Capítulo 100: O Convidado Não Convidado
Alina tinha acabado de chegar em casa, o corpo exausto e a mente em caos. Tudo o que ela queria era um banho quente e um sono longo. Mas no momento em que ela abriu a porta, seu coração começou a bater descontroladamente.
Na sala, um homem estava em pé. Ele era alto, com um rosto calmo, mas olhos selvagens, como se estivesse esperando por ela há muito tempo.
'Aileen, meu amor. Você finalmente chegou em casa', ele disse suavemente, mas com uma intensidade que fez a pele de Alina se arrepiar.
Ela deu um passo para trás. 'Quem é você? Como você entrou na minha casa?'
A casa estava trancada por fora. Ela tinha certeza disso. Mas o homem estava ali sem culpa, como se pertencesse.
Ele deu um sorriso fraco. 'Você não se lembra? Costumávamos nos encontrar em segredo na faculdade. No seu dormitório, você sempre me convidava.'
Alina congelou. Ela não conhecia esse homem. Mas quando ela olhou mais de perto, fragmentos de memórias que não eram dela começaram a surgir, imagens vagas de Aileen e esse homem.
Essa não era a vida dela. Esse era o passado de Aileen.
'Não chegue perto', ela disse firmemente, embora sua voz tremesse.
Mas o homem continuou andando para frente, seu olhar cheio de obsessão. 'Eu ainda tenho algo seu.'
Do bolso, ele tirou uma peça de roupa íntima feminina. Alina olhou horrorizada.
'Eu guardei como lembrança da nossa primeira noite juntos', ele sussurrou com orgulho.
A náusea subiu em sua garganta. Ela sabia que precisava sair. Isso não era apenas uma memória, era uma ameaça real.
Ela tentou revidar. Seus braços e pernas se debatiam, empurrando contra ele. Mas ela não era forte o suficiente. Ele era como uma fera selvagem faminta há anos.
'Aileen, você ainda é a mesma. Quanto mais você resiste, mais eu te quero.'
Ele a agarrou com força. Sua respiração estava quente em seu pescoço, fazendo seu estômago revirar. Alina estremeceu, seu corpo o rejeitando, mas ele não se importou.
'Pare! Eu não sou Aileen!', ela gritou, tentando alcançar qualquer lógica que ele ainda tivesse.
Mas seus olhos estavam nublados com luxúria e a ilusão do passado. Ele não via Alina. Ele só via a jovem Aileen que ele já teve.
Alina tentou falar, atrasar, provocar, qualquer coisa para ganhar tempo e pensar em uma maneira de escapar. Mas quando ele começou a puxar suas roupas, ela soube que tinha ido longe demais.
De repente, o som de uma porta sendo arrombada ecoou por trás.
'Toque nela de novo, e eu te apagarei deste mundo.'
Leo estava na porta, seus olhos ardendo em vermelho, a fúria explodindo como uma tempestade. O homem não se importou. Ele continuou tocando em Alina, mais excitado agora que tinha uma audiência.
Leo não conseguiu se conter mais. Seu corpo disparou para frente como um raio, e um único soco forte atingiu o rosto do homem, jogando-o no chão.
Crash.
Sangue escorria do canto da boca do homem, mas um sorriso malvado ainda pairava em seu rosto. 'Com ciúmes? Sua garota já estava pegando fogo nos meus braços.'
Leo se aproximou com um olhar de assassino. Ele agarrou o homem pela gola e desencadeou uma tempestade de socos. Soco após soco, cheio de ódio e raiva imparáveis.
Alina sentou-se congelada no canto, tremendo, suas roupas rasgadas, seu rosto pálido. Mas seus olhos estavam fixos em Leo, uma mistura de choque, segurança e uma ferida fresca.
'Não olhe', Leo sussurrou enquanto jogava o homem de lado e cobria Alina com sua própria jaqueta. Sua voz era baixa, mas tremia de emoção. 'Eu cheguei tarde demais. Me desculpe.'
