Capítulo 79: Uma Nova Surpresa
A Indry tava se acostumando com a vida de dona de playboys. O desconforto e a vergonha que antes a perseguiam, já tinham sumido faz tempo, engolidos pelas boladas na conta. Ela sabia que tudo era por um motivo: vingança contra a Alina. E grana era a arma dela.
Enquanto isso, a Alina tinha acabado de sair da clínica. A calmaria da tarde virou tensão de repente quando dois caras estranhos apareceram do nada, agarrando ela e tentando arrastar. Mas eles escolheram o alvo errado.
Com movimentos rápidos e treinados, a Alina agarrou o pulso de um dos caras e jogou o corpo bombado dele no chão. O outro tentou bater, mas não teve sorte. Em segundos, os dois tavam caídos no chão, sem se mexer. A Alina deu uma encarada fria neles, e depois saiu andando como se nada tivesse rolado.
Um dos caras, quase não conseguindo se mexer, pegou o celular com a mão tremendo e ligou pra alguém.
A Indry, em outro lugar, no meio de um date com um cliente, recebeu a notícia. A mão dela virou um punho, o rosto vermelho de raiva.
"Quê? Perderam? Eu paguei uma fortuna!"
A vergonha se misturou com uma raiva que queimava nos olhos dela. A Alina sempre conseguia fazer ela se sentir derrotada. Mas dessa vez, a Indry não ia desistir.
No meio da fúria, uma voz calma e profunda do cara do lado dela quebrou o silêncio do quarto de hotel chiquérrimo.
"Quem tá te incomodando? Quer que eu resolva?"
A Indry se virou devagar, olhando pra ele com um sorriso cheio de malícia. Ela passou a mão no peito dele, que era firme, e provocou: "Tem certeza que quer ajudar? E se você vier com mais das suas condições estranhas?"
O cara deu um sorrisinho e puxou ela pra perto. "Não é isso que você mais ama?" ele sussurrou no ouvido dela, com a voz grave e sedutora.
A Indry soltou uma risadinha, mas a raiva ainda tava fervendo por dentro. Ela sabia que aquele cara não era normal. Se ele quisesse, podia balançar o mundo. Talvez… a vingança contra a Alina podia ser mais bonita, mais dolorosa, e muito mais mortal.
"Tudo bem", a Indry falou, brincando com as pontas dos dedos no peito dele. O olhar dela tava afiado, mas os lábios formavam um sorriso doce. "Quero que você cuide dela. Depois… eu te dou qualquer parada que você pedir."
O cara sorriu maliciosamente. Em um instante, ele puxou a Indry pra perto, os corpos quase se tocando. A respiração dele tava quente no pescoço dela quando ele sussurrou com firmeza, "Então vamos cuidar dos nossos negócios primeiro… e depois eu vou destruir sua inimiga."
A Indry ficou quieta por um momento. O coração dela tava disparado, não sabia se era por desejo ou pela ideia de que a Alina ia ser destruída. Não pelas mãos dela, mas pelo cara perigoso que agora a segurava. E pela primeira vez… ela sentiu que tinha a situação nas mãos.
Na casa dela, que era simples e minimalista, a Alina tava sentada no escritório dela, cercada por arquivos da clínica. A noite tava avançada, mas a mente dela ainda tava cheia de pacientes, diagnósticos, responsabilidades.
Toc! Toc! Toc!
O barulho na porta assustou ela. Sem a menor desconfiança, a Alina se levantou e abriu.
Mas não era um vizinho simpático ou um entregador. Alguém partiu pra cima dela como um raio, balançando uma arma afiada em direção ao pescoço dela.
Por instinto, a Alina se abaixou e deu um passo pra trás. A faca passou raspando. O homem mascarado não disse nada, só continuou atacando como um animal selvagem que ia matar.
A Alina rolou pro lado, pegou um vaso de flores da mesa e jogou na cara dele. O barulho alto não assustou ele. Ele só sorriu friamente por trás da máscara preta.
