Capítulo 31: O Segredo Sombrio na Floresta
Mas Alina ignorou. Devagar, ela foi pra frente, os olhos dela encontrando o olhar afiado do cachorro preto que tava na frente. O bicho latiu ferozmente, cheio de aviso.
O coração da Alina bateu forte, mas ela ainda levantou a mão, mostrando que ela não era uma ameaça.
"Calma... Eu não sou sua inimiga." A voz dela era suave, quase um sussurro.
O cachorro se contraiu, as orelhas dele tremendo ansiosamente. Tinha hesitação nos olhos dele. Era por causa da ordem do mestre dele, ou o instinto dele tava dizendo que essa garota era diferente?
Por trás dela, Leo apertou os punhos. Ele queria puxar a Alina de volta, mas alguma coisa parou ele. Talvez, lá no fundo, ele confiasse nela mais do que ele percebia.
De repente, um dos outros cachorros se mexeu, pronto pra atacar.
"Au!"
O cachorro preto latiu alto, parando o companheiro dele. Alina aproveitou o momento. Ela chegou mais perto, trancando os olhos com o líder.
"Você não quer fazer isso, quer?"
O cachorro rosnou baixo… mas não atacou.
Então, um assobio longo ecoou na distância. Os bandidos tavam chamando eles de volta. O cachorro preto virou pro som, depois pra Alina. Como se estivesse considerando alguma coisa. Até que finalmente, ele virou e foi embora, seguido pelos outros cachorros.
Leo assistiu com os olhos arregalados, sem acreditar. O que tinha acabado de acontecer?
"Como… você fez isso?"
A Alina respirou fundo e deu um sorriso fraco. "Eu só falei com eles."
Leo ainda tava chocado, mas eles não tinham tempo pra pensar nisso. Os bandidos ainda tavam por perto. Eles tinham que ir embora.
—
Um tempo depois, eles chegaram na vila. Alina rapidamente puxou o Leo pra dentro da casinha onde eles tavam ficando. Vendo os ferimentos no corpo dele, as sobrancelhas dela franziram.
"Vem cá, deixa eu cuidar dos seus machucados."
Leo deu de ombros, de forma indiferente. "É só um arranhão. Eu tô bem."
"Não existe ferimento pequeno se ele pode piorar," Alina retrucou com firmeza.
Sem esperar o consentimento dele, ela começou a desabotoar a camisa dele. E no segundo seguinte, ela congelou.
Os músculos por baixo da camisa dele tavam agora à mostra—linhas fortes pelo peito e abdômen dele, o físico de alguém que tinha passado por inúmeras batalhas.
Eu não esperava… ele ter um corpo assim, ela pensou.
A cara dela esquentou. Alina rapidamente olhou pra outro lado, fingindo focar nos ferimentos dele.
Leo sorriu de canto. "Tá hipnotizada por mim?"
"Não se ache!" Alina bufou e deu um tapinha no braço dele—talvez um pouco mais forte do que o necessário.
Leo riu baixinho, os olhos dele brilhando com diversão enquanto ele assistia ela tentando esconder o estado dela de nervosismo. Mas lá no fundo, ele percebeu uma coisa—Alina… era diferente.
A expressão dela ficou séria quando ela examinou o ferimento nas costas dele. Um corte fundo, ainda sangrando. Sem uma palavra, ela pegou o kit médico da bolsa dela. Com as mãos experientes, ela colocou desinfetante numa gaze estéril e pressionou contra o ferimento dele.
"Sst..." Leo fez uma careta quando a ardência se espalhou pela pele dele.
"Fica quieto." Alina exalou, sem clima pra reclamações. Com cuidado, ela enrolou o ferimento dele com uma atadura limpa.
A atmosfera entre eles ficou mais quente. A proximidade deles fez a Alina estar bem ciente do calor do corpo dele. Um cheiro fraco, masculino, misturado com o cheiro estéril do remédio, encheu os sentidos dela.
Por que isso tá acontecendo? ela se perguntou.
Mas antes que os pensamentos dela pudessem ir mais longe, uma batida alta quebrou o momento.
Toc, toc, toc!
A Alina virou instintivamente, enquanto a expressão do Leo ficou cautelosa. Ela foi pra perto da porta, espiando por uma pequena fenda nos painéis de madeira. Uma voz familiar seguiu.
"Doutora, a senhora tá aí dentro?"
Era o chefe da aldeia.
