Capítulo 33: Tentação em Meio ao Caos
Alina e Leo se encararam, a respiração deles estava pesada. O terremoto tinha sido rápido, mas pareceu uma eternidade. Quando os tremores diminuíram, tudo o que restou foram ruínas e silêncio. Eles sobreviveram.
Mas nem todo mundo teve a mesma sorte. Leo rapidamente entrou em ação, checando os moradores afetados. Algumas casas foram destruídas e várias pessoas ficaram feridas. Ele ajudou-os a se levantar, garantindo que ninguém sofresse traumas sérios.
Enquanto isso, Alina se aproximou de uma árvore caída que havia esmagado um dos bandidos. Seus olhos estudaram o corpo sem vida com cautela. Ela se abaixou, verificando se havia algum sinal de vida—não havia nenhum.
Mas algo mais chamou sua atenção. Espiando através da camisa rasgada do bandido, havia uma tatuagem marcante em seu braço esquerdo. Alina prendeu a respiração. Ela reconheceu aquela tatuagem—uma cobra enrolada em uma adaga, o símbolo do grupo de Marco.
A sua mão apertou, e os seus olhos queimavam de fúria. "Então eles são mesmo homens de Marco…"
Um fogo acendeu em seu peito. Marco—aquele desgraçado astuto—não era um criminoso comum. Ele estava explorando esta aldeia para seu próprio negócio imundo, usando esta área remota como rota de contrabando sem se importar com as consequências.
"Bastardo," ela murmurou.
Antes que pudesse pensar mais, a voz de Leo chamou de longe.
"Aileen! O que você está fazendo aí?" ele gritou. "Me ajuda a tratar os feridos!"
Alina saiu dos seus pensamentos. Ela se virou, vendo Leo ocupado cuidando dos moradores. Apertando a mandíbula, ela rapidamente se levantou e correu em direção a ele.
O problema de Marco estava longe de terminar. Mas por agora, havia assuntos mais urgentes para tratar.
Alina se ocupou ajudando Leo a tratar as vítimas do terremoto. Alguns tiveram ferimentos leves, enquanto outros permaneceram em choque, tremendo e incapazes de falar. Eles fizeram o seu melhor para acalmar as vítimas, limpando as feridas com o que tinham.
A meio do caos, o chefe da aldeia se aproximou deles, com uma expressão séria.
"O que aconteceu exatamente?" ele perguntou.
Alina explicou sobre os bandidos que os haviam atacado mais cedo. Mas algo mais a estava incomodando.
Depois de uma breve hesitação, ela perguntou: "Durante desastres como este… a aldeia já recebeu ajuda do governo?"
A expressão do chefe mudou ligeiramente, embora ele tenha permanecido composto. "Nunca," ele respondeu em poucas palavras.
Alina congelou, suas mãos parando enquanto ela enfaixava a ferida de um aldeão. "Nunca…?" ela repetiu, como se precisasse de confirmação.
Na cidade, mesmo o menor desastre traria ajuda imediata—veículos voluntários, equipes médicas, abrigos, suprimentos de alimentos—todos chegando em questão de horas. Mas aqui?
"Suportamos dois grandes desastres," o chefe continuou, com a voz tingida de amargura. "Mas os únicos que vieram da cidade foram vocês dois—apenas médicos, sem equipamento adequado, sem suprimentos de alimentos."
Alina cerrou os punhos. Seu coração estava pesado.
"Então… como vocês sobrevivem?" ela perguntou suavemente.
O chefe soltou um longo suspiro. "Nós confiamos uns nos outros. Os aldeões ajudam a reconstruir as casas, a juntar o que resta de comida. Nós aguentamos… até a próxima colheita."
Alina abaixou o olhar, uma mistura de raiva e tristeza crescendo em seu peito. Era como se esta aldeia tivesse sido esquecida. Como se eles não existissem no mapa do governo. E, com certeza…
Dias se passaram, mas nenhuma ajuda chegou. Alina ainda se apegava à esperança de que alguém da cidade viesse com ajuda, mas essa esperança lentamente desapareceu. Os dias se transformaram em semanas, as semanas em meses. Ainda assim, ninguém veio.
