Capítulo 16: Terror do Inimigo
Alina encarou Leo fixamente. Por fora, ela parecia calma, mas a mente dela tava a mil. A pergunta do Leo era uma armadilha. Se ela respondesse errado, podia ser o fim pra ela.
"Eu sou médica", ela respondeu de boas, mesmo com o coração batendo forte no peito. "E tô só fazendo meu trabalho."
Leo se encostou na cadeira, com uma expressão afiada. "Médicos normais não lidam com o mercado negro."
Antes que Alina pudesse responder, uma batida na porta interrompeu a conversa.
Leo levantou a sobrancelha. "Entra."
A porta abriu, e um homem de terno escuro entrou. O cabelo comprido dele caía pelos ombros, e um sorrisinho zombeteiro brincava nos lábios. Ele não parecia pertencer àquele lugar – chamativo demais, perigoso demais.
Leo suspirou. "Mijan, você sempre aparece nas horas interessantes."
Alina ficou tensa. Aquele nome não era estranho.
Mijan deu uma olhada rápida pra ela antes de voltar a atenção pro Leo. "Eu tenho algo que pode te interessar."
Com calma, ele colocou um envelope na mesa. Leo levou um tempão pra abrir e tirou umas fotos.
Em uma delas, mostrava um homem caído no chão, sem vida, coberto de sangue. Mas o que chamou a atenção da Alina foi o símbolo gravado no peito dele – uma cobra enrolada numa adaga. O sangue dela gelou.
Leo olhou pra cima, encontrando o olhar dela significativamente. "Parece que a gente tem um problema maior."
Mijan cruzou os braços. "E eu tenho um nome."
Ele tirou um pedacinho de papel do bolso e colocou na mesa.
Alina prendeu a respiração quando viu o nome escrito ali.
"Aileen."
O mundo pareceu parar. Ela olhou pro Leo, depois pro Mijan.
Mijan sorriu. "Você não tá sozinha, Doutora."
Leo fechou o envelope devagar. "E parece que temos muito pra conversar."
Alina agarrou os joelhos embaixo da mesa, com o olhar fixo no próprio nome escrito naquele pedaço de papel. A garganta dela secou.
"O que isso significa?" A voz dela tava rouca.
A expressão do Mijan continuou enigmática. "Ainda vai fingir, Doutora?"
Leo bateu os dedos na mesa. "Eu também queria saber, Mijan. Onde você conseguiu isso?"
Mijan deu de ombros. "Eu tenho muitos amigos em lugares escuros, Leo. Alguém tá procurando a Aileen. E pelo que eu ouvi, não é por um bom motivo."
Alina se ajeitou. "Quem tá me procurando?"
Os olhos do Mijan se afiaram. "As mesmas pessoas que mataram aquele paciente."
O peito da Alina apertou. "Eles… sabem que eu tô aqui?"
"Não com certeza", Mijan respondeu. "Mas eles suspeitam. Alguém viu uma mulher parecida com você no mercado negro. E se eles confirmarem sua identidade, você já sabe o que acontece em seguida."
Leo esfregou as têmporas. "Isso tá ficando interessante."
A mente da Alina disparou, procurando uma saída. Ela sabia que o Vasko provavelmente já tinha contado sobre o incidente do depósito pro chefe dele. Se o Marco viesse pra lá, não ia ser só perigoso pra ela – ia colocar todo mundo em risco.
'Eu não posso deixar pessoas inocentes se meterem no fogo cruzado. Mas como eu escapo sem levantar suspeitas?'
A ansiedade dela ficou mais evidente. Mijan e Leo perceberam a mudança no comportamento dela.
"Você tá bem?" Leo perguntou, com a sobrancelha um pouco franzida.
Alina forçou um sorriso, apesar da confusão por dentro dela. "Só um pouco nervosa", ela respondeu, tentando parecer convincente.
Leo a estudou por um momento antes de dizer: "O comandante disse que você tá livre de todas as acusações. Tiveram relatos sobre você obter remédios e sangue ilegalmente, mas sem provas concretas."
"É", Mijan acrescentou. "E tenho certeza que esse relatório veio dos aliados do Marco."
Alina ficou mais desconfortável. Se o Mijan sabia tanto sobre o Marco, ela precisava ter cuidado. Ela ainda não conseguia ter certeza de que lado ele tava.
"Tudo bem, eu entendi", ela disse, olhando pro relógio. "Já tá tarde. Eu preciso ir pro meu plantão."
