Capítulo 104: Uma Proposta Repleta de Ameaças
A polícia chegou na hora certa. Felis gritou quando colocaram as algemas nela, com aquele corpo meio bêbado sendo arrastado pra fora do apartamento. As câmeras escondidas continuaram ligadas, filmando tudo ao vivo.
Depois que a poeira baixou, Alina entrou com passos rápidos. Seus olhos foram direto para Leo, que estava de costas pra janela, com a silhueta dele brilhando nas luzes da noite da cidade.
"Então... é você que criou aquela mulher louca?" A voz de Alina era fria, cheia de emoção contida. "Se divertiu com o corpinho tentador dela?"
Leo olhou para ela. Sem falar nada, ele foi pra frente e calou os lábios de Alina com um beijo.
Alina ficou chocada, tentando resistir, mas Leo não deu chance. O beijo dele era quente, selvagem, como se estivesse despejando todas as emoções que ele tinha guardado. Raiva, culpa e saudade.
Mas antes que as coisas fossem longe demais, Alina conseguiu empurrar o peito de Leo. Sua respiração estava irregular.
"Leo, ainda estamos ao vivo na câmera. Se controla", ela disse com a voz tremendo.
Leo só deu um sorriso malicioso. Sem dizer nada, ele tirou o relógio e jogou no copo de vinho na mesa, deixando-o afundar em meio aos vestígios de veneno fracassado. Então ele se aproximou de novo, dessa vez com um olhar mais profundo, cheio de dor e desejo.
"Não aguento mais, Alina..." a voz dele estava rouca, quase um sussurro. "Ela ficou me tentando com truques e mentiras... mas a única que eu sentia falta era você."
A mão de Leo tocou suavemente o rosto de Alina, um contraste gritante com a paixão que ele tinha antes.
"Hoje à noite... é a sua vez de arcar com as consequências. Sua vez de satisfazer essa saudade."
Ele empurrou lentamente o corpo de Alina em direção à cama, mas desta vez, seus movimentos não foram forçados. Havia apenas silêncio e um olhar que não continha mais mentiras.
A mão dele subiu, desabotoando a camisa dela, um botão de cada vez. Os beijos dele foram para o pescoço dela, descendo até a clavícula, criando uma trilha de calor pela pele dela. A respiração dele acelerou, e Alina começou a responder, não por derrota, mas porque seu coração também estava queimando.
Seus corpos se entrelaçaram em suspiros suaves e gemidos silenciosos. Naquela noite, não houve vingança, nem passado. Apenas duas almas finalmente se libertando. Queimando em uma chama que haviam suprimido por muito tempo.
E quando o ápice chegou, não foram apenas seus corpos que tremeram. Foi o peso do passado lentamente se desfazendo, dissolvendo-se em um abraço que finalmente encontrou seu lar.
Na manhã seguinte, o ar do hospital estava mais calmo do que o normal. Depois de uma noite cheia de turbulência, Alina finalmente pôde respirar um pouco mais aliviada. Felis tinha ido embora, o drama tinha acabado, e Leo... embora sua mente voltasse para aquele momento quente, ela o deixou de lado para se concentrar em seu trabalho como médica.
No entanto, a paz nunca durava muito na vida de Alina. Um grupo de homens de ternos pretos bem cortados se aproximou de seu escritório. Seus rostos eram sérios e imponentes. Alina parou sua atividade e olhou para eles com cautela.
Um deles deu um passo à frente e entregou a ela um envelope elegante selado com ouro.
"Doutora Aileen, o Sr. Mahesa gostaria de vê-la", ele disse brevemente e com respeito.
Todo o hospital estava agitado depois que os enviados foram embora. Enfermeiras e médicos sussurravam entre si, especulando sobre a visita. E Alina... só conseguiu respirar fundo.
"Lá vem o drama de novo", ela murmurou.
Naquela noite, Alina estava em frente a um espelho, usando um vestido de cetim vinho escuro que envolvia seu corpo elegantemente. Suas curvas eram visíveis, mas não vulgares. Em vez disso, mostrava classe e charme natural.