Sentada na entrada da aldeia, Alina olhava fixamente para a estrada de terra que deveria ter levado à salvação.
"O que você está esperando?" A voz de Leo de repente interrompeu seus pensamentos.
Ela se virou para vê-lo parado ali, com uma expressão relaxada.
"Ajuda," ela murmurou. "Você não consegue ver a condição deles?"
Leo seguiu o olhar dela. Os aldeões estavam lentamente se levantando de seu desespero, trabalhando juntos para reconstruir suas casas.
"Em vez de ficar por aí, por que não os ajudamos?" ele disse casualmente. "Você pode ajudar as mulheres e eu ajudarei os homens na construção."
Sem esperar por sua resposta, Leo se afastou. Alina soltou um suspiro silencioso antes de se levantar para segui-lo.
Na cozinha improvisada, ela se juntou às mulheres para preparar as refeições com os poucos suprimentos que tinham. Suas mãos mexiam na panela, mas sua mente vagava para outro lugar. Ou melhor—para alguém.
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Enquanto ela olhava para os homens trabalhando, seus olhos imediatamente pousaram em Leo.
Ele havia tirado a camisa, revelando seus músculos tonificados. Suor brilhava em seu peito, escorrendo por seu torso bem definido. Ele levantou um feixe de palha com facilidade, içando-o para um telhado.
Alina engoliu em seco, sentindo uma sensação estranha invadi-la. Por que ele tem que parecer tão… atraente?
"Ei, Doutora! O que você está fazendo?" uma das mulheres provocou.
Alina pulou, saindo de seu transe. "E-Eu? Nada!" ela gaguejou, rapidamente refocando na comida.
As mulheres trocaram olhares de cumplicidade antes de rir suavemente. Elas sabiam exatamente o que estava acontecendo.
"Ah, amor jovem," uma delas murmurou brincalhona.
"Nós éramos assim uma vez, não é?" outra acrescentou com uma gargalhada.
Alina podia sentir seu rosto esquentando. Ela tentou ignorá-las, mas era impossível não se sentir envergonhada—especialmente quando a risada delas ficou mais alta.
Enquanto isso, o homem no centro de sua conversa permaneceu alheio, muito focado em seu trabalho. Alina exalou bruscamente. Este vai ser um longo dia.
Quando chegou a hora da refeição comunitária, ela escolheu deliberadamente um assento longe da fonte de sua distração—mais especificamente, longe de Leo, que ainda estava sem camisa.
Por que ele não está com frio? Ou pelo menos ciente de que sua presença é… distrativa? Mas as mulheres da aldeia não tinham intenção de deixá-la em paz.
"Doutora, traga comida para o Dr. Leo," uma delas sugeriu com um tom provocador.
"Sim, o pobre Dr. Gato não tem ninguém para servi-lo," outra acrescentou com um sorriso malicioso.
Alina pigarreou, tentando ignorá-las. Mas a fuga era claramente impossível.
"Se eu fosse você," uma mulher sussurrou, "eu ficaria grudada no Dr. Leo como cola."
Uma risada suave ecoou entre elas, enquanto Alina só podia corar mais forte.
"Ah, qual é," ela murmurou, fingindo irritação. "Leo pode pegar sua própria comida."
Mas as mulheres foram implacáveis. Com surpreendente agilidade, elas a empurraram em direção à mesa de serviço—diretamente para Leo.
Alina quase tropeçou, mas rapidamente recuperou o equilíbrio. Ao levantar a cabeça, seus olhos se encontraram.
Leo, no meio de se servir uma bebida, ergueu uma sobrancelha. "O que foi?" ele perguntou casualmente.
Alina bufou suavemente. "Coma," ela disse, colocando um prato na frente dele, sua voz ligeiramente irritada.
Leo a estudou por um momento antes de sorrir. "Valeu, Doutora."
Alina desviou o olhar, enquanto as mulheres atrás delas sufocavam suas gargalhadas.
'Meu Deus. Este vai ser realmente um longo dia.'