Capítulo 106: A Luta de Raja por Aileen
No dia seguinte, **Alina** sentiu que a sua vida estava a começar a mudar. Não porque ela tinha esquecido **Leo**, mas porque outra figura tinha começado a esgueirar-se para o seu mundo, lenta, silenciosa, mas certamente.
**Raja** ainda vinha ao hospital. Mas desta vez, não apenas com comida ou presentes. Ele veio com poder. Com influência.
Sem o conhecimento de **Alina**, **Raja** tinha comprado a maioria das ações do Bungalow International Hospital. Ele nunca aparecia nas reuniões. Nunca listava o seu nome em documentos oficiais. Ele era esperto demais para sujar as próprias mãos. Mas, lentamente, a sua influência começou a ser sentida. Quieta, mas batendo exatamente onde importava.
Tudo começou a mudar. Demasiado rápido. Demasiado suave. Os turnos noturnos de **Alina**, que costumavam deixá-la exausta e quase a desmaiar, de repente desapareceram do sistema. Ela nem sequer teve que ficar acordada a noite toda por uma semana inteira.
A equipa médica com quem ela costumava trabalhar? Substituída. Todas mulheres. Nem um único médico homem na sua equipa.
Ainda a tentar entender as mudanças na sua equipa, **Alina** olhou para o ecrã do seu tablet naquele dia, com a testa franzida.
'Sem turnos? Não tenho horário esta semana? Isso é incomum..." ela murmurou baixinho.
Antes que ela pudesse processar, uma nova notificação apareceu. Um artigo interno do hospital. **Dr. Nathan**, um dos cirurgiões seniores, tinha sido transferido para um hospital remoto devido a “desempenho que não atende aos padrões”. No entanto, todos sabiam que **Nathan** era um dos melhores na sua área. Mesmo que a sua atitude arrogante muitas vezes tornasse as coisas difíceis para **Aileen**.
**Alina** sentiu um calafrio estranho subir pelo pescoço. Isto era tudo muito... limpo. E como se isso não bastasse, quando ela voltou para o seu escritório, um caso de emergência chegou. A paciente devia ser da sua responsabilidade. Mas de repente, sem razão clara, o médico sénior reassignou o caso a outra equipa cirúrgica.
Naquele dia, pela primeira vez, **Alina** teve tempo livre. Ela sentou-se calmamente na cafeteria. Sem pressa. Não a morrer de fome porque tinha esquecido de comer. Todos olhavam para ela com inveja.
“Deve ser bom ser a **Doutora Aileen** agora”, comentou uma enfermeira. “Como se o universo estivesse a protegê-la.”
Mas **Alina** sabia, isso não era uma bênção. Este não era o universo. Isso não era sorte. Isso era controlo. E ela começou a suspeitar, só havia uma pessoa no mundo poderosa o suficiente para orquestrar tudo em silêncio. **Raja**.
“Você preparou tudo isto?” ela perguntou quando encontrou **Raja** no telhado do hospital, olhando para ele com olhos desconfiados.
**Raja** deu um leve sorriso. “Eu odeio te ver exausta. Quero que o mundo seja mais gentil consigo, **Aileen**.”
“Mas ao controlá-lo?”
“Você não pode mudar o mundo... a menos que o possua”, respondeu **Raja**, aproximando-se, com a voz suave, mas penetrante.
**Alina** engoliu em seco. Algo sobre este homem... estava a começar a parecer ameaçador.
A poucos dias, **Alina** recebeu uma carta de oferta de emprego do hospital dos seus sonhos no exterior. Mas a carta foi misteriosamente retirada. Sem explicação. Sem razão.
E naquela noite, **Raja** veio vê-la. Com uma única flor e um sorriso que nunca poderia ser realmente decifrado.
“Eu só quero que você fique aqui, comigo. Isso é tão errado?”
Os olhos dele eram profundos, gentis, mas também carregavam algo que **Alina** não conseguia explicar. Obsessão. Poder. E amor tão intenso que tinha mudado de forma.
**Alina** começou a perceber, **Raja** não estava apenas a persegui-la. Ele estava a enjaulá-la lentamente, com paredes feitas de falsos cuidados e proteção. E por trás de tudo, havia dor, havia raiva, e havia algo muito sombrio que ainda não tinha sido totalmente revelado.
