Capítulo 34: O Surto Falso
Aquela manhã, Aileen acordou com um mau pressentimento. A aldeia parecia mais quieta do que o normal. Normalmente, os sons das crianças brincando e das pessoas trabalhando podiam ser ouvidos de manhã. Mas desta vez, só havia silêncio.
Ela se levantou e saiu da sua cabana, notando vários aldeãos reunidos em frente à casa do chefe da aldeia. Seus rostos estavam cheios de preocupação.
Leo já estava lá, conversando com o chefe. Assim que viu Aileen, acenou para ela, chamando-a.
"O que está acontecendo?" Aileen perguntou, examinando os rostos preocupados ao seu redor.
O chefe da aldeia parecia tenso. "Vários aldeãos adoeceram ontem à noite", ele disse baixinho. "Febre alta, vômito, seus corpos fracos."
O coração de Aileen bateu mais rápido. "Quantos estão doentes?"
"Cerca de dez", respondeu o chefe. "E o número continua crescendo."
Sem perder tempo, Aileen e Leo correram para a casa onde os doentes estavam sendo tratados. Ao entrarem, o ar estava espesso e abafado. O cheiro de suor e vômito enchia o cômodo. Alguns aldeãos jaziam em esteiras, seus corpos tremendo.
Aileen se ajoelhou ao lado de um homem de meia-idade cuja respiração era pesada. Ela tocou sua testa – queimando de quente. Ela olhou ao redor, procurando um padrão. Alguns pacientes tinham manchas vermelhas na pele, enquanto outros estavam constantemente vomitando.
Leo os observou com uma expressão séria. "Isso não é só uma doença comum", ele disse baixinho.
Aileen assentiu. "Precisamos descobrir a causa. Se isso for contagioso, estamos em sério perigo."
Ela rapidamente interrogou as famílias dos pacientes. "O que eles comeram ou beberam antes de adoecer?"
Uma das mulheres apontou para fora. "Água do poço perto dos campos."
Aileen e Leo correram para o poço. Assim que chegaram, um cheiro estranho emanou da água. Leo pegou um pouco e cheirou.
"Cheira a metal", ele murmurou.
O peito de Aileen se apertou. "O poço pode estar contaminado... ou pior, alguém pode ter envenenado."
Eles trocaram um olhar tenso. Se isso fosse sabotagem, a aldeia estava enfrentando uma ameaça muito maior. E eles tinham que impedir isso antes que mais vidas fossem perdidas.
Aileen se ajoelhou perto do poço, sentindo o ar frio da manhã se misturar com a tensão. A água parecia limpa, mas o forte cheiro metálico disse a ela que algo estava errado.
Leo deu a ela um olhar sério. "Precisamos confirmar a causa o mais rápido possível. Se for veneno ou bactéria, devemos impedir que se espalhe antes que mais pessoas fiquem doentes."
Aileen assentiu. Ela mergulhou a mão na água, coletando um pouco em um pequeno recipiente. "Podemos fazer um teste simples com o que temos, mas para uma resposta definitiva, precisamos de um laboratório."
Leo enxugou o rosto, parecendo frustrado. "Isso significa que precisamos de outra solução para impedir que os aldeãos bebam esta água."
Antes que pudessem pensar mais, um menino correu em direção a eles, o pânico escrito em seu rosto.
"Doutora! Doutora! A Sra. Mira… ela está morrendo!"
Aileen e Leo correram atrás do menino. Eles chegaram a uma pequena casa na beira da aldeia, onde uma mulher de meia-idade jazia pálida e suando. Seus lábios estavam azuis, sua respiração curta e laboriosa.
Aileen imediatamente se ajoelhou ao lado dela, pressionando dois dedos em seu pulso. Seu pulso estava fraco.
"Os outros não estavam tão mal", disse Leo, preocupado.
Aileen pensou rápido. "Esses sintomas se assemelham ao envenenamento por cianeto ou arsênico... mas precisamos de confirmação." Ela se virou para o marido de Mira. "O que ela comeu ou bebeu antes de ficar doente?"
O homem tremeu. "Todos nós bebemos do poço esta manhã… mas a Mira bebeu mais porque estava com muita sede."
Aileen prendeu a respiração. Isso não era coincidência. Algo naquela água era venenoso, e quanto mais alguém bebesse, mais rápido faria efeito.
