Capítulo 51: Sopro na Borda do Gelo
“Não! Ele não podia desistir agora.”
Atrás da formação rochosa gigante, Alina tremia, apesar de estar protegida do vento forte. Seus olhos permaneciam fixos no alpinista pálido deitado à sua frente. Seus lábios tinham ficado num tom ainda mais escuro de azul. Sua respiração era superficial, seu pulso enfraquecendo.
“Vamos, aguenta firme,” Alina sussurrou, apertando a mão da vítima, tentando transferir um pouco de calor. “Nós te encontramos — agora é sua vez de lutar.”
Ao seu lado, um colega de equipe tirou um pacote de calor instantâneo do kit médico. Rapidamente, eles o colocaram em volta do peito e do pescoço da vítima — as áreas vitais que precisavam se manter quentes.
“Droga, ele está entrando em inconsciência,” disse seu colega de equipe, com a voz tensa.
Alina engoliu em seco. Se a temperatura corporal dele caísse muito, o coração dele poderia parar a qualquer momento.
“Precisamos mantê-lo acordado.”
Ela bateu levemente na bochecha do homem, tentando acordá-lo. “Ei! Fique comigo. Diga alguma coisa — qual é o seu nome?”
As pálpebras do alpinista piscaram, e uma voz mal audível escapou de seus lábios.
“Fre... Fredy...”
Alina permitiu um pequeno sorriso, apesar da situação terrível.
“Bom, Fred. Continue falando comigo.”
De repente, o rádio do líder da equipe explodiu.
“Equipe de resgate! Relatório de situação?”
‘Capitã Joy!’ ela pensou.
O líder da equipe pegou o rádio. “Encontramos a vítima, mas ele está em estado crítico. Hipotermia severa. Ele precisa de evacuação imediata!”
“Eu ouvi. Estamos tentando encontrar um ponto de entrada seguro, mas a tempestade ainda está muito forte. Preciso de mais tempo.”
“Capitã, ele pode não ter mais tempo!” A voz de Alina subiu, a frustração fervendo.
Silêncio. Apenas a tempestade uivante preencheu o espaço entre eles. Finalmente, a voz de Joy retornou.
“Escute, Alina. Eu chego o mais rápido que puder. Mas você precisa aguentar. Eu confio em você.”
Alina fechou os olhos, reprimindo sua frustração. Não havia outra escolha.
Ela respirou fundo e se virou para sua equipe. “Precisamos mantê-lo vivo. Não importa o que aconteça.”
Sem hesitar, eles retomaram seus esforços. Alina manteve um olhar atento em Fredy, garantindo que ele ficasse aquecido, enquanto os outros permaneciam alertas para quaisquer sinais de uma avalanche.
Acima deles, um helicóptero circulava, procurando uma abertura na tempestade. O piloto franziu a testa para o monitor meteorológico.
“Agora ou nunca,” ele murmurou.
Capitã Joy agarrou a maçaneta da porta. “Abaixem a maca de emergência.”
Desafiando os ventos fortes, o helicóptero desceu o máximo que pôde. O tempo estava acabando.
No chão, Alina olhou para cima. O farol do helicóptero perfurou a escuridão, acendendo uma faísca de esperança em seu peito. Eles estavam saindo daqui. Eles sobreviveriam.
A vítima foi içada primeiro, seguida pela equipe médica. Alguns socorristas começaram a subir a corda, mas então—
Boom!
Um estrondo ensurdecedor sacudiu o céu. O chão tremeu. Avalanche!
“CORRAM!!!”
O coração de Alina disparou. Ela e dois colegas de equipe ainda estavam no chão. Acima, eles viram a enorme parede de neve correndo em sua direção a uma velocidade aterrorizante.
A voz da Capitã Joy veio pelo rádio, aguda e urgente. “Movam-se para uma zona segura! Dirijam-se para—"
Estática. O sinal foi cortado.
