Capítulo 163: Segurança para Aileen
Desde o incidente do tiroteio naquela noite, a vida de Alina mudou drasticamente. O Rei não permitia mais que um segundo passasse sem supervisão. Ele pessoalmente buscava e deixava Alina no hospital todos os dias, acompanhado por dois veículos de escolta se movendo em formação cerrada.
Naquela manhã, quando chegaram ao hospital, vários oficiais de polícia já estavam esperando no saguão principal. Assim que Alina saiu do carro, eles se aproximaram dela.
"Vamos garantir o perímetro do hospital e monitorar todo o tráfego de entrada e saída, Srta. Alina", disse um oficial com uma patente.
"Obrigada. Prossiga", Alina respondeu brevemente, então entrou com Raja ao seu lado.
Em breve, os oficiais começaram a assumir posições estratégicas. Dois foram colocados na entrada principal, um na sala de controle de CCTV e o restante patrulhava a cada duas horas.
No escritório de Alina, a atmosfera era ainda mais tensa. Dois dos guarda-costas pessoais de Raja – membros da força de elite, normalmente não muito longe dos círculos políticos e militares – foram especialmente designados. Um ficou do lado de fora da porta, o outro dentro da sala com Alina, silencioso, mas alerta.
A atmosfera de todo o hospital mudou. Enfermeiras e médicos caminhavam com cautela, sussurros substituindo a conversa e risos matinais habituais. Todos sabiam que algo grande estava acontecendo. E no centro disso estava uma mulher: Diretora Aileen Monroe.
Mas Alina permaneceu calma. Ela usava seu jaleco branco como de costume, revisava os relatórios dos pacientes, participava de reuniões sem medo. Embora por trás de sua compostura, ela soubesse que seus inimigos não parariam até que acabasse.
Apesar da segurança reforçada, os inimigos de Alina eram, no mínimo, engenhosos. Eles não temiam a polícia, não temiam guardas armados. Tudo o que precisavam era de uma única abertura e, naquele dia, ela veio.
Alina acabara de terminar uma reunião com um investidor-chave do hospital em um restaurante dentro do complexo VIP do hospital. A reunião correu bem e a segurança foi ligeiramente relaxada para manter o profissionalismo. Raja estava do lado de fora atendendo uma ligação e seus dois guardas estavam estacionados na parte externa do restaurante.
Sentindo-se segura, Alina pediu um breve momento para usar o banheiro. Estava quieto. As luzes estavam ligeiramente fracas e o som da água da torneira zumbia suavemente. Alina entrou e instintivamente verificou cada cabine. Todas estavam vazias. Ela foi para a última cabine, depois lavou as mãos na pia.
BANG!
Uma das portas da cabine bateu. Uma mulher grande e musculosa saiu. Seus olhos estavam selvagens, seus movimentos rápidos. Ela balançou um pequeno bastão escondido na manga, mirando na cabeça de Alina.
Alina se abaixou e chutou a perna da atacante. A mulher cambaleou, mas rapidamente recuperou o equilíbrio. Seus ataques vieram rápidos e viciosos – socos, chutes e até uma garrafa de sabão líquido que jogou no chão, tornando-o escorregadio.
Alina permaneceu calma. Ela girou, desviou, agarrou o braço da mulher e torceu-o atrás das costas. A mulher grunhiu, incapaz de sacar a pequena arma presa sob o cinto. Um empurrão forte a jogou contra a parede do banheiro.
BANG!
A mulher desabou, inconsciente, com as mãos amarradas com a própria alça da bolsa de Alina. Alina ficou em pé, sua respiração constante apesar da luta. Ela abriu a porta do banheiro quando um dos guarda-costas de Raja veio correndo.
"Srta. Aileen! Ouvimos um estrondo, você está bem?"
Alina lhe deu um olhar frio. "A partir de agora, não deixe ninguém me seguir no banheiro. Nem mesmo visitantes não registrados."
O guarda imediatamente abaixou a cabeça. "Peço desculpas, senhora. Vamos reforçar a segurança."
Alina olhou para a mulher inconsciente. "Nossos inimigos são ousados. Mas estou mais preparada do que eles pensam."
