Capítulo 22: Uma Vida à Beira da Ameaça
“Tô te ouvindo, Diretor.”
A voz de uma mulher veio do telefone, fria e afiada. O interlocutor congelou na hora, com a cara pálida como se tivessem arrancado metade da alma dele.
Mas a mulher não deu moleza. A voz dela continuou, pressionando sem parar.
“Então é você o cérebro por trás de tudo? Achou que eu não ia descobrir? Tá com medo de eu expor o seu podre?” A voz dela era desafiadora, furando direto no coração da conversa. “Escuta bem. Se você tem culhão mesmo, me enfrenta de frente. Não arrasta gente inocente pro seu joguinho sujo!”
Tut! Tut! Tut!
A ligação acabou na lata. Calma, Alina devolveu o telefone pro Raka.
“Ele não vai mais te encher a paciência,” ela disse baixinho, cheia de certeza. “Se ele tentar te passar a perna, não pensa duas vezes antes de revidar.”
Raka ficou calado. Tinha admiração e medo nos olhos dele. A mulher na frente dele era fora da curva. Mas… a parada não era tão simples.
“Mas… minha mãe…” ele murmurou fraquinho, cheio de preocupação. “Ela ainda tá na UTI… e as contas do tratamento são enormes. O Diretor pode parar o tratamento dela ou dificultar a papelada a qualquer momento. Tô com medo que ele use ela pra me chantagear.”
Alina cerrou os punhos. “Enquanto esse diretor tiver controle total das verbas e das políticas do hospital, ele pode fazer o que quiser.” O olhar dela se afiou, cheio de determinação. “Mas quanto antes a gente reagir, menos chance ele vai ter de encostar na sua família.”
Raka encarou Alina por um tempão, como se visse um raio de esperança no meio da escuridão.
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Enquanto isso, em outro lugar, um homem de meia-idade bateu o telefone com força na mesa, quase quebrando tudo. A cara dele ficou vermelha, os olhos saltando de raiva.
“Que diabo é aquela garota?! Como ousa me desafiar assim!” ele rosnou, rangendo os dentes de ódio. “Vamos ver… Vamos ver se ela continua tão valentona depois dessa.”
Sem pensar duas vezes, ele apertou o botão do interfone na mesa dele. A voz dele ecoou afiada pelo sistema de som do hospital.
“Dr. Nathan, na minha sala. Agora!”
Em um instante, a atmosfera do hospital ficou tensa. Enfermeiros e médicos trocaram olhares, cochichos preenchendo o ar entre as tarefas.
“O que tá rolando? Por que o Diretor tá tão furioso?” uma enfermeira perguntou.
“Não faço ideia… Nunca vi ele tão bravo. Será que o Dr. Nathan fez alguma cagada feia?”
“De jeito nenhum! O Dr. Nathan é o mais certinho daqui. Se ele tá levando bronca, é porque o bagulho tá sinistro,” outro respondeu.
Não muito tempo depois, um homem de jaleco branco correu em direção ao escritório do diretor. A cara dele tava calma, mas os passos rápidos traíam o nervosismo.
Assim que a porta fechou, a tensão aumentou. O Diretor ficou parado com as duas mãos na mesa, respirando pesado, os olhos afiados.
“Por que me chamou, Senhor?” Nathan perguntou com cuidado.
“Você conhece sua protegida? Aileen!” o diretor cuspiu. “Ela teve a audácia de me ameaçar! Aquela garota insolente!”
Nathan franziu a testa. Na cabeça dele, Aileen não era do tipo que arrumava confusão. Ultimamente, a atitude dela tinha mudado um pouco depois do acidente… mas desafiar o diretor na cara dura? Aquilo parecia impossível.
“Me desculpe, Senhor. Eu vou falar com ela,” Nathan respondeu calmamente, embora sua mente estivesse a mil. “Mas… se me permite perguntar, qual é exatamente o problema entre o senhor e Aileen?”
O diretor ficou rígido. O rosto dele, que geralmente era autoritário, ficou estranhamente desconfortável de repente.
“Esquece. Fica fora dessa,” ele disse rapidamente, quase nervoso.
Nathan fez uma reverência educada. “Entendido, Senhor.”
Mas por dentro, a decisão já estava tomada. “Tenho que descobrir o que tá realmente acontecendo.”
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Pouco tempo depois de sair do escritório, Nathan ligou pra Alina.
“O que você aprontou, Aileen?” Nathan perguntou na lata, o tom meio decepcionado, meio preocupado. “Por que você ousaria desafiar as ordens do Diretor?”
Do outro lado da linha, Alina zombou baixinho.
“Não fiz nada, Doutor,” ela respondeu casualmente. “Só defendi alguém que estava sendo intimidado. Qual o problema?”
As palavras saíram firmes, sem um pingo de dúvida. Mas antes que Nathan pudesse dizer mais nada, outra explosão sacudiu o prédio. Os ataques estavam ficando mais intensos. Uma enfermeira correu até Alina.
“Dra. Aileen! Paciente crítico—preso sob os escombros!”
