Capítulo 123: O Segredo de Raja
Um mês depois. A vibe no escritório principal do Raja tava tão corrida quanto sempre. Só que uma sala se destacava, com aquela calmaria e exclusividade toda: o consultório médico privativo da Alina.
Agora, a Alina tava com aquele jaleco de médica chique, sentada toda elegante na mesa dela, que dava pra um mini-jardim artificial. Ela tinha fechado a clínica particular dela, temporariamente. O hospital onde ela trampava antes já não tava mais dando conta do salário e das mordomias que ela tava recebendo agora. Mas não eram os agrados que tavam segurando ela ali: era um paciente especial que ela tinha que cuidar todo dia: o Raja.
Ninguém ousava incomodar o escritório dela. Até pra entregar uns documentos, tinha que passar pela assistente dela, uma ordem direta do chefão.
De repente, batem na porta. Sem esperar resposta, o Raja entra, com a jaqueta de trabalho meio aberta, gravata frouxa, a cara um pouco cansada, mas o sorriso ainda mais pegador e doido que nunca.
— É hora do check-up, Doutora?
A Alina olha pro relógio e suspira, dramática. — Dez minutos de atraso. Cê pode levar multa, Sr. Mahesa.
O Raja chega mais perto e senta na cadeira de paciente, zuando. — Se a multa for um beijo seu, eu adoro me atrasar todo dia.
A Alina anota uma parada na ficha dele, dando um sorrisinho. — Se cê aprontar, posso te dar uma injeção de vitamina três vezes por dia.
— Se a senhora for a médica, eu tomo injeção de hora em hora, numa boa.
Eles dão risada baixinho, mas os olhos deles dizem tudo. Mesmo com as feridas ainda latejando, o amor deles tava crescendo numa paz que eles nunca tinham sentido antes.
Aquele quarto virou um lugar seguro, onde o Raja não era mais o mandachuva da empresa, mas só um cara que queria ser amado. E a Alina… não era mais só uma médica qualquer, mas a mulher que tinha conquistado o coração do Raja por completo.
Depois de terminar a consulta de rotina, o Raja voltou pro escritório dele. Enquanto isso, a Alina ficou sozinha na sala de exames. Sem mais nenhum paciente, só o silêncio que preenchia o quarto branco. Mas, de repente, a porta se abriu do nada.
Um cara estranho entra sem pedir. Na cara dele, uma cara de surpresa, ou talvez, surpresa forçada.
— Ah, achei que ainda era meu escritório. Desculpa, parece que entrei na sala errada — ele fala, com um sorriso sedutor, conhecido de um cara que tá acostumado a encantar mulher.
A Alina dá uma olhada rápida, sem expressão, mostrando que não tava nem aí. O cara sai de fininho como se nada tivesse acontecido.
Os passos dele levam ele pro escritório do Raja. — Meu antigo escritório… onde é que ele tá agora? — ele pergunta, com um tom de chateação.
O Raja olha pra ele, numa boa, com um olhar frio. — Foi transferido. Cê agora vai pra uma filial em outra cidade.
— Quê?! Eu tava de licença só por três meses! Como é que cê me rebaixa assim? — ele fala, sem acreditar.
— É decisão da empresa — o Raja responde, na lata.
O cara bate com a mão na mesa do Raja, frustrado. — Eu sou teu amigo, Raja! E cê vai mesmo me punir desse jeito?
O olhar dele vai pra sala de exame da Alina. Um sorriso malandro volta pro rosto dele.
— E a mulher que tava antes… quem é ela? Ela é gata. Sinto que já vi ela antes. Aquela cara—
Antes que ele termine a frase, a cara do Raja fica fria e escura. A mandíbula dele trava, os olhos dele se fecham, firmes.
— Nunca mais chegue perto dela — o Raja fala baixinho, mas as palavras dele são afiadas como uma faca.
Ele sabe que o amigo dele é um pegador de marca maior. E uma coisa era certa, ele não ia deixar esse cara chegar perto da Alina. Agora não. Nunca. O Raja olha pro amigo dele, Adrian, com um aviso sério. A voz dele congela.
— Ela não é da tua conta. Fica longe dela.
O Adrian dá uma risadinha, sem acreditar. — Ah, qual é, sério? Ela é tua namorada?
— Mais que isso — o Raja responde, sem hesitar. — Ela é minha noiva.
O Adrian para por um tempo, daí dá uma risada baixinho, dando um tapinha no ombro do Raja. — Relaxa, tava zuando. Mas, falando sério, teu gosto melhorou. Aquela mulher… ela tem outra aura.
