Capítulo 159: Uma Teia de Mentiras
Escritório do Ministro da Saúde, de manhã. O Ministro tava sentado em silêncio, com o jornal da manhã tremendo um pouco na mão. A manchete gritava.
'Diretor do Hospital Internacional Bungalow Sob Fogo, Investigação de Má Conduta Reaberta.'
Ele não tava surpreso. Mas a decepção nos olhos dele era profunda. A mão dele foi em direção ao telefone na mesa, pronto pra ligar pra alguém responsável por essa bagunça, quando a tela de repente acendeu.
O Ministro suspirou, e então pegou o telefone. 'Alô, Raja—'
Mas a voz do outro lado cortou ele friamente, seca e cheia de pressão. 'Ministro, pelo bem da nossa cooperação passada e futura, você precisa tomar medidas decisivas contra sua filha.'
O Ministro se endireitou. 'Raja, eu sei que Mella foi longe demais, mas—'
'Não é longe demais. É sabotagem. Se esse hospital acabar no vermelho por causa desse circo midiático, eu vou garantir que sua filha seja colocada na lista negra de todos os hospitais, não só do Bungalow, mas do mundo todo.'
Silêncio.
'E se eu me retirar, você sabe o que isso significa. Os investidores, os patrocinadores, as redes internacionais, todos vão sair fora. Você vai ficar sozinho no seu ministério, sem apoio. Você entende o que eu tô dizendo, não entende?'
O Ministro fechou os olhos. Raja não tava blefando e nesse mundo, poder nem sempre vinha com títulos oficiais.
'…Eu entendo', ele disse pesado. 'Eu vou cuidar disso. Imediatamente.'
'Bom. Proteja seu orgulho antes de perder tudo.'
Clique!
A ligação terminou. O Ministro largou o telefone com a mão tremendo. Por alguns segundos, ele só ficou ali, se recompondo. Então ele apertou o interfone.
'Manda a Mella pro meu escritório. Agora.'
Momentos depois, Mella entrou com passos confiantes, mascarando um brilho de desconforto nos olhos. Do outro lado da mesa de vidro preta, o Ministro esperava, com os dedos entrelaçados, o olhar fixo.
'Me chamou, Pai?' ela perguntou, tentando soar calma.
Ele não respondeu imediatamente. Ele fechou lentamente a pasta na frente dele, atrasando, controlando as emoções que subiam.
'O que você fez, Mella?' ele perguntou por fim, a voz baixa e fria.
Mella soltou o ar pelo nariz. 'Se isso é sobre as notícias desta manhã. Eu só disse a verdade. Aileen não é capaz de liderar.'
'A verdade?' O Ministro se levantou, os olhos se endurecendo. 'Você vazou documentos do hospital. Deu pra imprensa. Você tá destruindo a reputação da pessoa que uma vez salvou sua carreira. E você chama isso de verdade?'
'Você não sabe o que ela fez comigo!' Mella explodiu. 'Ela me humilhou na frente da equipe! Me tirou da sala de cirurgia sem motivo!'
'Ela protegeu eles de você,' o Ministro respondeu com firmeza.
O tom na sala mudou, a voz dele ficando mais alta, a dela mais desafiadora. Mella se aproximou.
'Então você tá do lado dela? Por cima da sua própria filha?'
'Não misture laços de sangue numa bagunça que você criou', ele disse com frieza. 'Você acha que ser minha filha te dá o direito de fazer o que quiser?'
Mella levantou o queixo. 'Eu fiz o que eu tinha que fazer. Se eu não lutar por mim, eu nunca vou ter um lugar.'
O Ministro esfregou as têmporas, então olhou pra ela com uma mistura de tristeza e fúria.
'E com esse caminho que você tomou, você vai acabar sem lugar nenhum', ele disse suavemente, mas com peso. 'Escute com atenção. Se suas ações custarem a esse hospital suas parcerias e investidores, eu não só vou revogar sua licença médica, Mella. Eu pessoalmente vou garantir que você nunca mais coloque os pés na medicina.'
