Capítulo 118: O Anel
'Saiba o seu lugar," a empregada sussurrou de novo, desta vez com um sorriso malicioso a enrolar-se nos seus lábios. 'No mês passado, o Sr. Mahesa ficou noivo. A mulher… ela é muito mais refinada do que alguma vez poderias esperar ser."
A respiração de Alina falhou. Os seus olhos arregalaram-se em choque.
'Eles vão casar-se no próximo mês, ouvi dizer. Portanto, é claro que não significas nada para o Sr. Mahesa."
A empregada afastou-se com um passo convencido, satisfeita depois de dar uma bofetada em alguém que não podia revidar.
Alina ficou congelada, com o peito apertado. As palavras da empregada ecoaram na sua cabeça, cortando mais fundo do que ela esperava. Ela nem sequer tinha processado tudo quando ouviu o som familiar dos passos de Raja atrás dela.
Na sua mão, uma caixa de veludo preta. Ele olhou para ela com aquele olhar caloroso - aquele que costumava derreter cada centímetro das suas defesas.
'Fiz um novo anel para ti", disse ele suavemente. 'Porque o antigo… foi perdido."
Alina endireitou-se. Os seus olhos afiaram-se, já não cheios de calor. Um anel perdido?
Raja não era descuidado. Ele nunca perdia nada de importante. E agora, depois do que a empregada tinha dito… tudo começou a fazer sentido. Aquela mulher não tinha mentido.
'Então, outra pessoa usou aquele anel", disse Alina calmamente. A sua voz calma, mas rachada nas extremidades.
Raja hesitou. A luz nos seus olhos diminuiu.
'Eu posso explicar—"
'Não." Alina interrompeu-o. Ela endireitou-se, encontrando o seu olhar. 'Se escolheste outra pessoa, então não te dês ao trabalho de me dar um novo anel."
Ela não esperou por uma resposta. Alina virou-se e afastou-se, passos rápidos transformando-se quase numa corrida. Ela não podia suportar ouvir mais nada. O seu peito doía, a sua mente sobrecarregada com perguntas e feridas ainda não curadas.
Mas Raja não ficou parado. Ele perseguiu-a - não com palavras ou súplicas, mas com ação. Em alguns passos rápidos, ele alcançou-a e envolveu-a nos seus braços sem hesitar.
'Põe-me no chão, Raja!" Alina gritou, a pontapear e a bater no seu ombro.
Mas Raja não vacilou. Calmo mas firme, abriu a porta do carro, colocou-a lá dentro e entrou antes que ela pudesse escapar.
'Sai! Eu disse, sai!" Alina gritou, com os olhos cheios de raiva e traição.
Raja não disse nada. Olhou para ela durante vários segundos, como se estivesse a tentar ler as profundezas do seu coração. Então, sem aviso, puxou-a e beijou-a.
Foi rápido, repentino, alimentado pelo fogo. Uma explosão de emoção que já não podia ser contida. Não apenas paixão, mas medo. O medo de perdê-la. O medo de cometer o mesmo erro duas vezes.
Alina tentou resistir, mas aquele beijo tão cheio de desespero puro rompeu as suas barreiras. Em poucos segundos, ela derreteu. A sua raiva congelou, consumida pela intensidade do seu toque.
Quando Raja finalmente a largou, ambos estavam sem fôlego. O olhar de Alina ainda estava nebuloso, enquanto Raja olhava para ela com a dor que não se preocupou em esconder.
'Eu não te vou deixar ir embora de novo… nem uma segunda vez."
O carro passou pelo crepúsculo, dirigindo-se para algum lugar que Alina não reconhecia. Ela perguntou-lhe mais do que uma vez, mas Raja apenas respondeu com um sorriso misterioso. Até que, finalmente, o carro parou em frente a uma casa grandiosa e elegante na orla da cidade.
Alina olhou, confusa. 'De quem é esta casa, Raja?"
Ele não respondeu. Saiu e ofereceu-lhe a mão. Ela hesitou, mas aceitou. No jardim da frente, uma fila de empregados estava alinhada, curvando-se em respeito. A atmosfera era formal… demasiado formal. Demasiado desconhecida.
No terraço estava um homem mais velho em trajes formais. Ao seu lado, uma jovem - elegante, bonita, digna. Os seus olhos foram diretamente para Alina, examinando-a de cima a baixo.
'Pai", Raja falou firmemente, 'Eu trouxe a minha mulher para casa."
O seu pai ergueu uma sobrancelha, sem dizer nada. Mas a mulher ao seu lado levantou-se imediatamente, com o rosto pálido e tenso.
'Raja", disse ela bruscamente, com a voz a tremer, 'não podes trazer outra mulher para esta casa, especialmente quando nos vamos casar no próximo mês."
Alina virou-se para ele em descrença, com o coração a parar. Raja permaneceu calmo. Mas, pela primeira vez, olhou diretamente para a mulher, a sua noiva, que nunca tinha conhecido pessoalmente.
'Tu não significas nada para mim", disse ele friamente, cada palavra como uma lasca de gelo. 'Então sai agora… ou vou acabar com isto de uma forma que não te vais esquecer."
O silêncio caiu. Os olhos da mulher arregalaram-se em descrença. O pai de Raja ficou quieto, como se esta não fosse uma batalha em que ele devesse interferir.
Alina ficou congelada. Perguntas rodopiavam na sua mente. O seu peito doía. Mas a única coisa que a perturbava mais… era o quão sério Raja estava.
A mulher não falou. O seu corpo rígido com choque, incapaz de compreender o que acabara de acontecer. E antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, Raja abriu a caixa de veludo, tirou o anel e segurou suavemente a mão de Alina. Os seus olhos nunca a deixaram quando colocou o anel no seu dedo.
'És minha agora. E o mundo saberá."
Alina não conseguia mover-se. Ela não sabia o que sentir. Alegria? Confusão? Medo?
A mulher cerrou a mandíbula, com os olhos cheios de lágrimas furiosas. Antes de sair, lançou a Raja um olhar cheio de maldade.
'Vais arrepender-te de me tratar assim, Raja."
Então ela afastou-se, deixando para trás um silêncio ainda mais pesado do que antes. Raja observou-a ir embora por um momento, depois virou-se para o seu pai.
'Pai, por favor, fica com Alina. Eu tenho algo que preciso terminar."
E, assim, ele desapareceu, deixando Alina e o seu pai no terraço silencioso. O homem mais velho olhou para Alina com calma curiosidade.
'Então… voltaste para Raja, afinal?"
Alina baixou o olhar, com os olhos a cair sobre o anel que ainda parecia estranho no seu dedo.
'Uma escolha sábia", continuou o homem. 'Ele é difícil, sim… mas leal. Ele apenas tem dificuldades em mostrar o que está no seu coração."
Alina permaneceu em silêncio. Os seus lábios separaram-se, mas nenhuma palavra saiu. Porque, no fundo, uma parte dela ainda duvidava… e ainda doía. Ela queria acreditar. Mas será que ela realmente poderia dar o seu coração novamente… a um homem como Raja?