Capítulo 19: Rota da Morte
Desde o momento em que Lana ficou desacordada na UTI, Alina mal saiu do lado dela. Para lá e para cá ela andava naquele quarto estreito, seus olhos nunca se desviando da figura frágil de sua melhor amiga. As feridas eram profundas demais. Graves demais. E a cada segundo que passava, o medo dentro dela só ficava mais pesado, sufocando seu peito.
Do outro lado da sala, Leo ainda estava ocupado tratando outro paciente. Seu rosto estava pálido de exaustão, mas suas mãos permaneciam firmes e precisas. Por dias, eles estavam aguentando ali, salvando quem podiam. Mas hoje… hoje, o ar parecia diferente. Mais pesado. Como se uma tempestade estivesse chegando.
E essa tempestade chegou no momento em que a porta se abriu.
O soldado entrou correndo, sem fôlego, com o rosto tenso.
"Doutor! As forças de Marco estão chegando! As ordens do comandante são claras. Evacuar agora. Pacientes críticos primeiro!"
Leo imediatamente se levantou. "Quanto tempo temos?"
"Quinze minutos, no máximo! Nossos homens vão segurá-los no portão sul. Vocês precisam sair pela saída oeste!"
Alina congelou, seu olhar caiu sobre o corpo fraco e imóvel de Lana. Seu coração afundou.
"Se a movermos agora… ela pode não aguentar", ela sussurrou, mal audível.
Leo se aproximou, sua mão pousando gentilmente em seu ombro.
"Não temos escolha. Eu vou te ajudar. Vamos mantê-la viva."
O soldado tentou tranquilizá-los, embora seus olhos mostrassem o mesmo medo que todos sentiam.
"Não se preocupe. Concentrem-se nos seus pacientes. Vamos protegê-los até que estejam seguros."
Alina engoliu em seco, assentindo fracamente. Isso não era apenas sobre sobrevivência. Era sobre salvar todos que podiam… antes que fosse tarde demais.
"Para onde estamos indo?" Alina perguntou enquanto se apressavam com os preparativos, sua voz trêmula, mas firme.
Leo hesitou. Sua mente calculava riscos, resultados. Mas no segundo seguinte, ele deu um aceno firme.
"Tem um lugar seguro. Confie em mim."
Sem perder mais um segundo, Alina se moveu.
Seu único pensamento agora era sair antes que os homens de Marco fechassem todas as saídas.
"Eu sei que ele está vindo por vingança… porque eu matei Vasko", ela pensou sombriamente, agarrando a mão fria de Lana com mais força.
Quando todos estiveram prontos, eles se moveram rápido. Os pacientes críticos foram carregados em caminhões militares, enquanto Leo, Alina e Lana foram acomodados dentro da ambulância.
Antes de partirem, Leo se virou para o líder da comitiva.
"Fiquem perto. Não percam a formação."
Sob a cobertura da noite, a comitiva escapou, os motores ronronando suavemente no silêncio.
Alina checava Lana repetidamente durante o trajeto. O rosto de sua melhor amiga estava pálido como fantasma, seu corpo imóvel, seu pulso mal aguentando. A cirurgia havia drenado a pouca força que ela tinha sobrado. E agora… agora eles estavam forçando-a através desse pesadelo de fuga.
Leo continuava olhando para trás. Ele via a ansiedade em todo o rosto de Alina. Mas ela permaneceu forte, protegendo Lana como se sua própria vida dependesse disso.
Luzes de rua fracas tremeluziam sobre a estrada, como se estivessem se juntando à noite em sua tensão sufocante.
"Para onde exatamente estamos indo?" Alina finalmente perguntou, sua voz baixa, mal mascarando sua preocupação.
Leo suspirou.
"Hospital subterrâneo do Damien. Ele me deve uma vida. Se alguém pode proteger Lana agora… é ele."
"Damien."
Alina se lembrava bem dele. O mercenário lendário que Leo uma vez salvou. Ela estava se recuperando naquele mesmo hospital na época, seu próprio corpo dilacerado por guerras da máfia. Damien nunca falou com ela, mas a maneira como ele olhava para as pessoas… Alina sabia que ele não era alguém para levar na brincadeira.
Ouvir seu nome agora trouxe uma pontada de alívio.
Se Damien estivesse esperando por eles, talvez — só talvez — eles tivessem uma chance.
"É longe?" ela perguntou baixinho.
Leo cerrou a mandíbula. "Quatro horas, se tivermos sorte. Mas se os cães de Marco nos alcançarem… teremos uma luta em nossas mãos."
