Nenhum sinal dela. O quarto dela estava vazio. O telemóvel dela estava no chão, debaixo da secretária. Sem testemunhas. Sem câmaras de segurança a funcionar. Tudo apagado.
Então o telemóvel dele tocou. Número desconhecido.
Raja atendeu imediatamente. 'Quem é?!
A voz do outro lado era fria, monótona. Um estranho sem emoção.
'Relaxe, Sr. Mahesa… a sua mulher ainda está viva. Por agora."
O punho de Raja fechou-se. 'Se tocar num único fio de cabelo dela—"
Uma risada baixa e divertida. 'Você não está em posição de fazer ameaças. Se quer vê-la novamente, vai jogar o meu jogo. E desta vez… use o seu cérebro, não o seu coração."
Beep!
A linha ficou muda. Raja ficou parado, congelado. Os olhos dele escureceram, as mãos a tremer, mas não de medo. De determinação. Isto não era apenas um sequestro. Isto era pessoal. E, acontecesse o que acontecesse, ele ia trazer Alina de volta.
Raja puxou todas as cordas que tinha. Os seus contactos. Os seus recursos. Até os fantasmas do seu passado. Mas Alina tinha desaparecido como fumo ao vento. Cada minuto que passava era agonia. Mas ele nunca parou de procurar.
Ele sabia, ela ainda estava viva. Longe dali, num lugar escondido, Alina abriu os olhos lentamente. Escuridão. Um pano sobre o rosto dela. O chão debaixo dela estava gelado. Os pulsos dela ardiam, amarrados com força. Ela lutou. As cordas mantiveram-se fortes. A respiração dela manteve-se calma, mas o coração dela batia forte. Então.
Tap! Tap! Tap!
Passos. Saltos altos. Familiar. E então, a voz fria como aço.
'Bem, olhe só quem acordou."
Alina congelou. A visão dela estava bloqueada, mas ela nunca conseguiria confundir aquela voz.
'Ve," ela cuspiu. 'O que você quer?! Solte-me!
Uma gargalhada cruel ecoou. 'Oh, coitadinha… Ainda tão desafiadora mesmo neste estado patético." Ve soava deliciosa. 'Achou mesmo que eu ia deixar você tirar Raja de mim? Você é tão ingénua, Aileen."
Alina cerrou os dentes. 'Você é louca! Se você me machucar, Raja nunca a perdoará!
Ve inclinou-se, a respiração dela arrepiando a bochecha de Alina.
'Raja? Ele nem vai saber onde você está… até eu quebrar você. Parte por parte. Quando eu terminar, vou devolvê-la a ele, mas não como sua amante… como uma ruína que ele não consegue consertar."
A risada dela encheu a sala, espessa de veneno. Mas mesmo com cordas, mesmo na escuridão, Alina agarrou-se a uma coisa: a sua vontade de sobreviver.
Três dias. Três dias no escuro. O corpo dela enfraquecido. Lábios rachados. Estômago contorcido de fome e sede. Mas o espírito dela? Inquebrável. Ela ia aguentar por Raja.
Cada passo fazia o coração dela disparar. Mas ela nunca demonstrou medo. Os olhos dela podiam estar cobertos, o corpo dela restringido, mas a alma dela estava inabalável.
Entretanto, Raja encontrou a sua primeira pista. Os rastos financeiros de Ve. Os seus operacionais. Uma chamada telefónica na sombra rastreada até um nome, Ve.
Ele não hesitou. Ele ligou para ela. 'Ve!" A voz dele era trovoada. 'Isto é entre você e eu! Onde está Alina?!"
A resposta? Uma risada baixa e descontrolada. 'Eu só tenho uma condição," Ve murmurou. 'Deixar você vê-la viva ou morta."
A firmeza de Raja aumentou. 'O que você quer?!"
Ve não piscou. Não hesitou. 'Case-se comigo… e durma comigo na frente de Aileen."
Silêncio. Raja congelou. A respiração dele prendeu-se na garganta. E algures, naquele lugar secreto, Alina ouviu tudo. Os olhos dela arregalaram-se por baixo da venda. O corpo dela tremeu, não de medo, mas de repugnância.
'Você é louca!" Raja rugiu. 'Não consigo acreditar que a minha família tentou me juntar com uma psicopata como você!
Mas Ve só riu. 'Oh, Raja… Eu sou a única que pode realmente fazer você perder tudo. Recuse-me e nunca mais verá Aileen viva."
A ameaça pairava no ar como uma lâmina. E Raja sabia que isto já não era sobre amor. Isto era guerra. Por orgulho. Por honra. E pela mulher que roubou o coração dele.