A garganta de Mella se apertou. O peito dela queimava de raiva, mas o orgulho dela se manteve firme. 'Você não ousaria.'
Ele se aproximou, agora cara a cara, o olhar dele implacável. 'Me testa.'
As palavras ficaram pairando, frias e finais. Por um momento, só o tic-tac do relógio foi ouvido. Sem mais uma palavra, Mella se virou e saiu. Mas seus passos não eram de derrota, eram os passos de alguém procurando uma porta dos fundos quando a da frente foi fechada.
Mais Tarde Aquela Noite, Escritório da Diretora. Luz quente enchia o escritório de Alina. Relatórios, capturas de tela e artigos estavam organizados com precisão calculada na mesa dela. Ela tava perto da janela, vendo o céu escurecer.
A porta rangeu depois de uma batida. 'Eu falei pra você não lidar com isso sozinha', a voz de Raja veio, familiar, mas firme.
Alina se virou, oferecendo um sorriso fraco. 'Você sabe que eu não gosto de me sentir fraca.'
Raja colocou uma pasta grossa na mesa dela e sentou na frente dela, os olhos percorrendo o rosto dela, ainda composto, mas cansado.
'Seu nome tá sendo arrastado na lama. Isso não é só fofoca, é coordenado', ele disse, folheando o conteúdo da pasta.
'Eu sei', ela respondeu quieta. 'E eu sei quem tá por trás disso.'
Raja assentiu. 'Mella.'
Alina não disse nada, mas os olhos dela se fixaram em um gráfico descendente mostrando a confiança do público no hospital diminuindo.
'Eu mandei a equipe jurídica. Nós estamos processando a mídia por espalhar dados não verificados. O hospital vai divulgar um comunicado público em 24 horas.'
'Eu não quero uma guerra na mídia', Alina murmurou. 'É muito barulho.'
'Mas o público precisa da história real. Silêncio não vai te salvar dessa vez.'
Ela sentou devagar, encontrando o olhar dele com determinação clara. 'Se fizermos isso, não tem volta. Eu não só vou limpar meu nome, eu vou rasgar as máscaras deles.'
Raja deu um sorriso fraco, de aprovação. 'Você é a diretora. É seu trabalho liderar e proteger.'
Alina abaixou o olhar, então assentiu. 'Tudo bem. Amanhã de manhã, divulga a explicação. Depois, eu vou me encontrar com o conselho pessoalmente.'
'Você quer que eles vejam que você ainda tá de pé?'
'Eu quero que eles saibam, que eu nunca caí.'
Aquela Noite, Apartamento da Mella. A sala tava uma bagunça, papéis, tablets, notícias espalhadas pelo sofá. Mella tava na frente do espelho, pálida, mas com os olhos queimando de vingança.
'Todos eles a protegem. Até o Pai.'
Ela segurou o telefone com força, abriu um grupo de bate-papo secreto cheio de ex-colegas de classe, alguns na mídia, alguns em agências de auditoria.
'Hora de encontrar aliados que não se importam com moralidade.'
Ela digitou, 'Tenho dados sobre o uso indevido de fundos de pesquisa sob a liderança de Aileen. Interessados?'
Uma resposta veio segundos depois. 'Muito. Envia hoje à noite, podemos colocar nas manchetes pela manhã.'
Ela sorriu, abrindo arquivos obtidos por meio de um funcionário de TI que ela ajudou a encobrir um escândalo. Os dados não foram totalmente verificados, mas embaçaram a linha entre fato e sugestão.
'Você acha que pode simplesmente me apagar, Aileen? Você está errada.'
Ela se encostou na cadeira e discou um número. 'Sim. Prepare um artigo de opinião na imprensa internacional. Mire na cultura corrupta dos hospitais de elite. Nomeie Aileen como parte da estrutura tóxica.'
Ela encerrou a chamada, com os olhos fixos no teto.
'Se eu cair, ela vai cair comigo.'