Alina encontrou seu olhar, seus próprios olhos afiados como aço.
"Se alguma coisa acontecer, não espere que eu deixe Lana para trás."
Leo deu um sorriso fraco e cansado. "Ninguém vai deixar ninguém para trás, Alina. Vamos sair juntos."
Mas antes que a tensão pudesse se estabelecer, o rádio crepitou. "Doutor Leo! Drones inimigos avistados. Eles estão nos seguindo!"
Leo endireitou-se instantaneamente. "Entendido. Desviar para o norte. Fiquem fora da estrada principal. Damien deve ter um caminho pronto."
A mão de Alina em Lana apertou.
"Só mais um pouco, Lan. Por favor, aguente", ela sussurrou.
Leo mudou os canais, sua voz caindo baixo.
"Damien. É o Leo. Temos problemas. Você está pronto?"
A resposta veio rápida, fria como sempre.
"Por você? Sempre. Portão de aço norte. Os sistemas de defesa estão ativados."
Eles só estavam na estrada há meia hora, mas a tensão era sufocante. O caminho estreito e rochoso sacudia a ambulância enquanto o luar filtrava fracamente pela janela.
Leo continuava checando o espelho.
"Droga. Três veículos nos seguindo. Definitivamente os homens de Marco."
A conversa no rádio voltou, o pânico aumentando.
"Eles estão fortemente armados. A distância está diminuindo rapidamente!"
Alina respirou fundo, seu olhar fixo em Lana.
"Não importa o que aconteça… vamos sair daqui juntos."
Uma explosão ecoou atrás deles. A ambulância cambaleou quando uma explosão atingiu a estrada.
Alina quase perdeu o equilíbrio, lutando para estabilizar o soro de Lana.
"Concentre-se nela. Eu cuido disso", disse Leo, diminuindo as luzes do painel para se esconder dos drones.
O caminhão militar à frente aumentou a velocidade. Soldados pularam para proteger a lateral.
"Mantenham a linha! Não deixem eles passarem!" o oficial latiu.
Tiros irromperam. Balas atingiram as árvores e os veículos.
Alina se abaixou, protegendo Lana com seu corpo.
"Leo!" Alina gritou. "Não vamos durar muito assim!"
Leo digitou rapidamente no comunicador.
"Damien. Distração. Agora."
Segundos depois, uma explosão enorme sacudiu a estrada à frente. As chamas subiram alto, cortando seus perseguidores.
"Segurem-se!" Leo virou bruscamente, a ambulância rasgando por um caminho escondido em um túnel antigo.
Os tiros diminuíram atrás deles, bloqueados por escombros.
Dentro do túnel, Leo diminuiu a velocidade.
"Respirem. Temos um momento."
Alina verificou Lana — e seu coração quase parou.
"Leo… o pulso dela… está caindo…" ela sussurrou, tremendo.
O ar na ambulância ficou insuportavelmente pesado. Alina agarrou o braço de Lana como se pudesse fisicamente manter sua alma no lugar.
Leo manteve os olhos fixos, a voz baixa e firme.
"Não a deixe ir, Alina. Já estamos quase lá."
Alina engoliu o pânico, se aproximando.
"Por favor, Lana… fique comigo. Não desista agora… por favor…"
O tempo desacelerou dentro da ambulância.
O zumbido do motor misturado com o bipe fraco do monitor cardíaco de Lana.
Cada segundo se arrastava como para sempre.
Então, assim que saíram do túnel, Leo xingou em voz baixa.
"Eles encontraram o túnel. Merda!"
Faróis brilhavam na distância, se aproximando rapidamente.
"Preparem-se. Isso não acabou."
Alina segurou Lana com mais força.
"Se essa ambulância for atingida, estamos acabadas!"
O rádio tocou novamente.
"Doutor Leo! Inimigo se aproximando. Vamos montar uma barricada final na saída do túnel!"
"Bom. Não os deixem passar!"
Soldados pularam, colocando minas de emergência e armadilhas de fogo na boca do túnel.
Uma explosão ensurdecedora se seguiu. As chamas iluminaram a noite, eliminando dois veículos inimigos. Mas mais estavam chegando. Desta vez, com armas mais pesadas.
Balas rasgaram o ar. Uma janela estilhaçou, vidro espalhado por todos os lados.
Alina se abaixou, cobrindo Lana novamente.
"Não sei quanto tempo mais podemos aguentar!" Alina gritou.
Leo pegou o rádio.
"Damien! Estamos sem tempo! Abra o portão agora!"