Capítulo 20: A Verdadeira Ameaça
“Faltam dez segundos. Desçam para o andar de baixo imediatamente. Estamos prontos para receber”, a voz de Damien veio pelo rádio, firme e cheia de confiança.
De trás da colina rochosa, uma enorme porta de aço se abriu lentamente. Uma luz branca e brilhante jorrava de dentro do bunker, perfurando os arbustos espessos. A última esperança deles estava agora bem diante dos seus olhos.
Leo pisou fundo no acelerador. A ambulância disparou para o bunker, seguida de perto pelos veículos militares que os escoltavam por trás. Tiros ainda ecoavam à distância, mas assim que as portas do bunker se fecharam, o som sumiu instantaneamente. Silêncio. Mas só por um momento.
Até que o alarme médico tocou alto de repente.
O monitor cardíaco ao lado de Lana piscou rapidamente. A linha verde subiu erraticamente antes de mergulhar bruscamente.
“Leo! A frequência cardíaca dela está caindo rápido!”, Alina gritou. Suas mãos tremiam enquanto ela checava a linha do soro.
Seu rosto estava pálido. Em pânico. “Ela não vai aguentar por muito tempo!”
Sem perder um segundo, Leo abriu a bolsa médica. “Segure ela. Mantenha a cabeça dela firme.”
Alina apoiou o corpo de Lana, tentando estabilizá-la. “Por favor, aguente, Lana... não desista agora.”
Então aquele som longo e penetrante ecoou.
Beeeeep—
“Lana!”, Alina deu um tapa na bochecha da amiga. “Me escute! Fique conosco!”
Leo injetou rapidamente adrenalina no braço de Lana. “Não vá... agora não.”
Os próximos segundos pareceram um abismo sem fim. O tempo parecia ter parado. Até que... a linha reta começou a pulsar novamente. Lenta. Fraca. Mas ainda lá.
Alina soltou um longo suspiro. Lágrimas escorriam por seu rosto incontrolavelmente. “Aquilo foi por pouco…”
Leo enxugou o suor do rosto. “Precisamos movê-la imediatamente. Se ela tiver outra parada, não haverá uma segunda chance.”
As portas da ambulância se abriram. Damien apareceu com uma equipe de médicos em uniformes pretos. “Vamos. Está tudo pronto.”
Eles se moveram rapidamente. Lana foi transferida para uma maca especial. O monitor portátil continuava apitando suavemente, avisando que a vida diante deles estava pendurada por um fio.
“Abram caminho! Paciente crítica chegando!”, gritou um dos médicos.
O corredor do bunker parecia um labirinto de aço frio. Luzes de emergência tremeluziam fracamente. As sirenes uivavam suavemente à distância. A tensão era sufocante.
“A pressão arterial dela está caindo de novo!”, Leo verificou o monitor rapidamente. “Quanto falta?!”
“Cem metros!”, Damien respondeu enquanto abria o caminho e falava em seu comunicador.
“UTI, prepare o respirador. Paciente crítica a caminho.”
Alina agarrou a mão de Lana com mais força. Estava muito fria. “Leo… estamos sem tempo.”
“Eu sei. Só mais um pouco.”
Quando as portas da UTI se abriram, todos se moveram silenciosamente, exceto pelas instruções rápidas dos médicos. Aparelhos de respiração, cabos, soros – tudo foi montado quase simultaneamente.
Alina ficou parada no canto da sala, prendendo a respiração. Seus olhos nunca deixaram Lana, que parecia mais frágil do que nunca, como se estivesse pronta para desistir a qualquer momento.
“Por favor, aguente, Lana... não estou pronta para perder mais ninguém.”
Leo ficou no lado oposto da cama, observando o monitor com atenção. Certificando-se de que aquela linha da vida continuasse se movendo, não importa o quão fraca fosse.
Horas se passaram. Lana finalmente estabilizou. Por enquanto.
Na sala de controle principal, Leo e Damien ficaram parados, olhando para um grande mapa da área, marcado com pontos vermelhos mostrando os movimentos inimigos.
“Esconder não vai durar muito”, Damien disse sério. “Cedo ou tarde, eles vão encontrar uma maneira de entrar.”
Leo assentiu levemente. “É por isso que estou aqui. Não estou apenas procurando um lugar seguro para Lana. Quero ajudar a defender este lugar.”
Damien deu um sorriso fino. “Então... você está pedindo uma guerra?”
Leo olhou para frente. “Se você estiver pronto.”
Damien riu baixinho. “Eu nasci para isso.”
“Amanhã começamos a planejar. Vamos atacar primeiro antes que Marco possa se preparar.”
Damien cerrou o punho. “Entendido. E Leo... desta vez, deixe-me protegê-lo. Tenho uma dívida para pagar.”
