Capítulo 55: Sacrifício
Os socorristas trocaram olhares. A ravina era escura, funda e cheia de perigo. Ninguém podia garantir que voltariam em segurança se descessem de novo.
**Capitã Joy** respirou fundo, com o rosto tenso. "Beleza", ele finalmente falou. "Preparem a equipe. Vamos descer de novo."
**Alina** agarrou o peito, respirando com dificuldade. Ela não sabia quem estava preso lá embaixo, mas uma coisa era certa, ela não ia deixar ninguém para trás.
Eles desceram mais uma vez, seguindo a profundidade da ravina onde **Alina** tinha sido encontrada antes. Mas quando voltaram para a superfície, algo parecia errado.
"Relatório, Capitão! Não tem ninguém na ravina."
Os olhos de **Alina** se arregalaram. "Não... Isso é impossível!" Sua voz tremeu. "Eu vi eles... Eu segurei a mão deles!"
**Joy** se virou para a equipe, procurando respostas. Mas eles apenas balançaram a cabeça. Não havia sinal de ninguém lá.
"**Aileen**, não tem ninguém na ravina", **Joy** disse suavemente. "Vamos voltar. A tempestade está chegando."
"Mas..." **Alina** mordeu o lábio, com o coração batendo forte. "Algum de vocês viu algo... algo estranho lá embaixo?"
Silêncio. Os socorristas trocaram olhares de novo. E mais uma vez, eles balançaram a cabeça.
**Joy** franziu a testa. "**Aileen**, você está bem?"
**Alina** olhou para eles um por um. Não. Isso não fazia sentido. Ela sabia o que tinha sentido. "Aquela mão... aquela voz... Era real!"
Mas se realmente não havia ninguém lá, então quem ela tinha segurado no escuro?
Dentro do helicóptero, o rugido das hélices criava um ritmo monótono que deveria ser reconfortante. Mas para **Alina**, o som não conseguia aliviar o desconforto em seu peito.
Um cobertor grosso a envolveu, mas o frio que rastejava era mais do que apenas físico. Era um medo que tinha se enterrado bem fundo nela.
"Ela está tendo alucinações devido à exposição extrema ao frio", um dos membros da equipe médica disse aos colegas. "É natural que a mente aja de forma estranha. Felizmente, **Dr. Aileen** foi resgatada a tempo. Se não, essas alucinações poderiam ter sido fatais."
**Alina** permaneceu em silêncio. Alucinações? Então tudo que ela tinha experimentado… não era real?
Isso não podia ser. Ela podia jurar que tinha sentido aquela mão quente, tremendo, real. Ela tinha ouvido uma voz, tão clara, implorando por ajuda. Como tudo poderia ser apenas uma ilusão?
**Capitã Joy**, que a observava de perto, finalmente se aproximou.
"Descanse um pouco", ele disse com uma voz calma. "Você passou por algo intenso lá embaixo."
**Alina** se virou para ele, ainda com confusão nos olhos. "Capitão… se foi só uma alucinação, por que pareceu tão real?"
**Joy** ficou em silêncio por um momento, depois soltou um longo suspiro. "Frio extremo pode pregar peças na mente. Você tem sorte de ter sido salva a tempo."
**Alina** mordeu o lábio. Ela queria acreditar, aceitar aquela explicação. Mas no canto do seu coração, algo continuava sussurrando. Uma sensação estranha que ela não conseguia ignorar.
O helicóptero continuou, deixando para trás a ravina agora envolta em névoa espessa. Mas muito abaixo, nas sombras de gelo e escuridão, algo se agitava no silêncio. E fracamente, um sussurro ecoou.
"Ajuda..."
**Alina** e a equipe médica tinham voltado para o hospital. A jornada delas tinha sido longa e exaustiva. Ela nem teve tempo de descansar antes de voltar para a sala de emergência. Ela estava revisando o relatório médico de um paciente quando um homem se aproximou.
"Eu não achei que você fosse sobreviver àquela cova congelada", ele zombou. "Mas que pena, sua amiga enfermeira não teve tanta sorte quanto você."