"Eu queria perguntar sobre a reunião da senhora com o velho xamã."
A Alina suspirou de alívio e rapidamente abriu a porta. Mas assim que o chefe olhou pra dentro, os olhos dele arregalaram.
Leo, sem camisa e relaxado na cama. Alina em pé perto, o rosto dela um pouco corado.
"Ah..." O chefe limpou a garganta. "Desculpe. Eu não queria interromper o… descanso de vocês."
Os olhos da Alina arregalaram.
Ah não… ele entendeu tudo errado!
"Espera, não é o que você tá pensando!" Alina disparou, o rosto dela ficando ainda mais vermelho. "Ele se machucou, e eu acabei de cuidar dele!"
Mas o chefe só deu um aceno de cabeça, um sorriso fraco se formando no canto dos lábios dele.
"Claro, Doutora. Eu entendo."
A Alina entrou em pânico ainda mais. "Não, sério! Não é o que parece—"
Leo, que tinha ficado em silêncio, de repente riu. Ele se encostou na parede, o olhar dele provocando.
"Deixa ele pensar o que quiser," ele sussurrou, a voz dele baixa e brincalhona. "Por que não?"
A Alina deu pra ele um olhar exasperado. "Você é insuportável!"
O chefe limpou a garganta de novo, tentando dissipar o clima estranho. "Tudo bem… eu não vou me intrometer. Só quero saber—como foi a reunião de vocês com o velho xamã?"
A Alina focou rapidamente. Ela fechou o kit médico e olhou pro chefe séria. "A gente chegou na casa dele. Mas alguma coisa tava errada… Parece que ele já tava morto."
Os olhos do chefe estreitaram. "Morto?"
Leo, agora vestido de novo, adicionou, "É. Quando a gente chegou, tinha um monte de gente lá. Eles pareciam ser da cidade."
O chefe entrou em pensamentos profundos. Então, em voz baixa, ele perguntou, "Então quem matou ele?"
A Alina trocou olhares com o Leo. Eles sabiam quem era o culpado—mas sem prova sólida, eles não podiam fazer uma acusação.
"Parece… que alguma coisa grande tá pra acontecer nessa vila," Alina finalmente disse. "E antes que isso aconteça, a gente precisa juntar provas contra eles."
O chefe soltou um suspiro pesado. "Eu não sei muito sobre eles," ele admitiu. "Mas eu posso ajudar vocês a lidar com esse problema."
Leo apertou os punhos, a determinação queimando no olhar dele. "Qual é o próximo passo?"
O chefe olhou pra eles em silêncio, então disse, "Vocês precisam voltar lá. Descobrir o que eles tão escondendo."
A Alina assentiu, o coração dela batendo mais rápido. Alguma coisa grande tava vindo.
—
Aquela noite, Alina e Leo voltaram pra floresta, se movendo pelas sombras das árvores, evitando qualquer possível guarda. Quando eles chegaram na casa do velho xamã, eles analisaram a área. Tava quieto—mas não parecia seguro.
Se movendo com cautela, eles entraram e se aproximaram das caixas de madeira empilhadas organizadamente numa sala. Alina se agachou, passando os dedos pela madeira áspera antes de cuidadosamente abrir uma.
Assim que foi revelado, os olhos dela arregalaram.
"Isso… são ervas medicinais…" ela sussurrou. Mas quando ela examinou de perto, a cara dela ficou sombria. "Não… esses são ingredientes pra narcóticos."
Leo checou outra caixa e achou uma coisa que fez o sangue dele gelar. Ele levantou um pacote embalado em plástico, cheio de pó branco. Bem embalado, pronto pra distribuição.
"Eles já produziram uma quantidade enorme," ele murmurou, a mandíbula dele apertando. "Isso não é só contrabando. Isso é uma operação grande."
Rapidinho, a Alina tirou fotos como prova. Mas então—passos ecoaram lá fora.
Leo e Alina trancaram os olhos.
"Alguém tá vindo," Leo sussurrou.
O ar dentro da sala ficou tenso. Alina prendeu a respiração, o coração dela batendo tão alto que parecia ensurdecedor. Do lado dela, Leo apertou os punhos, o olhar afiado dele fixo nas prateleiras de madeira onde eles se esconderam.
Passos pesados entraram na sala. Vários homens falaram em voz baixa, mas as palavras deles mandaram um arrepio na espinha da Alina.
"A gente precisa se livrar daquela médica da cidade."