A escolta enviada por Mahesa a pegou em um carro de luxo. As luzes da cidade refletiam na janela quando o carro levou Alina para o restaurante exclusivo da família Mahesa. Um lugar onde pessoas comuns não podiam simplesmente reservar uma mesa.
Finalmente, eles chegaram. Um garçom se curvou respeitosamente e abriu a porta. "Por favor, entre, Senhorita. O Sr. Mahesa já está esperando por você lá dentro."
Alina entrou, seus saltos altos tocando o chão de mármore com um ritmo silencioso, mas firme. O restaurante era luxuoso, mas silencioso. O jantar foi montado em uma sala privativa no andar de cima, repleta de velas, flores frescas e música clássica suave.
"Um jantar particular? Que interessante. O que exatamente esse homem quer de mim?" ela murmurou enquanto caminhava pelo corredor.
Quando a porta se abriu, seus olhos imediatamente encontraram um homem sentado calmamente no final da mesa. Seu cabelo preto estava bem penteado, seu terno impecável e seus olhos... aguçados, mas sedutores. Um olhar que parecia ler tudo dentro dela.
"Boa noite, Doutora Aileen", ele disse enquanto se levantava e puxava uma cadeira para ela. "Finalmente, nos encontramos."
Alina deu um sorriso educado e sentou-se graciosamente. Seus olhos afiados se fixaram nos dele, tentando adivinhar a direção desse jogo.
"Sr. Mahesa, que negócios você tem que me convidou aqui hoje à noite?"
O homem se inclinou casualmente, um leve sorriso nos lábios. "Não precisa ser tão formal. Apenas me chame... Raja."
Alina resistiu à vontade de franzir a testa. Aquele nome carregava poder, e o homem claramente sabia como usá-lo.
"Eu só queria agradecer... por salvar minha vida outro dia."
Alina inclinou a cabeça ligeiramente. "Foi apenas parte do meu dever como médica. Não há necessidade de um gesto tão grandioso."
Mas Raja apenas sorriu. Ele estalou os dedos. Um garçom chegou carregando uma bandeja de veludo preto, nela uma pequena caixa de ouro.
Alina pensou que poderia ser um presente, ou algo simbólico. Mas quando a caixa se abriu, um grande anel de diamante brilhou por dentro, refletindo a luz das velas luxuosamente.
"Case-se comigo."
Alina congelou. Seu coração disparou. Não porque a proposta fosse bonita, mas porque sua aura parecia uma armadilha.
"Eu sei que você ainda é solteira", Raja continuou calmamente. "E eu não posso simplesmente deixar a pessoa que salvou minha vida ir."
Alina engoliu em seco, então deu um sorriso educado. Ela precisava ter cuidado. Lidar com um homem como Raja não era apenas uma questão de coração - era uma questão de sobrevivência.
"Não ser casada não significa que eu não tenha alguém... Eu já estou noiva, sinto muito, Sr. Raja."
A atmosfera ficou tensa. Mas Raja não ficou com raiva. Ele apenas riu baixinho, um som baixo que parecia ameaçador em sua gentileza.
"Enquanto você não estiver casada... um noivo não conta, Doutora Aileen. E... você deve saber o que pode acontecer com seu noivo se você ousar recusar minha proposta."
O olhar de Alina se intensificou. Seu coração disparou, mas seu rosto permaneceu calmo. "Ameaças não são um bom começo para nenhum relacionamento."
Raja se inclinou para trás, brincando com a borda de sua taça de vinho. "Eu não estou ameaçando. Estou apenas garantindo... que nada atrapalhe o que eu quero."
Seus olhos se encontraram. E no silêncio daquela sala de jantar luxuosa, uma coisa ficou clara. Raja não recuaria. E Alina... tinha que escolher entre enfrentar um poder que poderia destruir sua vida ou lutar para proteger seu amor.
Um silêncio sufocante preencheu a sala de jantar privativa. As velas tremulavam suavemente com o ar condicionado, como se sentissem a tensão entre os dois.
Alina endireitou as costas, encarando Raja sem hesitação. "Eu rejeito sua proposta."