Capítulo 59: O Novo Diretor
“Eu não quero ir pra cadeia! Eu não mereço ficar trancado!”
Richard se debateu, resistindo com todas as suas forças. Ele se recusava a ser preso, incapaz de aceitar a realidade de que sua vida terminaria atrás das grades. Desesperado, ele tentou escapar, mas a polícia antecipou seus movimentos. Em segundos, seu corpo foi jogado na mesa e as algemas estalaram firmemente em seus pulsos. Não havia saída.
Enquanto isso, em outra sala, Alina estava ocupada analisando dados em seu computador, procurando evidências relacionadas à morte de Borgio. Ela estava convencida de que algo estava errado.
Uma batida na porta interrompeu sua concentração. A enfermeira entrou, parecendo inquieta.
“Doutora, hoje é a cerimônia de boas-vindas ao novo diretor do hospital. Não se esqueça, você precisa estar lá na hora.”
Alina mal olhou para ela. Para ela, esses eventos eram irrelevantes. Ela ignorou o lembrete e voltou para a tela. Quando a inauguração começou, ela permaneceu em seu lugar, optando por atender a um paciente recém-chegado em vez de participar de uma reunião formal.
No salão principal, o novo diretor estava no pódio. Ele era mais jovem que Borgio, mas sua aura era muito mais intimidadora: afiada, fria e dominante. Ele falou pouco, fazendo apenas um discurso breve e formal.
No entanto, havia algo em seu olhar. Ele estava procurando por alguém. E sem perceber, Alina acabara de se tornar o alvo de sua atenção.
Após o evento, o homem deixou o salão. Mas, em vez de voltar para seu escritório, ele se dirigiu a outra parte do hospital. Seus passos eram calmos, mas seus olhos estavam afiados, como se ele tivesse um objetivo claro.
Por outro lado, Alina acabara de terminar de tratar seu último paciente do dia. Ela tirou as luvas e esticou o corpo quando o som da porta abrindo chamou sua atenção.
“Então, você priorizou seus pacientes em vez de me dar as boas-vindas?”
A voz era aguda, mas havia uma ponta de decepção nela.
Alina congelou. Ela conhecia aquela voz. Rapidamente, ela se virou para a porta, seus olhos se arregalando ao ver o homem parado ali.
“Leo?!”
O homem apenas sorriu levemente, sem responder diretamente.
“Espera… então você é o novo diretor do hospital?!” Leo se aproximou, seu sorriso se alargando. “É verdade. Você não vai me dar os parabéns?”
Alina ficou em silêncio por um momento, emoções borbulhando dentro dela: alegria, surpresa e até um pouco de constrangimento. Ela sentiu falta dele o tempo todo e, agora, Leo estava bem na frente dela.
Mas ela não era do tipo que mostrava seus sentimentos facilmente. Manter seu orgulho intacto na frente desse homem era algo que ela sempre fazia.
“Tudo bem”, ela finalmente disse, mascarando seu nervosismo com um tom casual. “Esta noite, eu vou te levar para uma boa refeição. Considere isso meu pedido de desculpas e boas-vindas pessoal.”
Leo assentiu, seus olhos brilhando com interesse. “OK. Vou aceitar sua boa vontade. E vou esperar sua promessa.”
A noite caiu, mas Alina ainda estava presa em seu trabalho. Pacientes de emergência continuavam chegando, forçando-a a ficar no hospital.
Enquanto isso, em seu escritório, Leo já estava preparado. Seu terno ainda estava impecável, seu relógio marcando suavemente a cada segundo que passava. Ele esperava que Alina o ligasse, para convidá-lo como ela havia prometido.
Mas o tempo continuou passando. Às 22h, Alina ainda não havia aparecido.
Percebendo que algo estava errado, Leo finalmente se levantou e decidiu buscá-la. Ele caminhou em direção ao escritório de Alina, apenas para encontrar sua mesa vazia.
“A Dra. Aileen ainda está na sala de operações, senhor”, informou uma enfermeira quando ele perguntou.