Ela se moveu rapidamente. "Precisamos tirar o veneno do sistema dela. Leo, prepare carvão ativado. Temos que tentar desintoxicá-la antes que seja tarde demais."
Leo assentiu e correu, enquanto Aileen tentava manter Mira consciente.
"Aguente firme", ela sussurrou.
Leo voltou com um saquinho de carvão ativado que ele havia encontrado na cozinha de um aldeão. Ele rapidamente o esmagou em pó e misturou com água.
"Esta é a nossa melhor chance agora", ele disse, entregando a mistura para Aileen.
Aileen cuidadosamente colocou a mistura na boca de Mira com uma colher. A mulher estava extremamente fraca, mas eles tinham que tentar. Se fosse envenenamento por metais pesados ou arsênico, o carvão ativado poderia absorver as toxinas antes que se espalhassem.
Cada segundo parecia uma eternidade. Aileen prendeu a respiração, observando Mira de perto. Lá fora, o chefe da aldeia e vários outros se reuniram ansiosamente.
Depois de alguns minutos, Mira começou a apresentar sinais de melhora. Sua respiração rápida começou a diminuir, embora ela permanecesse fraca. Ela abriu ligeiramente os olhos, piscando.
"Ela está voltando a si", disse Leo, aliviado.
Mas antes que pudessem comemorar, outro homem de repente desabou na porta.
"Sr. Gunawan!" um aldeão gritou em pânico.
Aileen correu até ele. O homem idoso se contorceu de dor, agarrando o estômago e gemendo. Os sintomas eram os mesmos - vômito, fraqueza, febre.
"Ele também bebeu do poço?" Leo perguntou aos aldeãos ao redor.
Um jovem assentiu. "Sim… ele bebeu esta manhã."
Aileen amaldiçoou em voz baixa. Isso era pior do que ela temia. Se eles não agissem rápido, toda a aldeia poderia estar em perigo.
"Precisamos selar o poço imediatamente", ela disse com firmeza. "E precisamos de água limpa o mais rápido possível."
O chefe da aldeia assentiu. "Há uma nascente na floresta ocidental, mas é bem longe."
Leo se levantou. "Eu vou. Posso trazer água fresca enquanto isso."
"Não sozinho", disse Aileen. "Eu vou com você."
Mas o chefe balançou a cabeça. "A Doutora Aileen precisa ficar aqui. Precisamos de alguém para cuidar dos doentes."
Aileen mordeu o lábio, mas sabia que ele estava certo. Ela observou Leo se preparar para partir com alguns homens da aldeia.
"Cuidado", ela disse suavemente.
Leo deu um pequeno sorriso. "Sempre."
Sem demora, Leo e os outros partiram para a floresta. Aileen voltou para dentro, garantindo que Mira e os outros pacientes permanecessem estáveis. Mas no fundo de sua mente, algo parecia estranho.
'O poço pode estar contaminado naturalmente, mas aquele cheiro metálico…'
Isso foi realmente um acidente? Ou… alguém envenenou deliberadamente a aldeia?
Aileen ainda não tinha a resposta. Tudo o que ela sabia era que mais aldeãos estavam adoecendo, e ela tinha que cuidar deles da melhor maneira possível. De repente—
Tum!
Um jovem correu em sua direção, seu corpo coberto de ferimentos. Sangue escorria de sua testa. Sua respiração era irregular.
"Doutora, por favor…!" sua voz tremia. "Eles… as pessoas que envenenaram a aldeia—"
Bang!
Um tiro soou. O peito do jovem explodiu. Seus olhos se arregalaram. Sua respiração parou instantaneamente.
Aileen congelou. Ela se virou bruscamente, vislumbrando uma figura encapuzada desaparecendo nas sombras da noite. Sem pensar, ela correu atrás deles. Mas o agressor havia sumido. Aileen correu de volta para o jovem, suas mãos tremendo enquanto verificava seu pulso. Nada.
"Nãooo!!"
Uma mulher de repente correu, embalando o corpo sem vida. Seu rosto estava encharcado de lágrimas.
"Você…!" Sua voz tremia de raiva, seus olhos ardendo de ódio quando ela olhou para Aileen. "A culpa é sua! Você o matou!"
Aileen ficou ali, congelada.
'O que… está realmente acontecendo nesta aldeia?'