A última coisa que ouviram foi sua transmissão interrompida: “Levem a vítima para o hospital... vamos tentar—"
Então silêncio. Sem tempo para pensar. Sem tempo para entrar em pânico. A avalanche estava se aproximando, pronta para engoli-los inteiros.
Alina respirou fundo. Eles tinham que correr. Agora. A neve caía em cascata com força esmagadora, sacudindo o chão sob eles. O frio mordia sua pele, mas o medo a impulsionava para a frente.
“Continuem correndo! Não parem!” gritou um de seus colegas de equipe.
Os três correram pela neve profunda, desesperadamente procurando abrigo. Os pulmões de Alina queimavam enquanto ela se esforçava para acompanhar.
Acima, o helicóptero pairava. Capitã Joy cerrou a mandíbula, pressionando o botão do rádio.
“Aileen! Responda! Onde você está?!”
Só estática.
“Droga!”
Através da janela da cabine, ele avistou três figuras correndo por suas vidas. Mas a nevasca estava muito espessa, tornando mais difícil de ver.
“Senhor, não podemos ficar muito mais tempo! A tempestade pode nos derrubar!” avisou o piloto.
Os punhos de Joy se fecharam. Ele não queria deixá-los. Mas levar a vítima para o hospital era a prioridade.
Com o coração pesado, ele deu a ordem. “Decolar. Levem a vítima para um local seguro.”
Mas seus olhos permaneceram fixos nas figuras abaixo. Vocês precisam sobreviver. Eu voltarei para vocês. No chão, as pernas de Alina ficaram mais pesadas. A avalanche estava muito perto.
“Ali!” apontou um de seus colegas de equipe. “Entre aquelas rochas — podemos nos proteger!”
Sem hesitar, eles correram em direção à estreita fenda entre duas pedras enormes. Sua última esperança. Mas o destino tinha outros planos.
Ainda na entrada, o chão sob Alina cedeu. Ela engasgou. A neve desabou, engolindo-a por inteiro.
Thud!
Ela mergulhou no abismo gelado.
“AILEEN!!!”
Os gritos desesperados de seus colegas de equipe ecoaram pela tempestade. Mas tudo se transformou em escuridão.
Lá em cima, a Capitã Joy sentiu uma pontada repentina em seu peito. Como se algo terrível tivesse acabado de acontecer. E por alguma razão, um nome se repetia em sua mente.
“Aileen!”
Quando a tempestade finalmente se acalmou, dois socorristas estavam na beira da fenda, sem fôlego. Seus olhos vasculharam a extensão branca sem fim.
“Aileen!” gritou um deles, com a voz embargada no ar congelante.
Sem resposta. A neve era muito espessa. A entrada da fenda escondida sob camadas de gelo. Não havia como vê-la. Não havia como alcançá-la.
Enquanto isso, muito abaixo — Alina engasgou, seus olhos abrindo lentamente. A dor cortou seu corpo.
“Eu caí...?”
A escuridão a cercava. O ar estava tão frio que cada respiração se transformava em uma névoa frágil antes de desaparecer. As paredes de gelo imponentes brilhavam fracamente sob a luz fraca que filtrava pelas rachaduras acima.
O chão sob ela era traiçoeiro — gelo sólido em alguns lugares, neve compactada em outros. Pequenas poças de água gotejavam de estalactites congeladas, formando finas camadas de gelo sobre o chão rochoso.
O ar estava pesado, comprimindo seus pulmões. Quanto mais tempo ela ficasse aqui, mais fundo o frio penetrava em seus ossos, drenando seu calor.
O silêncio reinava, interrompido apenas pelo estalar ocasional do gelo em movimento. Uma lembrança de que este lugar estava longe de ser estável. Que o perigo espreitava em cada sombra.
Se ela não encontrasse uma saída em breve… este lugar poderia se tornar sua tumba.
O pânico a dominou. “Não! Eu tenho que sair daqui!”