Alina não respondeu. Seu corpo estava paralisado, sua alma em turbulência. Mas uma coisa era certa, ela não estava sozinha. E pela primeira vez desde que tudo começou, ela se sentiu segura, mesmo que o mundo ainda estivesse desmoronando.
As sirenes da polícia soavam à distância, e logo depois, vários oficiais invadiram a casa. Seus rostos ficaram tensos ao ver o caos e a figura trêmula de Alina na jaqueta de Leo.
Sem fazer muitas perguntas, eles algemaram o homem deitado no chão, seu rosto machucado e ensanguentado.
Mas antes que o levassem para fora, o homem se virou com um olhar louco nos olhos. Ele olhou diretamente para Alina.
'Eu voltarei, Aileen. Você não pode fugir de mim para sempre', ele sibilou com veneno.
Alina congelou, mas um oficial rapidamente empurrou sua cabeça para baixo e o arrastou para a viatura. Sua voz desapareceu atrás da porta batendo.
O silêncio pairava pesado no ar. Leo ainda estava ao lado dela, seus olhos ainda não calmos.
'Você está segura agora', ele sussurrou.
Mas Alina sabia que isso não tinha acabado. Não apenas por causa do homem, mas porque o nome Aileen continuava assombrando sua vida. Um passado que não era dela estava exigindo acerto de contas, e ela não sabia quão profundas seriam suas feridas.
A noite estava estranhamente quieta. Lá fora, uma chuva leve começou a cair. Dentro do quarto, Alina sentou-se na beira da cama, enrolada em roupas limpas que Leo lhe dera. Mas não era isso que a fazia se sentir uma estranha.
Este corpo não era dela. E esta noite provou isso. Ela era apenas uma convidada na vida de outra pessoa. Leo sentou-se em frente a ela em silêncio, esperando, dando espaço a ela.
Finalmente, a voz de Alina quebrou o silêncio. Suave, mas pesada com dor oculta.
'Leo', ela olhou para baixo. 'Aileen, ela não era apenas qualquer mulher. Seu passado é cheio de sombras que eu nem consigo começar a entender.'
Leo olhou para ela, mas não disse nada. Ele sabia que ela precisava deixar tudo sair.
'Aquele homem, ele era o ex de Aileen. Eles estavam juntos. Dormiram juntos. Ele se lembra de cada detalhe, até mesmo dos nojentos. E eu, eu me sinto imunda. Nojenta. Eu nem sinto que mereço estar neste corpo mais.'
Lágrimas caíram. Sua voz rachou, mas ela conteve os soluços.
'Você ainda quer tocar neste corpo? Me amar através deste corpo? Mesmo sabendo que não é só da Aileen, mas também das manchas do seu passado?'
O silêncio se estendeu entre eles. Alina não ousou olhar nos olhos de Leo, com medo do que poderia ver.
Mas o que ela ouviu, em vez disso, foram passos suaves, e então uma mão quente em seu ombro. Uma voz, calma, profunda, inabalável.
'Eu te amo, Alina. Não por causa deste corpo. Mas por causa de quem você é dentro dele.'
Alina não conseguiu se conter mais. Quando Leo a puxou para um abraço, seu corpo tenso derreteu lentamente. Ela se agarrou a ele com força, como se nunca quisesse soltá-lo.
Aquece, foi isso que ela sentiu. Em meio à dor, medo e crise de identidade, aquele abraço parecia real. E pela primeira vez desde que tudo começou, ela se sentiu ela mesma novamente.
'Eu não pensei que você ainda me seguraria depois de tudo', ela sussurrou.
Leo não disse nada, apenas passou a mão suavemente em seu cabelo.
'Eu até pensei em ir embora. Desaparecer da sua vida. Porque eu pensei que eu não era digna. Você é bom demais para uma mulher com um corpo e um passado como este.'