“Então é assim que você conquista meu coração?” A voz de **Alina** tremia, seus olhos fixos em **Raja**.
“Com poder. Ao controlar a minha vida como se eu fosse apenas um peão no seu jogo.”
**Raja** não respondeu. O seu olhar permaneceu calmo, mas havia uma leve inquietação que ele não conseguia esconder.
**Alina** aproximou-se, a respiração pesada de emoção contida. “Se você é realmente um homem de verdade, lute por mim com o seu próprio esforço. Não removendo todas as pedras no meu caminho. Porque sabe de uma coisa? Mesmo que você limpasse o mundo inteiro de perigo, isso não me salvaria.”
Ela fez uma pausa, a sua voz agora mais suave, mas muito mais cortante. “Eu ainda vou me machucar. Seja por outra pessoa... ou por você.”
As palavras ficaram no ar. Deixando para trás um silêncio mais agudo do que a raiva. E pela primeira vez, **Raja** pareceu derrotado. Não pelo sistema, nem por um inimigo, mas por uma única mulher que ele não podia controlar, embora ele tivesse dominado todo o resto.
**Raja** olhou para **Alina** por muito tempo, como se estivesse a gravar cada palavra dos seus lábios na sua memória. Mas então o seu olhar mudou. Frio. Controlado. E perigoso.
Ele caminhou em direção a ela lentamente. Sem pressa, mas com um peso em cada passo. Como se o mundo tivesse parado de se mover.
“Se você vai se machucar, **Aileen**”, sussurrou ele baixinho, “quero ser o único motivo.”
**Alina** prendeu a respiração. A presença de **Raja** era diferente agora. Não era mais o homem gentil que trazia comida para o hospital. Este era alguém que... podia destruir qualquer coisa por um desejo.
“Você quer que eu lute com o meu próprio esforço? Tudo bem”, disse ele suavemente, o seu rosto quase inexpressivo. “Mas eu vou eliminar qualquer pessoa que se interponha entre nós. Não para fazer você se apaixonar por mim, **Alina**. Mas para que não haja nenhum caminho para você... fugir.”
**Alina** recuou. Mas **Raja** aproximou-se. Prendendo-a num espaço demasiado apertado para respirar livremente.
“Eu já te dei uma escolha”, sussurrou ele. “Mas agora? Você é minha. E eu não lido bem com perdas.”
Daquele dia em diante, tudo mudou. Não apenas o seu horário ou a sua equipa. Mas a sua vida. Cada passo parecia observado. Cada decisão questionada. O seu telemóvel por vezes perdia o sinal em locais críticos. Convites para seminários no exterior nunca chegaram às suas mãos. E quando ela tentou entrar em contato com o **Dr. Nathan**, o número dele não estava mais ativo.
Por trás do sorriso de **Raja** escondia-se uma armadilha a apertar-se em volta do pescoço de **Alina**. E a parte mais dolorosa — o seu coração estava a começar a hesitar. Porque, embora ela soubesse que **Raja** era perigoso, uma pequena parte dela tinha começado a se acostumar com aquela atenção sufocante. E tudo ficou mais claro quando ela recebeu uma chamada de **Raja**.
“Amanhã de manhã, haverá um convite na sua porta. Uma festa. Venha com um vestido preto. E eu vou mostrar a você que tipo de mundo será o seu se você escolher se render a mim.”
Clique
A chamada terminou. **Alina** sabia que esta não era uma festa qualquer. Este seria o início do mundo sombrio a tentar atraí-la. Um convite e uma caixa de presente contendo um vestido já tinham chegado à sua porta.
Aquele vestido preto era como uma escuridão de veludo que se agarrava perfeitamente ao corpo de **Alina**. Moldando as suas curvas implacavelmente, revelando a mulher que ela tinha enterrado atrás do seu jaleco branco de médica o tempo todo.
Quando ela chegou ao luxuoso salão de baile de **Raja**, todos os olhos se voltaram para ela. E no final da sala, **Raja** estava em um smoking preto, como um diabo pronto para receber a sua alma.
“Bem-vinda... minha futura rainha.”