Capítulo 122: Um Sacrifício
O som das rodas ecoou pelo corredor do hospital. A **Alina** estava inconsciente na cama, com o rosto pálido como gaze. Médicos e enfermeiras a cercavam, enquanto o **Raja** corria atrás deles, com a respiração ofegante, uma mistura de medo e desespero o consumindo.
"ABRAM CAMINHO!" gritou uma das enfermeiras enquanto empurravam a cama em direção à sala de operação de emergência.
Momentos depois, a luz vermelha acima da sala de cirurgia acendeu. O **Raja** ficou do lado de fora, olhando fixamente para a porta. Seus punhos cerrados, seu próprio sangue ainda pingando de seus ferimentos, mas sua mente focada em uma coisa: a **Alina** precisava sobreviver.
Não muito tempo depois, um médico saiu, com o rosto sombrio. "Senhor… a condição da **Aileen** é crítica. Ela perdeu muito sangue, e o hospital não tem o tipo sanguíneo raro dela—"
Antes que o médico pudesse terminar, o **Raja** se levantou abruptamente.
"Eu. Eu tenho o mesmo tipo sanguíneo. Peguem o meu. Peguem o máximo que ela precisar. Não se preocupem comigo!"
O médico pareceu chocado, mas rapidamente deu instruções. "Preparem para transfusão de emergência. Levem-no para a sala de doação, agora!"
O **Raja** foi levado às pressas para outra sala. Seu braço esquerdo foi limpo, a agulha preparada. Enquanto seu sangue começava a fluir para a bolsa de transfusão, ele fechou os olhos, permitindo que seu corpo enfraquecesse por um propósito: manter a mulher que ele amava viva.
Em seu coração, uma oração se repetia: "Fique forte, **Aileen**. Eu não vou deixar você ir."
A transfusão continuou. Cada gota de sangue do **Raja** era um ato de sacrifício. Seu rosto ficou pálido, suor frio escorrendo da testa, sua respiração desacelerou.
"Pare! Chega! Os sinais vitais dele estão caindo!" gritou uma enfermeira, monitorando sua pressão arterial.
Mas o **Raja** abriu os olhos ligeiramente, olhando para o médico com o resto de sua força.
"Peguem tudo se precisarem… só deixem ela viver…"
E então, escuridão. O **Raja** desmaiou instantaneamente. As enfermeiras se esforçaram para estabilizá-lo e o levaram às pressas para a UTI. Enquanto isso, seu sangue foi enviado diretamente para a **Alina**, ainda em cirurgia. Tensão no ar, duas vidas à beira.
Horas se passaram. A operação da **Alina** terminou. Ela passou pela fase crítica. Mas o **Raja**… permaneceu inconsciente. Seu corpo estava fraco por perder muito sangue. Quando a **Alina** finalmente acordou, com um soro na mão, suas primeiras palavras foram:
"**Raja**… onde está o **Raja**?"
A enfermeira não disse nada, lágrimas escorrendo por sua bochecha. "Eu quero vê-lo…" sussurrou a **Alina**, suas próprias lágrimas caindo, uma profunda sensação de desconforto se instalando.
Em uma sala de recuperação silenciosa, o **Raja** estava imóvel. Tubos e monitores estavam conectados ao seu corpo. O monitor cardíaco apitava suavemente, mas fraco. No entanto, dentro de sua mente, o **Raja** não estava realmente dormindo. Ele estava preso em um sonho, assombrado por memórias do passado.
Ele estava em um jardim cheio de lavanda, o lugar favorito da **Alina**. A luz do sol tocava suavemente seu rosto e, à distância, ele viu a figura que conhecia de cor. "**Aileen**…"
Ela estava lá, vestida com o vestido branco que costumava usar. Seu sorriso era suave, mas seus olhos estavam cheios de tristeza. O **Raja** deu um passo à frente, querendo abraçá-la, mas cada passo que dava a fazia se afastar mais.
"Me desculpe…" A voz do **Raja** quebrou. "Eu não consegui te proteger… Eu deixei você se machucar de novo…"
A **Alina** olhou para ele, balançando a cabeça suavemente. "Não é sua culpa…"
O **Raja** caiu de joelhos, seu eu de sonho enfraquecendo. "Se você for embora de novo… eu não sei por quem vou viver."
Então, a **Alina** se aproximou. Ela tocou seu rosto, quente, real, reconfortante.
