Capítulo 167: O Inimigo por Trás do Aliado
O comandante da unidade viu com os próprios olhos. Ele achava que a Alina não queria saber do governo nem dos inimigos dele. Eles só estavam cumprindo o trabalho deles como médicos. Mas recusar um pedido oficial do exército nunca era tão simples assim. Aquela noite, o Davin entrou com uma cara séria.
'Rolou um ataque no sistema. Alguém tentou rastrear os dados dos pacientes que acabaram de dar entrada, uns deles estão na lista negra do governo.'
A Alina levantou da mesa. 'De onde veio isso?'
'Da rede interna do governo. Usaram um satélite militar pra fazer isso. Isso não é só um aviso, é um recado.'
No dia seguinte, chegou um pacote anônimo no hospital. Dentro, uma bala e um bilhete.
"Isso aqui não é um hospital. É um esconderijo de criminosos. Se continuarem a proteger eles, vocês vão ser o próximo alvo."
Davin olhou pra Alina. 'Eles não estão de brincadeira.'
A Alina encostou na janela, com a cara tranquila.
'O fato deles estarem falando sério significa que estamos no caminho certo.'
Uns dias depois, a energia acabou de repente. As câmeras de segurança desligaram. Os arquivos dos pacientes quase foram deletados, mas a equipe de TI do hospital, que era de ex-hackers treinados em combate, conseguiu restaurá-los.
'Isso tá subindo de nível,' o Davin falou. 'Eles estão tentando paralisar o hospital. De mansinho. Sem deixar rastros.'
A Alina ficou olhando pra tela do computador, mostrando logs digitais marcados com o símbolo de uma agência de inteligência.
'Eles nos veem como uma ameaça… porque estamos dando esperança pras pessoas que eles querem apagar da história.'
Ex-pacientes que a Alina tinha salvado se ofereceram pra ajudar. Sem esperar recompensa, eles só queriam retribuir a bondade dela quando o mundo tinha virado as costas pra eles.
A Alina recusou. Ela não ia arrastar pessoas inocentes pra guerra dela com o governo. Ela escolheu resolver do jeito dela. À meia-noite, a Alina estava em frente a uma câmera interna, gravando uma mensagem pra todos os funcionários e pacientes.
'Nós não somos um porto seguro. Somos um campo de batalha silencioso. Mas enquanto houver alguém pra gente salvar, vamos ficar de pé. Esse hospital não é uma fortaleza, é uma promessa. E eu não vou me curvar.'
Em outro lugar, uma pequena explosão abalou a sala de armazenamento de energia de emergência. Uma fumaça fina se espalhou pelo corredor dos fundos. O alarme interno não disparou, alguém tinha desativado o sistema de detecção por dentro.
A equipe de segurança respondeu rápido. O Davin liderou eles até o local. Mas tudo que encontraram foi um artefato explosivo improvisado parcialmente detonado. Não explodiu por completo, mas foi forte o suficiente pra danificar alguns sistemas de backup.
'Isso não foi um ataque aleatório,' o Davin falou. 'Quem fez isso sabia as rotas técnicas do hospital. É provável… um infiltrado.'
Na manhã seguinte, a Alina estava na sala de conferências, de frente para os chefes de departamento e a equipe de segurança de elite.
'Eles se infiltraram em nós. Estão tentando nos destruir por dentro. Isso não é mais sobre instalações. É sobre vidas. A partir de hoje, todos os funcionários vão ser investigados. Ninguém está isento do protocolo.'
As equipes médicas de combate concordaram com a cabeça. O clima ficou tenso, profissional.
Naquela tarde, o sistema de energia de backup falhou em ativar. Vários aparelhos da UTI quase pararam de funcionar. Mas, graças ao treinamento de emergência, as enfermeiras reagiram rápido, operando manualmente as ferramentas de suporte à vida pra salvar pacientes em estado crítico. A Alina foi pro campo pessoalmente. Ela viu os cabos cortados limpos, sem queimaduras.
'Essa é a segunda sabotagem. E eles já estão dentro da nossa cerca.'
Aquela noite, através da análise de impressões digitais e dos registros das portas secretas, a equipe de segurança pegou um dos técnicos de sistema do hospital. Ele estava ligado a um grupo secreto dentro do governo.
'Eu só estava seguindo ordens… Esse hospital é perigoso demais pra continuar de pé,' ele disse durante o interrogatório.
A Alina deu um passo à frente. Com o olhar afiado.
'Perigoso pra quem? Criminosos? Ou pra quem está tentando silenciar a verdade que estamos salvando?'