**Alina** congelou. Seus dedos, que estavam folheando o relatório médico, agora se apertaram em sua caneta, quase esmagando-a. Seu olhar se fixou no homem à sua frente.
"O que você está dizendo, doutor?" Sua voz estava calma, mas com raiva mal contida.
**Richard** sorriu, com os olhos brilhando de satisfação. "Você estava muito ocupada lutando pela sua vida naquela ravina… que esqueceu que sua amiga aqui estava lutando pela dela."
O sangue de **Alina** esfriou. "**Lana**!"
Ela tinha acabado de voltar de uma missão perigosa. Ela nem tinha verificado o estado de **Lana** depois da sua última cirurgia. E agora, **Richard** estava dando notícias que pareciam uma adaga em seu peito.
"O que você quer dizer?" A voz de **Alina** era quase um sussurro, tremendo.
**Richard** cruzou os braços, como se estivesse saboreando sua reação. "Você realmente achou que todo mundo é tão sortudo quanto você, **Aileen**? Sobrevivendo a um abismo de gelo mortal… Mas **Lana**? Ela não teve tanta sorte."
O coração de **Alina** afundou. O frio que ela tinha sentido na ravina retornou, rastejando por suas veias.
"Não…" O sussurro escapou de seus lábios, mal audível.
Seu coração batia violentamente, o medo caindo sobre ela como uma onda gigante. Ela não se importava mais com **Richard**. Sem pensar, ela correu para a unidade de terapia intensiva.
"**Lana**… espere por mim!"
Mas quando ela abriu a porta, seu mundo desmoronou. Diante dela, **Raka** estava cobrindo o rosto de **Lana** com um lençol branco. **Evan** soluçava ao lado da cama, com os ombros tremendo incontrolavelmente. As enfermeiras ficaram em silêncio, com os rostos pesados de tristeza.
"Não. Isso não é possível!"
Suas mãos tremiam, seu corpo de repente fraco. Sua respiração falhava, seu peito apertando.
"**Lana**… realmente se foi?"
**Raka** deu um passo à frente, colocando a mão em seu ombro como se oferecesse conforto. Mas **Alina** o empurrou. Seu peito subia e descia, sua respiração irregular.
"**Dr. Raka**, o que aconteceu?! Explique para mim! Por que a **Lana** está assim?!" Sua voz vacilou, quase histérica.
**Raka** hesitou por um momento, olhando para ela com profunda tristeza.
Ele respirou fundo, depois abaixou a cabeça. "Doutora, por favor, se acalme... A enfermeira **Lana** faleceu. Deixe-a ir."
Mas aquelas palavras só a atingiram com mais força. Deixar ir? Como ela poderia?
**Alina** balançou a cabeça furiosamente, lágrimas embaçando sua visão. Ela não podia aceitar isso. Agora não. Não assim. Mas não havia nada que ela pudesse fazer. **Lana** se foi.
**Evan** estava ao lado da cama, com o rosto corado, seus olhos ardendo com uma mistura de dor e raiva. Ele olhou para **Alina** como se estivesse culpando o mundo inteiro, especialmente ela.
"Tudo isso é culpa sua, **Aileen**!" Sua voz tremia de emoção. "Se você estivesse aqui… se você não tivesse saído para salvar outra pessoa, **Lana** ainda estaria viva!"
**Alina** congelou. A acusação perfurou mais fundo do que qualquer bisturi que ela já tinha usado. Naquele dia, ela tinha ido salvar alguém. Mas, ao mesmo tempo, **Lana** tinha estado lutando sozinha.
Nenhum dos outros médicos se atreveu a tratar o paciente de **Aileen**. Todos eles temiam as ameaças do diretor do hospital. Até **Raka** tinha sido pego em um trabalho sem fim, sua agenda de cirurgias acumulando, tornando-o descuidado, fazendo-o esquecer sua promessa de cuidar de **Lana**. E quando ele voltou, era tarde demais. **Lana** não pôde ser salva.
No escritório do diretor, com pouca luz, **Richard** ficou de pé diante da grande mesa. O tique-taque do relógio ecoava fracamente no silêncio.
"**Aileen** voltou da missão de resgate", ele relatou em um tom monótono. "Mas a enfermeira… está morta."