Leo franziu a testa. “Desde quando os turnos se arrastam até tão tarde?”
A enfermeira hesitou antes de responder: “Desde que o Dr. Borgio estava no comando, os turnos noturnos eram frequentemente empurrados para a Dra. Aileen – mesmo aqueles que não deveriam ser de sua responsabilidade.”
Os olhos de Leo se estreitaram, sua mandíbula se contraindo. “Discriminação?”, ele murmurou. “Então, todo esse tempo, Alina estava sendo tratada injustamente sob o sistema de Borgio?”
A raiva cresceu dentro dele. Sem mais palavras, Leo caminhou em direção à sala de operações. Agora que ele estava aqui, ele não permitiria que a injustiça persistisse sob sua liderança.
Leo chegou do lado de fora da sala de operações assim que Alina saiu. Ela parecia exausta, mas seu olhar permaneceu afiado.
“Leo, me desculpe… não consegui cumprir minha promessa hoje”, ela disse, pedindo desculpas.
Sem dizer nada, Leo agarrou seu pulso e a puxou. Ele a levou ao terraço do hospital, um lugar onde eles podiam conversar sem interrupções.
Uma vez lá, a brisa da noite roçou suavemente em sua pele cansada, oferecendo um momento de consolo.
“Você foi tratado injustamente por aquele velho o tempo todo?” Leo perguntou, sua voz aguda, cheia de raiva contida.
Alina deu um leve sorriso, como se não valesse a pena discutir.
“Por que você não revidou?”, ele pressionou.
Alina suspirou, seus olhos fixos nas luzes da cidade abaixo. “Há muitas coisas que você não sabe sobre mim, Leo”, ela disse suavemente. “Eu não posso simplesmente agir como eu quero neste lugar.”
Leo permaneceu em silêncio, sentindo que havia mais em suas palavras do que apenas injustiça no local de trabalho.
“Nesse caso, agora que estou aqui”, ele finalmente disse, “não vou deixar você lutar sozinha.”
Alina ficou surpresa. Ela olhou para Leo, então rapidamente deu um passo para trás, criando distância entre eles.
“Sinto muito, Leo”, ela disse, com a voz quase trêmula. “Nossos mundos são diferentes agora. Você é meu superior. Não seria bom se fôssemos vistos como muito próximos.”
Leo permaneceu em silêncio, a decepção evidente em seus olhos. Esta não era a Alina que ele costumava conhecer. Ela havia construído uma barreira entre eles, algo que não existia antes.
Ao contrário do passado, quando eles se conheciam sem fronteiras. Mas Leo não ia desistir tão facilmente.
Alina optou por ir embora, deixando Leo sozinho no terraço com seus pensamentos. Mas no dia seguinte, uma grande mudança ocorreu no hospital.
Leo havia reorganizado silenciosamente sua agenda. Chega de turnos noturnos excessivos, chega de cargas de trabalho injustas. Pela primeira vez em muito tempo, Alina conseguiu respirar mais fácil.
No entanto, sua proteção só a tornou um novo alvo aos olhos de seus colegas.
Sussurros encheram os corredores. Olhares frios a seguiram aonde quer que ela fosse. E naquela tarde, uma médica se aproximou dela na sala de descanso, seu sorriso cheio de sarcasmo.
“E aí, Aileen!”, ela cumprimentou, seu tom agudo.
Alina levantou uma sobrancelha. Ela sentiu problemas, mas optou por permanecer calma.
“Não pense que só porque o Dr. Leo está te protegendo, você pode relaxar no trabalho”, continuou a mulher, suas palavras como adagas.
Alina olhou para ela, sem expressão. Mas a mulher apenas sorriu mais largo, claramente gostando da situação.
“Mais uma coisa”, ela acrescentou, se aproximando, sua voz agora mais baixa, pingando veneno. “Não aja como se você fosse especial para ele. Você não é o tipo do Dr. Leo, então não fique muito confiante.”