Sem hesitar, Alina correu em direção ao abrigo de emergência. Seus olhos pousaram imediatamente no novo paciente—um jovem soldado. O ferimento no pescoço dele era grave.
“Dino, vinte e quatro anos. Pressão arterial caindo,” veio um relatório rápido.
Um pedaço de metal longo estava enfiado no lado direito do pescoço dele. A posição era perigosa, a poucos centímetros da artéria carótida e da medula espinhal.
Uma enfermeira entrou em pânico. “Dra. Aileen, essa ferida tá muito perto dos nervos! A gente espera um neurocirurgião?”
Alina mordeu o lábio, checando o pulso fraco do Dino. O rosto dele estava mortalmente pálido.
Ela ligou pro Leo rapidinho. “Leo, paciente crítico! Preciso de um neurocirurgião agora!”
Mas a voz do Leo estava apressada e cheia de chiado. “Desculpa… tô… lidando com um paciente com hemorragia cerebral… não posso sair… É com você!”
“Leo! A parada é séria! Eu não sou neurocirurgiã!”
“Eu sei… mas você é a única chance dele.”
A ligação caiu. Se foi por falta de sinal ou por escolha dele, ela não sabia.
“Já lidei com ferimentos no pescoço antes… talvez seja o suficiente,” ela murmurou.
Então ela se virou pra equipe. “Vamos operar agora. Se a gente atrasar, ele não sobrevive.”
A equipe médica preparou a mesa de operação e assumiu suas posições.
Alina respirou fundo, segurando o bisturi com firmeza. “Certo. Vamos nessa. Mesmo que as chances sejam pequenas.”
Ela colocou as luvas rapidamente. Suor frio escorria pelas têmporas—não de medo, mas do peso de uma vida humana em suas mãos. Alina estava prestes a ultrapassar seus limites.
“Prepara os instrumentos. Esteriliza a área da ferida,” ela ordenou com firmeza. “Mantém a pressão arterial dele estável o tempo todo.”
A equipe se moveu rapidamente. Apesar do estrondo distante das explosões, a sala de emergência do abrigo parecia estranhamente silenciosa. Todos os olhos estavam em Alina.
Não porque duvidassem dela—mas porque sabiam… aquele não era o campo dela. Um pequeno erro, e Dino poderia morrer.
Alina respirou fundo. No coração dela, ela sussurrou, “Fica calma. Foca. Não é sobre títulos ou especialidades. É sobre salvar uma vida.”
Ela segurou o bisturi com força. Com movimentos cuidadosos, ela começou a expor a área ao redor do pedaço de metal, certificando-se de que não atingisse a artéria principal.
“Espátula. Sucção,” ela disse baixinho.
O tempo pareceu diminuir. Sangue escorria, mas, por enquanto, tudo estava sob controle. Alina continuou trabalhando, suas mãos firmes, sua mente correndo contra o relógio.
De repente, o monitor apitou. Os batimentos cardíacos do Dino enfraqueceram.
“Pressão arterial caindo!” uma enfermeira gritou.
“Aumenta o soro! Rápido!” Alina se manteve calma, embora seu peito estivesse apertado. Ela olhou para o rosto pálido do Dino, então refez o foco. “Estamos quase lá… fica com a gente.”
Com movimentos precisos, ela extraiu cuidadosamente o pedaço de metal. Todo mundo prendeu a respiração. Um ângulo errado, e a artéria poderia se romper.
Shrrk.
O pedaço saiu limpo. Mas não tinha acabado. A ferida estava aberta, precisando ser fechada imediatamente.
“Sutura a camada interna primeiro. Depois fecha a externa. Não deixa a pressão arterial dele cair de novo.”
A equipe trabalhou rápido. Embora não fossem a equipe cirúrgica principal, naquela noite, eles se moveram como profissionais experientes.
Minutos que pareceram horas se passaram. Quando o último ponto foi colocado, Alina recuou. A respiração dela era irregular, o suor encharcando suas costas.
“Estabiliza ele. Monitora nas próximas duas horas. Qualquer alteração, me liga imediatamente.”
“Sim, Doutora!”
O alívio tomou conta da sala. Dino estava seguro… por enquanto. Alina tirou as luvas, caindo em uma cadeira próxima. Seu peito subiu e desceu—não apenas de exaustão, mas de perceber que ela acabara de fazer o quase impossível.
Uma voz baixa falou atrás dela. “Você é incrível.”
Raka estava na porta, observando-a com admiração.
Alina olhou para ele. “Não me chama de louca. Já pensei isso sozinha.”
Raka deu um sorriso pequeno. “Não louca. Só… nunca vi uma médica tão corajosa.”
Alina suspirou. “Não é sobre coragem. Se eu não tivesse entrado, quem faria? A gente não tem tempo pra esperar por heróis.”
Silêncio por um momento antes que Raka perguntasse baixinho, “Então… depois disso, você ainda vai desafiar o Diretor?”
Alina se levantou, seu olhar afiado encontrando o dele. “Não só desafiar ele.” Um sorriso fraco passou pelos lábios dela. “Eu vou derrubá-lo.”