O Raja tira a mão do Adrian do ombro dele, com o olhar afiado. — Se tá zuando ou não, eu não quero você perto dela. E sobre sua transferência, considere uma punição pela sua ausência e estilo de vida desregrado. A empresa não precisa de gente que não consegue cumprir com seus compromissos.
O Adrian debocha e sai da sala com uma cara de raiva. Mas, antes de ir, ele dá uma olhada pra sala médica, de longe, e um sorriso sacana aparece no rosto dele.
Enquanto isso, na sala médica, a Alina tava um pouco desconfiada. O olhar do cara estranho tinha deixado ela esperta. Ela sabia que sempre que entrava gente nova no círculo do Raja, normalmente significava problema. Ela só não sabia ainda… o tamanho da tempestade que ia ser dessa vez.
Na manhã seguinte, a Alina chegou mais cedo que o normal. Os passos dela tavam tranquilos enquanto ela andava pelo corredor do hospital, mas o coração dela endureceu quando ela viu a imagem de um cara parado numa boa na frente do escritório dela.
Com as mãos no bolso e um sorriso de confiança, o cara se virou assim que viu ela chegando.
— Bom dia, doutora gata — o Adrian cumprimenta, com um tom de paquera. — Cê tá mais charmosa a cada dia… principalmente quando te vejo de perto assim — Os olhos dele escaneiam o rosto da Alina sem vergonha, como se tivessem avaliando a obra de arte favorita dele.
A Alina para, no lugar, e joga um olhar afiado pro Adrian. O olhar dela perfura ele como uma adaga. — Cê quer que eu te dê uma injeção de dose letal? — ela fala fria, seca e sem nenhuma firula.
Em vez de se assustar, o Adrian dá uma risadinha baixa, a voz irritante. — Uau, cê é durona. Mas isso só te deixa mais atraente, sabia?
A Alina suspira levemente, tentando segurar a irritação. Tava na cara que esse cara não entendia o significado de “manter distância”. E pelo sorriso dele, que não sai do rosto, ele parecia estar curtindo cada segundo da reação da Alina. Isso complicava tudo. A Alina sabia que isso era só o começo do assédio do Adrian. E de alguma forma, por trás dessa postura irritante… tinha alguma coisa que fazia ele parecer que tava escondendo alguma coisa.
— Sai da frente. Eu preciso trabalhar — a Alina fala fria, com a voz afiada como uma faca.
Mas, em vez de obedecer, o Adrian ri baixinho, olhando pra ela como se a mulher na frente dele fosse só a diversão da manhã dele.
— Trabalhando pra cuidar de um paciente saudável? — ele zomba. — Que tipo de médica cê é?
A Alina solta o ar, de saco cheio, escolhendo ignorar a provocação dele. Ela tenta passar por ele, mas os passos dela param quando o Adrian fala de repente, a voz dele ficando séria.
— Agora que eu tô pensando… já te vi antes.
A Alina se vira, franzindo a testa. — Como assim?
O Adrian olha pra ela com uma cara de surpresa que aos poucos vira um choque total. — Ah… cê é aquela garota!
Naquele instante, a respiração da Alina prende na garganta. — Que garota?
— Cê… a garota do jornal — o Adrian murmura, com os olhos estudando o rosto dela de perto. — Esse tempo todo… o Raja guardava uma matéria sobre você na gaveta dele. Eu li uma vez, por acaso. Nunca imaginei… ele realmente conseguiu ficar com a mulher que ele queria há tanto tempo.
A Alina congela. A mente dela luta pra processar as palavras dele, mas tudo parece confuso. Uma matéria? Uma gaveta? A obsessão dele?
Mas antes que ela pudesse perguntar mais, o som de passos se aproximam. O olhar dela vai pro Adrian, que sai correndo, com um sorriso malandro no rosto. Daí, os olhos dele viram pra Alina.
— O que ele disse? — o Raja pergunta, com a voz tranquila, mas claramente cheio de preocupação.
A Alina fica olhando pro Raja por uns segundos, buscando honestidade nos olhos dele. Mas, no fim, ela escolhe ficar em silêncio.
— Nada — ela responde, na lata. — Ele só falou oi.
Mas no coração dela, uma tempestade começa a surgir. E uma pergunta atrás da outra começa a crescer sobre o passado dele, sobre o Raja… e sobre o verdadeiro sentido da presença dela naquele lugar.