Capítulo 3 Um Novo Mundo Não Inteiramente Estranho
Toc! Toc! Toc!
Naquela tarde, Alina levou um susto com uma batida na porta. Um homem alto, com um jaleco de médico, entrou, e o rosto dele parecia vagamente familiar nas memórias meio embaçadas de Aileen.
"Doutora Monroe", a voz grave dele era firme. "Finalmente acordada. Sou o Doutor Nathan, chefe de cirurgia aqui."
Alina o estudou com calma.
"Doutor Carter", ela murmurou, fazendo questão de lembrar o nome.
Doutor Carter a observou de perto. "Ainda se lembra de mim?" Havia uma pontinha de dúvida no tom dele.
Alina sabia que era um teste. Se ela dissesse que tinha perdido toda a memória, ia levantar suspeitas. Mas se agisse com muita confiança, ia ser ainda mais suspeito.
Então, ela escolheu o meio termo.
"Estou… um pouco confusa depois do acidente", ela disse, franzindo um pouco a testa. "Mas ainda me lembro de algumas coisas."
Doutor Carter balançou a cabeça, aparentemente satisfeito com a resposta dela. "É normal. Você sofreu uma leve lesão na cabeça, então é compreensível que algumas memórias ainda estejam nebulosas. Mas não se preocupe, você vai ficar bem."
Alina soltou um sorriso pequeno e indecifrável. "Veremos."
Doutor Carter entregou um tablet para ela.
"Tem um monte de trabalho te esperando, mas por enquanto, foque na sua recuperação. Quero que você comece a revisar esses relatórios médicos antes de voltar ao trabalho."
Alina aceitou o tablet sem hesitar. Se fazia parte do papel que ela tinha que interpretar como Aileen Monroe, então ela faria.
Assim que Doutor Carter saiu, ela ficou encarando a tela. Vários relatórios de pacientes, diagramas anatômicos e anotações cirúrgicas eram exibidos em detalhes.
Um sorriso discreto se formou nos lábios dela. "Relatórios médicos detalhados. Posso não entender toda a terminologia… mas pelo menos sei como fazer uma cirurgia de emergência."
Ela pegou seu reflexo na tela — aqueles olhos verdes olhando de volta para ela, cheios de segredos. "No se preocupe, Aileen… Eu não vou te decepcionar."
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Aquela noite marcou a volta oficial de Alina como Doutora Aileen Monroe. Seu primeiro dia de volta não foi tão difícil quanto ela tinha previsto. Ela estava tão ocupada que quase não percebeu o tempo passar.
Quando ela olhou para o relógio em seu escritório, já eram 2 da manhã. O hospital estava muito mais quieto agora — a maioria da equipe já tinha ido para casa ou estava descansando na sala de descanso. Só alguns médicos ficaram na emergência.
Vestida com o jaleco branco de Aileen, que estava um pouco folgado, Alina caminhou pelos corredores silenciosos do hospital. Nos últimos dias, ela estava investigando discretamente diferentes áreas.
Aquela noite, ela tinha um objetivo claro — o escritório administrativo do hospital.
"Se há um lugar que guarda informações sobre o acidente de Aileen, é aqui."
Ela parou em frente a uma porta com uma placa que dizia "REGISTROS MÉDICOS & ARQUIVOS".
Este quarto ficava longe das alas movimentadas do hospital, localizado em uma área isolada. Convenientemente, o escritório de Aileen ficava perto.
Ela tentou a maçaneta da porta — trancada. Claro, ninguém ia ficar ali cuidando de uma sala de arquivos a noite toda. Mas para alguém que já foi líder da máfia, isso não era nada. Em questão de segundos, ela arrombou a fechadura e entrou.
A luz fraca da tela do computador iluminava a sala. Ela rapidamente começou a procurar os arquivos que precisava. Seus dedos se moviam rapidamente pelo teclado enquanto ela digitava:
"Aileen Monroe"
Mas o que apareceu na tela não foi o que ela esperava. "Arquivo não encontrado."
Os olhos de Alina se estreitaram. "Impossível. Todo registro médico tem uma cópia de segurança. Nenhum arquivo pode simplesmente desaparecer sem deixar vestígios."
Algo estava errado. Antes que ela pudesse pensar mais, algo ainda mais chocante aconteceu.
Bip—
A tela piscou. Uma mensagem apareceu. "Você não deveria estar procurando por isso."
Alina prendeu a respiração. Aquilo não era coincidência. Alguém estava de olho nela.
Seu pulso acelerou. O instinto entrou em ação — ela desligou o computador imediatamente e saiu da sala antes que alguém pudesse pegá-la.
Mas assim que ela entrou no corredor, esbarrou em uma enfermeira.
"Doutora Monroe?" A enfermeira olhou para ela com desconfiança. "O que a senhora está fazendo aqui tão tarde?"
Por uma fração de segundo, Alina foi pega de surpresa.
Mas ela rapidamente se recompôs. Ela não podia arrumar desculpas — não havia outros quartos naquele corredor.
"Eu estava procurando o arquivo de um paciente", ela disse suavemente. "Mas parece que a sala de arquivos já está fechada."
Era uma desculpa fraca, mas, por sorte, a enfermeira não pareceu muito desconfiada. "Ah, a senhora deve ter esquecido", disse a enfermeira gentilmente. "Essa sala está sempre trancada às 16h e só reabre às 8h da manhã seguinte."
A mente de Alina já estava formulando planos de apoio, caso a enfermeira ficasse mais desconfiada. Mas, depois de ouvir a explicação, ela decidiu segurar.
Ela deu um sorriso pequeno. "É mesmo? Tudo bem, eu volto amanhã. Obrigada por avisar."
"Espero que ajude, Doutora." A enfermeira sorriu antes de ir embora.
De volta ao seu quarto, Alina respirou fundo. Seu coração ainda estava acelerado depois de tudo o que aconteceu.
"Ainda bem que ela acreditou em mim… Mas… quem enviou aquela mensagem?"