Sem esperar uma resposta, Alina se levantou rápido e saiu, deixando o Leo e o Mijan ainda meio tensos.
Depois que ela foi embora, Mijan deu um olhar de cumplicidade pro Leo. Ele serviu um copo de vinho e perguntou numa boa: "Como tá indo a sua busca?"
Leo não respondeu de imediato. Ele ficou olhando pro copo, com uma expressão sombria.
"Você já encontrou o assassino da sua amada?" Mijan continuou antes de tomar um gole lento de vinho.
Leo permaneceu em silêncio. Um suspiro pesado escapou de seus lábios antes que ele finalmente admitisse com frustração: "Eu não consigo encontrar o assassino da Alina."
Mijan olhou pro amigo com surpresa. Essa foi a primeira vez que ele viu o Leo realmente apaixonado por alguém.
"Eu não entendo", Mijan finalmente disse. "Por que não arruma outra garota? Pensando bem, aquela médica mais cedo parecia gostar de você."
Leo deu um sorriso fraco, mas seus olhos continuavam cheios de tristeza.
"A Alina tá morta", ele disse baixinho, com o olhar distante. "Mas ela ainda vive aqui." Ele colocou a mão no peito, como se estivesse tentando acalmar a dor que nunca passava.
Mijan terminou a bebida e foi embora sem dizer mais nada. Leo ficou, deixando seus pensamentos voltarem pro passado. Pra primeira vez que ele conheceu a Alina.
Aquela noite, a chuva caía forte. O céu tava preto, as ruas quase invisíveis.
Leo tinha acabado de sair da sede dos mercenários depois de lidar com uma emergência. Mas no caminho de volta, algo chamou sua atenção. Uma garota, deitada imóvel na beira da estrada.
Ele se aproximou. Depois de verificar de perto, ele percebeu que ela ainda tava respirando – por pouco. As feridas dela eram graves, o sangue se misturando com a chuva, manchando o asfalto. Sem hesitar, Leo a levantou e levou pra casa.
Aquela noite, ele cuidou dos ferimentos dela. E quando ela finalmente recuperou a consciência, a primeira coisa que ela fez foi apontar uma arma pra ele.
"Quem é você?!"
Leo apenas sorriu. "Só alguém tentando ajudar."
Os pensamentos de Leo foram interrompidos quando o telefone dele tocou. Rapidamente, ele pegou e atendeu.
Uma voz tensa saiu. "Doutor, más notícias! Nosso depósito de armas e suprimentos foi atacado! Muitos dos nossos soldados foram pegos!"
Leo imediatamente se levantou, com a mandíbula travada, sua expressão afiada. "Quem tá atacando?"
"Não temos certeza ainda, mas eles são rápidos e muito organizados. Precisamos de reforços agora!"
Sem perder tempo, Leo correu pra porta. Mas antes que ele pudesse sair, Mijan o interrompeu com uma mão firme.
"Você tem certeza de que isso é só um ataque aleatório?" Mijan perguntou sério.
Leo estreitou os olhos. "O que você quer dizer?"
Mijan jogou o envelope com as fotos na mesa. "Os atacantes podem ser as mesmas pessoas procurando a Aileen."
Leo ficou em silêncio por um momento. Ele sabia que tinha mais coisa ali do que só um ataque aos suprimentos deles. Se isso realmente envolvia a Aileen, então os inimigos deles eram muito mais perigosos do que ele imaginava.
"Nesse caso, precisamos agir rápido", ele murmurou.
Sem hesitar, Leo e Mijan saíram da sala. Eles sabiam que não se tratava apenas de perder armas e comida – podia ser o começo de uma guerra muito maior.
Enquanto isso, em outro lugar…
Alina correu por becos estreitos, com a respiração rápida e irregular. Tinha alguma coisa errada. Ela sentia olhos nela a noite toda.
'Eles me encontraram?'
Suor frio escorria pela têmpora dela. Se os inimigos dela realmente tivessem rastreado ela, então nenhum lugar tava seguro.
Ao virar uma esquina, uma mão puxou ela pras sombras de repente. Ela quase gritou, mas uma mão firme cobriu a boca dela bem a tempo.
"Não se mexe", uma voz baixa e familiar sussurrou.
Alina ficou tensa, com os olhos arregalados quando reconheceu o homem na frente dela.
"Vasko…"
O homem sorriu. "Achou mesmo que ia fugir de mim, Aileen?"