Ele não disse nada. A Alina não se surpreendeu. Ela ordenou um reforço total da segurança do hospital. A vigilância triplicou. Os pontos de entrada e saída foram restritos ao pessoal de alto nível. Os pacientes foram transferidos pro bunker médico subterrâneo.
'Se eles acham que esse hospital pode ser destruído por dentro, eles ainda não me conheceram,' ela disse pro Davin.
Na manhã seguinte, a Alina estava sentada assistindo a uma transmissão ao vivo. Uma cara familiar apareceu. O Ministro foi oficialmente empossado como o novo Presidente.
O sorriso dele era calmo, carismático, mas pra Alina, era a cara de algo muito mais perigoso do que ambição política. Ela ficou olhando pra tela em silêncio, então murmurou.
'Então você finalmente tomou o trono, Sr. Ministro. Hora de eu me mexer.'
Uns dias depois, em um escritório luxuoso, o novo Presidente ficou chocado ao ver quem tinha chegado sem avisar. A Alina. Sem guarda-costas. Só uma pasta e olhos que ardiam de propósito.
'Quanto tempo, Sr. Ministro…'
O Presidente olhou pra ela com cautela.
'Como você entrou aqui?'
'Se eu consigo salvar pessoas da morte, eu consigo invadir o prédio mais fortemente guardado do país.'
Ela colocou a pasta na mesa. Dentro, toda a documentação da sabotagem do governo ligada ao Hospital Raja Mahesa.
'Alguns dos seus do regime antigo ainda estão aprontando no meu hospital. E você sabe exatamente quem são.'
O Presidente ficou em silêncio.
'Você quer que eu demita eles?'
A Alina deu um sorriso discreto. 'Eu quero que eles saiam do sistema. Ou… eu dou alta de todos os soldados de elite que você está mantendo na minha UTI. Instável.'
O Presidente se tensionou.
'Isso é traição.'
'Não. Isso é proteção da verdade.' A Alina olhou fixamente pra ele.
'Eu não jogo política. Eu lido com vidas. Então, não me force a expulsar seu exército, Sr. Presidente.'
Dois dias depois, vários funcionários de alto escalão foram discretamente demitidos. Os nomes da lista da Alina sumiram dos registros. Os ataques ao hospital cessaram por completo. O Davin entrou no escritório da Alina.
'Você pressionou mesmo o Presidente?'
A Alina só ficou olhando pela janela. 'Eu só lembrei ele… que poder sem limites pode desaparecer mais rápido do que a respiração de um paciente em uma mesa de operação.'
Semanas depois, o Presidente estava sozinho em uma sala privada, assistindo às imagens de segurança do Hospital Raja Mahesa. Um homem idoso com uniforme militar estava sentado na frente dele.
'Eu retirei nossos agentes. Eu cumpri o pedido da Aileen.'
Os olhos do velho se estreitaram. 'Você é mole demais. Aquele hospital não é só uma instalação médica. É um centro de poder. E aquela mulher… ela não é só uma cidadã.'
O Presidente exalou lentamente. 'Eu conheço a Aileen. Ela não é uma inimiga. Ela é uma sobrevivente. Mas ela também é um símbolo de desafio. E símbolos… podem queimar sistemas se deixados sem controle.'
Aquela noite, no escritório da Alina, o Davin chegou com um envelope. 'Temos um problema. Recebi informações de que ele está formando uma unidade especial. Composta por soldados que você salvou uma vez. A missão deles, controlar… ou eliminar esse hospital se ele se tornar poderoso demais.'
A Alina se levantou lentamente, segurando a carta. 'Então isso foi só um atraso. Ele nos deu um respiro… antes de trocar balas por algemas.'
No dia seguinte, a Alina enviou uma resposta. O Presidente recebeu um pacote. Dentro: a gravação do interrogatório do técnico capturado nomeando funcionários do antigo regime e mostrando provas de financiamento ilícito por trás da sabotagem.
Junto com isso, um bilhete curto. 'Eu tenho mais do que isso. Se você me vê como uma ameaça, certifique-se de não deixar rastros. Porque eu não temo suas ameaças.'
—A
Em uma reunião secreta, uma voz disse: 'Deixe ela pensar que está segura. Mas preparem um Plano Sombra. Se aquele hospital começar a construir força militar secreta… nós destruímos ele.'
'Você não pode destruir a Aileen tão fácil. Ela é esperta demais pra cair.'
Enquanto isso, no topo do hospital, a Alina olhou pro céu noturno. Ela sussurrou pro Davin: 'O pior inimigo não é aquele que te ataca de frente.
É aquele que está atrás de você… fingindo proteger.'