Uma briga feia começou dentro da casa da Alina. Cadeiras caíram, uma mesa rachou, objetos voaram. Mas a Alina não era uma mulher qualquer. Os instintos dela eram afiados, os movimentos dela, rápidos. Ela se defendeu, revidou e bateu com precisão.
Pra ela, era mais do que sobreviver. Era descobrir quem ousava atrapalhar a vida dela. E dessa vez, ela não ia deixar ninguém sair sem respostas.
Ela bloqueou mais um ataque do homem mascarado, e encontrou uma brecha pra pegar a máscara dele. Eles lutaram ferozmente, corpos colidindo, respiração pesada. O cara tentou recuar, mas a Alina foi mais rápida. Ela arrancou a máscara de pano com força.
Rá!
O tecido rasgou. E sob a luz quente da sala dela, o rosto do atacante finalmente apareceu.
A Alina congelou. Os olhos dela arregalaram.
"Dozer?!"
O cara cambaleou, quase dando um passo pra trás. O olhar dele ficou afiado, confuso e… apavorado.
"Quem é ela?" ele pensou rápido. Aquele nome… só meu irmão Axel e o chefe sabiam. Ninguém mais. Mas essa mulher…"
"Dozer, você tá vivo?" A voz da Alina tremia, mas as palavras dela eram claras. "O Axel não disse… que você morreu naquela missão, seis anos atrás?"
Agora, o cara ficou parado de verdade. Todos os instintos assassinos dele sumiram, substituídos por algo mais profundo: desconfiança, cautela.
"Quem é você?" ele perguntou friamente, devagar, mas com muita pressão. "Como você sabe meu codinome? E… você conhece meu irmão?"
A Alina respirou fundo. Os olhos dela se fixaram no cara que antes era só um fantasma do passado. Alguém que ela nunca imaginou que ia ver de novo.
"Você não vai acreditar no que eu vou falar…" a voz dela era suave, mas cada palavra cortava o ar. "Mas primeiro, quero dizer… sinto muito pela morte do Axel."
O rosto do Dozer endureceu.
A Alina continuou, "Ele… ele morreu salvando minha vida. Sinto muito. Sinto muito mesmo não ter conseguido salvar ele a tempo…"
O Dozer ficou em silêncio. A mandíbula dele travou. A respiração pesada, como se algo por dentro dele estivesse prestes a explodir.
"Para", ele murmurou, a voz tremendo. "Você tá mentindo. O Axel não ia se sacrificar por qualquer um."
"Eu não era qualquer uma pra ele", a Alina disse baixo. "E ele não era qualquer um pra mim."
Por um momento, só teve silêncio. Entre os móveis quebrados e as respirações ofegantes, duas pessoas de mundos diferentes estavam cara a cara. Os dois carregavam segredos, cicatrizes e vingança.
Mas naquela noite, algo começou a mudar.
A Alina olhou pro Dozer com os olhos cheios de dor, mas também com coragem. Ela sabia que era hora de revelar a verdade que ela escondeu por anos. A verdade que até o Axel levou pro túmulo.
"Eu sou a Alina", ela disse, suavemente mas com firmeza.
O Dozer franziu a testa, ainda sem entender.
A Alina chegou mais perto. Sem mais medo no rosto. Só a realidade que ficou enterrada por trás da nova identidade dela.
O Dozer congelou.
"Sim, Black Widow", a Alina confirmou, terminando a frase. "Sua chefe… e do Axel. Na nossa vida passada."
O coração do Dozer pareceu parar. A boca dele abriu, mas nenhuma palavra saiu. Os olhos dele arregalaram, tentando combinar a mulher gentil na frente dele com a líder lendária que ele serviu.
"Não…" ele sussurrou. "Black Widow… sumiu no incidente de sete anos atrás. Todo mundo achou que você tinha morrido."