Alguns minutos depois, Raja chegou com uma expressão sombria. Ele entrou no banheiro agora lacrado, passando pelos guardas visivelmente abalados.
"Alina", sua voz baixa, rigidamente controlada. "O que aconteceu?"
Alina ficou perto da ambulância, limpando as mãos com um pano quente. "Alguém entrou escondido. Me atacou no banheiro. Isso nunca deveria ter acontecido, Raja."
"Eu sei", disse Raja, seu tom tenso. "Eu sei. Mas por que você foi sozinha? Por que você não esperou por sua escolta?"
Alina lançou um olhar agudo. "Porque eu não sou prisioneira. E eu não sou uma mulher fraca que precisa ser protegida a cada segundo."
Raja exalou pesadamente, dividido entre raiva e preocupação. "Eu só não quero te perder, Alina. Você sabe disso."
"E você sabe que eu posso me cuidar. Agora, concentre-se na atacante. Precisamos saber quem a enviou."
Horas depois, em uma sala de interrogatório temporária dentro do hospital, a mulher musculosa estava sentada em uma cadeira de aço. Suas mãos estavam algemadas. Hematomas manchavam seu rosto. Na frente dela estavam duas pessoas: Raja e a própria Alina.
"Quem te enviou?" Raja perguntou friamente.
A mulher riu. "Acha que eu vou falar só porque você fica me encarando assim?"
Alina se recostou. "Você não me atacou por troco. Alguém te enviou. E eu sei que você é profissional o suficiente para entender que ninguém está te protegendo agora."
A mulher bufou. "Bem confiante para um alvo."
Alina se aproximou. "E você é uma fracassada e tanto para uma assassina. Mais um movimento em falso e não estaremos conversando nesta sala. Vamos te entregar à polícia militar. Sabe o que eles fazem com matadoras por lá?"
Seu olhar começou a vacilar. Sua respiração ficou irregular quando ela olhou entre Alina e Raja.
"…Ele… ele não quer apenas você morta", ela murmurou. "Ele quer sua reputação arruinada. Sua reputação destruída. Depois, seu corpo, por último."
"Quem é ele?" Raja deu um passo à frente.
A mulher fechou a boca. Alina suspirou. "Tudo bem. Se você quer jogar duro, vamos te tratar da maneira mais difícil."
Enquanto os dois começaram a se levantar, a mulher sussurrou fracamente. "…Mella… ela não está sozinha. Há alguém acima dela… alguém mais forte… alguém muito acima de você…"
Alina e Raja trocaram um olhar. Uma nova camada da verdade acabava de se abrir. Alina se inclinou para frente, seus olhos penetrantes.
"Diga-nos quem está por trás de tudo isso. Se você falar agora, posso garantir que você continue viva."
A mulher olhou nervosamente para Alina. Suor escorria por sua têmpora. Ela começou a falar, sua voz rouca. "O nome dele… eles o chamam de—"
BANG!
Um tiro ecoou. A janela da sala de interrogatório rachou. Alina e Raja se abaixaram. Sangue jorrou da parte de trás da cabeça da mulher. Uma bala a atingiu limpa no crânio.
Seu corpo caiu na mesa, imóvel. Seus olhos estavam arregalados em um último momento de medo.
"SNIPER!" Raja gritou para os guardas do lado de fora. "Bloqueiem todo o acesso ao hospital! Encontrem o ponto de tiro agora!"
Alina se virou para a janela estilhaçada, sua respiração irregular. "Eles a silenciaram. Eles sabiam que ela ia falar."
Momentos depois, um guarda entrou, com a arma levantada. "Nós garantimos o telhado e a área circundante! Mas o atirador se foi. O tiro veio de um prédio abandonado em frente ao hospital. Está vazio."
Raja bateu com o punho na mesa. "Droga! Isso não é mais apenas vingança. Esta é uma caçada sistemática."
Alina olhou para o corpo sem vida da mulher, com a mandíbula cerrada. "O que quer que Mella esteja escondendo… é muito maior do que pensávamos."
A sala caiu em um silêncio tenso. Restava apenas o som do gotejamento de sangue e da respiração pesada.
Raja olhou para Alina. "Precisamos nos mover mais rápido. Um passo mais lento e seremos os próximos."