Leo assentiu. “É hora de fazê-los se arrepender de começar esta guerra.”
Naquela noite, escondidos atrás da fortaleza de aço, um plano de contra-ataque começou a se formar.
Enquanto isso, na UTI, Alina permaneceu ao lado de Lana.
“Onde está o Doutor Leo?”, ela perguntou a uma das enfermeiras.
Depois de receber as direções para a sala de controle, Alina caminhou pelo luxuoso corredor do bunker. Seus dedos tocaram levemente a parede de aço.
“Paredes à prova de balas… incrível”, ela murmurou.
A tecnologia dentro do bunker estava além de tudo que ela esperava. Tudo era automatizado e integrado. Finalmente, ela chegou ao elevador exclusivo com reconhecimento facial.
Embora hesitante, Alina sabia que não havia outra opção.
Quando as portas se abriram, em segundos ela estava no andar superior. O corredor branco se estendia silenciosamente, mas a tensão era inegável.
Sem saber, ela pisou em um sensor de chão escondido.
BRRTTT!
Um alarme tocou alto. Luzes vermelhas piscaram rapidamente. Armas automáticas apontaram diretamente para sua cabeça.
“Que...?”, Alina recuou em pânico.
Na sala de controle, Damien verificou o monitor. Vendo o rosto de Alina, ele rapidamente desativou o sistema.
“Leo, parece que sua convidada se perdeu”, ele disse com uma pequena risada.
Sem demora, Leo foi para o local. Ao encontrar Alina, ele parecia aliviado, embora não pudesse esconder um leve sorriso.
“Se você estava me procurando, poderia ter dito. Não precisa assustar toda a base”, Leo disse calmamente.
Alina respirou fundo, tentando se acalmar. “Eu estava só curiosa.”
Leo riu. “Vamos, vou te mostrar a sala de controle.”
Alina assentiu, seguindo Leo pelo corredor branco. Quando a porta automática se abriu, a sala diante dela parecia algo saído de um filme. Telas gigantes exibiam mapas digitais, dados de movimentos inimigos e dezenas de funcionários de uniforme preto trabalhando ocupadamente.
Damien os cumprimentou com um pequeno sorriso. “Bem-vinda ao quartel-general.”
Alina parou. Em seu coração, tudo isso parecia comum... longe de ser impressionante. Mas, claro, ela não podia dizer isso.
“Este lugar é incrível”, comentou ela, mantendo sua expressão admirada.
Damien riu brevemente. “Pelo menos é o suficiente para nos manter vivos.”
Leo acrescentou friamente: “Enquanto você estiver aqui, ninguém pode te tocar.”
Alina se virou para ele. O olhar de Leo era frio, cheio de certeza. De alguma forma, isso fez seu coração disparar mais rápido.
“Estou confiando minha vida a você, hein?”, ela sussurrou suavemente.
Meta-zueira. Meio esperançosa. Leo não disse nada. Seu olhar permaneceu indecifrável. Mas quando Alina estava prestes a desviar o olhar, Leo falou baixinho.
“Isso depende de você.”
Tum.
Alina reprimiu um pequeno sorriso que não conseguiu segurar. Seu coração bateu mais rápido, mas ela tentou se manter composta.
“Entendido, Doutor Leo”, ela sussurrou antes de voltar sua atenção para a sala cheia de telas e mapas digitais.
Mas longe dali, em um local escondido, alguém falava suavemente, mas claramente, ao telefone.
“Ela sobreviveu. Lana está estável agora. Estamos atualmente em uma base secreta administrada por um ex-soldado de elite”, ele relatou brevemente.
Enquanto isso, no escritório de um hospital da cidade, um homem de terno escuro parou de andar depois de receber o relatório. Seu rosto ficou pálido, depois vermelho de raiva contida.
“Os protegidos do Doutor Nathan sempre parecem ter sorte”, ele murmurou amargamente. “Escaparam dos rebeldes, agora resgatados pelas forças especiais.”
Outro homem sentado em frente a ele falou, seu tom desconfiado.
“Alguém deve estar ajudando-os. Não há como aquela garota ter entrado na base de um soldado de elite sem fortes conexões.”
O homem de cabelos grisalhos ficou em silêncio por um momento. Seus olhos afiados fixaram-se no pequeno mapa sobre a mesa, como se estivesse calculando seu próximo movimento. Suas muitas tentativas de eliminar Alina sempre falharam, como se a sorte continuasse a favorecê-la.
Com uma voz profunda e pensativa, ele finalmente disse: “É melhor nos livrarmos daqueles que a protegem primeiro. Antes que chegue a hora de apagar Aileen completamente.”