"Eu ainda estou aqui… Mas você precisa acordar. Não fique aqui, **Raja**…"
De repente, um vento forte soprou. Pétalas de lavanda se espalharam. A luz desapareceu. O **Raja** tentou se agarrar, mas a figura da **Alina** desapareceu lentamente como a névoa da manhã.
"**Aileen**… NÃO VÁ!!"
O **Raja** rangeu os dentes. Seus olhos piscaram. O monitor cardíaco acelerou. Sua mão tremeu. E, em um sussurro, ele disse: "**Aileen**…"
Algumas horas depois que o **Raja** recuperou a consciência, os médicos o transferiram para uma sala de recuperação VVIP, onde a **Alina** também estava sendo tratada. Ambos ainda estavam fracos, mas o destino parecia determinado a reuni-los. Não na dor, mas na cura.
A sala estava silenciosa, apenas o zumbido suave das máquinas médicas presente. Suas camas foram colocadas lado a lado. Uma enfermeira gentilmente puxou a cortina entre eles.
A **Alina** abriu os olhos, virando a cabeça lentamente. E ali estava o **Raja**. Seu rosto pálido se virou ligeiramente, e quando seus olhos se encontraram… o silêncio se quebrou.
"**Raja**…" A voz da **Alina** era suave, mal audível.
O **Raja** tentou sorrir, embora isso tenha dado trabalho. "Você está viva…"
Lágrimas inundaram os olhos da **Alina**. "Seu idiota… por que você quase morreu por mim?"
O **Raja** riu fracamente, depois tossiu. "Porque eu prefiro perder sangue… do que perder você de novo."
As lágrimas da **Alina** caíram livremente. Ela levantou a mão, alcançando-o. O **Raja**, com a força que lhe restava, agarrou sua mão com força. Nenhuma palavra foi necessária. Apenas aquele toque e o ritmo constante de respirações compartilhadas. Seus ferimentos não estavam curados, mas seus corações… estavam começando a sarar.
"Eu prometo…" sussurrou o **Raja**, "de agora em diante, ninguém nunca mais vai te machucar."
A **Alina** deu-lhe um sorriso fraco, embora suas lágrimas continuassem a cair. "Nunca me deixe…"
"Eu estou aqui… Sempre."
Dias se passaram. Embora seus corpos ainda estivessem fracos, a cor voltou às suas bochechas. A luz da manhã entrava pela grande janela de seu quarto VVIP, trazendo calor para o que antes era um lugar frio e escuro.
A porta rangeu ao abrir. Um homem de meia-idade, com um terno elegante, entrou com passos confiantes, embora seus olhos carregassem preocupação: o pai do **Raja**.
Ele parou no meio da sala, olhando para as duas figuras deitadas lado a lado. A mão do **Raja** ainda segurava a da **Alina**.
O **Raja**, ainda meio acordado, olhou para cima. "Pai…"
O homem se aproximou, sentando-se ao lado da cama de seu filho. Seu rosto outrora severo suavizou.
"Chega, filho… Eu não quero ver vocês dois cobertos de sangue de novo por causa do passado", disse ele calmamente, sua voz pesada.
A **Alina** tentou se sentar. O pai do **Raja** rapidamente se moveu para o seu lado. "Você já sofreu o suficiente, **Aileen**. Me desculpe… por ter deixado você ir antes. Acontece que você é a única que pode domar esse meu garoto teimoso."
A **Alina** sorriu fracamente. "Nós só queremos viver em paz, senhor…"
Ele assentiu, seus olhos brilhando, embora contivesse as lágrimas. "E vocês vão. Eu cuidei de tudo. O nome da **Ve** foi apagado de todos os vestígios de poder que sua família tinha. E você… será protegido pelo resto de suas vidas pelas minhas pessoas mais confiáveis."
O **Raja** sorriu fracamente. "Você… nos reconhece? Eu e a **Aileen**?"
"Eu reconheço, filho. Vocês são a família pela qual eu deveria ter lutado."
A **Alina** chorou silenciosamente. Pela primeira vez, ela se sentiu segura. O **Raja** apertou sua mão gentilmente, quente e cheio de promessas.
"Pai…" sussurrou o **Raja**, "obrigado… por não ser tarde demais."
O homem assentiu, depois se levantou. "Agora descansem… seu mundo está prestes a mudar."
Ele saiu, fechando a porta silenciosamente. Dentro, o **Raja** e a **Alina** se olharam, dedos entrelaçados. A dor não havia desaparecido completamente, mas o futuro… finalmente parecia ao alcance.