Capítulo 117: Amolecendo o Coração de Aileen
Na manhã seguinte, como sempre, **Alina** chegou cedo na clínica. Mas algo parecia... diferente.
Tinha uma galera lá fora, bem mais gente do que o normal. Várias enfermeiras e seguranças estavam em fila bonitinha na entrada, tipo esperando a chegada de alguém importante.
Os passos dela vacilaram. Por um segundo, ela pensou que tinha vindo para o lugar errado? Mas a placa em cima do prédio mostrava claramente o nome dela. Essa clínica era dela. Sem erro.
Mesmo assim, a incerteza pegou ela quando entrou. Os dois guardas que estavam na porta já fizeram uma reverência educada. Lá dentro do saguão, uma recepcionista nova, várias enfermeiras e até médicos deram as boas-vindas para ela, tipo super calorosos.
Todas eram mulheres. **Alina** estreitou os olhos. Algo tava estranho. Isso era muito... suspeito.
"É coisa do **Raja**..." ela murmurou baixinho, suspirando fundo. Claro. Aquele cara sempre tinha um jeito bizarro de mostrar que se importava.
Mas a sala de espera já estava lotada. Os pacientes estavam esperando por ela. Mandando a nóia pra longe, ela foi para a sala de consulta dela. Seja o que o **Raja** estivesse planejando, ela não ia deixar ele atrapalhar o trabalho dela. O tempo passou voando. A manhã virou meio-dia. E, tipo, igual ontem.
**Raja** chegou. Confiante e relaxado, ele entrou na clínica como se fosse o dono do lugar. **Alina** estava rabiscando uma receita quando, do nada, puxaram a cadeira dela para trás e tiraram os pés dela do chão.
"**Raja**!" ela engasgou, chocada. Mas os braços dele a agarraram como correntes de ferro.
"É hora do almoço." A voz dele era fria, de boa, como se sequestrar uma médica do próprio consultório fosse a coisa mais normal do mundo.
"Eu ainda tenho pacientes!" ela retrucou. Mas a raiva dela não fez efeito nenhum nele.
Em vez disso, **Raja** fez um sinal sutil para uma das médicas na outra ponta do corredor. A mulher entrou no consultório de **Alina** e assumiu o controle sem dizer nada.
**Alina** virou a cabeça para ele, furiosa. "Você planejou tudo isso?"
Ele deu um sorrisinho. "Você tem estado muito ocupada. Só estou garantindo que você não se esqueça de comer."
Ela bufou baixinho. Discutir com o **Raja** era sempre uma furada. E o pior é que, por baixo da irritação… o coração dela estava batendo mais rápido.
A viagem de carro até o restaurante foi em silêncio. **Alina** ficou olhando para frente, ignorando o cara do lado dela, que dirigia com uma calma de dar nos nervos, completamente de boa com a tempestade que estava rolando no peito dela.
Quando eles chegaram, **Raja** puxou uma cadeira para ela com uma educação irritante, totalmente diferente do 'sequestro' de antes. **Alina** sentou durona, tentando controlar as emoções.
A comida estava maravilhosa. Mas ela não estava com apetite. **Raja** suspirou baixinho e pegou os hashis dele. Então, com aquela mesma gentileza que dava um nervoso, ele levou um pedaço de comida em direção à boca dela.
"Abre a boca. Come."
**Alina** virou o rosto, com o queixo empinado em desafio. Mas, então, **Raja** se aproximou, o hálito dele quente na orelha dela.
"Se você não comer... então eu vou ter que te comer."
Os olhos dela arregalaram. As bochechas dela explodiram em calor. As palavras eram malucas e incrivelmente eficazes. Pegando os hashis da mão dele, ela começou a comer rápido, tentando esconder a expressão atrapalhada. **Raja** se encostou, um sorriso de canto de boca nos lábios.
"Eu gosto quando você é obediente assim", ele murmurou, alto o suficiente para fazer ela corar ainda mais.
Ela ainda estava mastigando quando **Raja** se inclinou de novo, o olhar dele fixo nos lábios dela. Ali, bem no canto, tinha uma manchinha de molho. Antes que ela pudesse perguntar o que ele estava fazendo, o corpo dela congelou.
**Raja** estava muito perto. A respiração dele roçou a bochecha dela. Os olhos dela se fecharam por instinto.
E, então, ele não usou guardanapo. Ele não usou a mão. Ele a beijou. Suave. Rápido. Sem esforço.
Mas mandou ondas de choque por todo o corpo dela. Quando ele se afastou e tomou um gole de café, **Alina** ainda estava parada, os olhos fechados com força.
"Então é verdade", **Raja** sussurrou. "Você não quer que eu vá embora mesmo."
Os olhos dela se abriram de repente, o rosto ardendo de vermelho. "O quê?!" ela quase gritou, dividida entre a fúria e a humilhação. "Você não pode simplesmente—!"
"Mas eu posso. E você não me impediu", ele respondeu suavemente.
Ela mordeu o lábio, tentando controlar a batida frenética do coração. Para **Raja**, no entanto, essa expressão era uma faísca. E então, sem aviso, ele se inclinou de novo, uma mão segurando o rosto dela, e a beijou profundamente. Dominador. Quente. Inebriante.
O corpo de **Alina** ficou tenso. As mãos dela empurraram o peito dele. Mas não adiantou, ele era avassalador. Muito repentino. Demais. Bom demais.
A resistência sumiu dos membros dela. Aquele calor que ela tentou tanto ignorar tomou conta. O coração dela acelerou, não de raiva, mas de entrega.
**Raja** aprofundou o beijo, mas segurou um pouco, como se dissesse: 'Você poderia me parar. Mas não vai."
E ele estava certo. Segundos depois, **Alina** não estava mais lutando contra ele. Ela se derreteu nele. Quando ele finalmente se afastou, o rosto dela estava corado, e ela não conseguia encarar o olhar dele. **Raja** sorriu de canto de boca, a voz baixa e provocadora.
"Eu deveria fazer você morder os lábios mais vezes."
Depois do almoço, **Alina** imaginou que eles voltariam para a clínica. Mas, em vez disso, o carro do **Raja** parou em frente a uma butique de joias de luxo.
"**Raja**, eu preciso voltar. Meus pacientes—" ela começou, olhando para o relógio.
Ele simplesmente sorriu e abriu a porta para ela. "Estão sendo cuidados. Hoje, você está comigo."
Ela suspirou forte, mas antes que pudesse discutir de novo, ele a guiou gentilmente para dentro da butique. No momento em que **Raja** entrou, uma atendente fez uma reverência.
"Sr. **Mahesa**... por favor, espere, vou buscar a nossa dona."
Logo, um homem bem vestido cumprimentou **Raja**, e os dois desapareceram em uma sala privativa, deixando **Alina** sozinha em um sofá opulento que parecia mais sufocante do que macio. Uma vendedora se aproximou com um sorriso frio.
"Você é esperta, chegando perto do Sr. **Mahesa**", ela disse, a voz como mel envenenado. "Mas garotas como você nunca duram. Uma vez que ele enjoa… ele vai te jogar fora."
O olhar de **Alina** se intensificou. As palavras doeram como um tapa, mas ela se manteve calma.
"Eu não preciso de joias. E não preciso da aprovação de alguém como você", ela respondeu friamente, embora seus olhos estivessem queimando em chamas.
A mulher riu. "Você acha que ele vai te escolher? O mundo dele está muito acima do seu."
**Alina** cerrou os punhos. Não porque as palavras machucaram. Mas porque… uma pequena parte dela temia que fossem verdadeiras.