107: Entre Amor e Ódio
Alina chegou mais perto, mas os olhos dela estavam frios. 'Você quer que eu me renda, Raja? Então me mostra que tipo de mundo você oferece, e vamos ver se eu caio… ou se eu te destruo por dentro.'
O sorriso do Raja não sumiu. 'Desafio aceito, Aileen.'
Então ele pegou na mão da Alina e a levou para o centro da festa, pro jogo mais perigoso que já existiu. Um amor coberto de poder, e desejo construído em cima de feridas.
Raja tratava a Alina como uma rainha, a única mulher na vida dele. O jeito protetor e atencioso dele deixava muitas mulheres com inveja, até rolando uns bafos pelas costas. Mas o Raja não tava nem aí. Ele mantinha a Alina longe dos olhares maldosos e protegia ela de todas as palavras afiadas que vinham na direção dela.
Esse tratamento poderoso e, ao mesmo tempo, gentil, deixou o coração da Alina em turbilhão. A atenção que ele dava era o sonho de toda mulher e, sinceramente, algo que ela nunca tinha sentido com o Leo. Se o Leo dava pra ela dúvida, o Raja dava segurança. Se o Leo fazia ela chorar em silêncio, o Raja tava lá pra enxugar as lágrimas dela, antes mesmo que elas caíssem.
A festa acabou. A música foi diminuindo aos poucos. Os convidados foram embora, deixando só os dois na sala grande, com pouca luz.
A Alina tava no centro, com o vestido preto dela parecendo uma sombra inacabada da noite. A respiração dela tava estável, mas o coração não. O Raja chegou devagar, os passos dele quase não davam pra ouvir, mas o impacto era forte pra caramba.
'Você veio, o que significa que quer saber como é ser minha.'
A Alina levantou o queixo, se recusando a se curvar. 'Eu vim porque quero ver até onde você vai me levar.'
Raja esticou a mão, os dedos dele tocaram a bochecha dela com um toque leve, quase carinhoso, mas era ali que tava o perigo. Um toque não bruto, mas que te prendia.
'E se eu te levar ao seu limite mais profundo?' ele sussurrou, tão perto que a respiração dele tocou a pele dela.
'Eu te arrasto pra baixo comigo,' a Alina respondeu suavemente, os olhos firmes.
Raja pegou devagar na nuca dela, puxando ela mais perto. Os queixos deles se encostaram.
'Você sabe que isso é errado, né?'
'Então por que parece tão certo?' a Alina respondeu, e naquele momento, tudo desmoronou.
Os lábios deles se encontraram. Não foi um beijo fofo. Não era sobre amor carinhoso. Era sobre raiva, sede e um desejo enterrado há muito tempo.
O beijo era exigente, rasgando, testando. O Raja prendeu a Alina contra a parede de mármore, os braços dele prendendo ela como uma armadilha. A Alina não ficou parada, as mãos dela puxaram a gravata dele, soltando com uma brutalidade que botou pra fora toda a tensão que ela tinha guardado por muito tempo.
'Você não pode me ter só por causa do seu poder,' ela rosnou entre os beijos.
Raja pegou na cintura dela, puxando ela ainda mais perto. 'Eu não quero te possuir. Eu quero quebrar seus limites até você não conseguir diferenciar ódio de desejo.'
Naquela noite, entre paredes de vidro e as luzes da cidade brilhando na distância, eles se renderam ao jogo mais perigoso. Se machucando enquanto aproveitavam cada ferida.
A Alina voltou pra realidade. Isso não tava certo. Ela não devia se afundar tanto. Antes que fosse tarde demais, ela se afastou. De repente, ela deu um passo pra trás, criando uma distância grande entre eles.
O Raja tentou seguir, confusão e dor visíveis nos olhos dele. Mas a Alina virou o rosto e foi embora primeiro.
'Desculpa,' a voz dela quase não deu pra ouvir, mas afiada como uma faca. 'Eu não consigo fazer isso. Eu tenho que ir.'
Sem olhar pra trás, a Alina foi embora. Deixando o Raja, e os sentimentos que ainda não tinham florescido completamente. Mas ela sabia que se ficasse, eles só iam acabar se machucando mais.
Os dias passaram, e a Alina voltou pra rotina dela como médica. Naquela manhã, ela entrou na sala de cirurgia pra uma paciente mulher agendada.
De lá pra cá, todos os pacientes dela foram mulheres. Não por escolha da Alina, mas por regra. Uma regra feita pelo Raja. Ele proibiu a Alina de tocar em qualquer outro homem e, pra variar, o hospital apoiou.
A Alina não podia fazer nada. Enquanto a regra não atrapalhasse o profissionalismo dela, ela escolheu obedecer. Quietinha, ela não gostava daquilo, mas nunca desafiou abertamente.
Depois da cirurgia, como sempre, o Raja tava esperando do lado de fora da sala de cirurgia. Como se nada no mundo importasse mais do que ficar de olho nela.
'Você não tem nada melhor pra fazer do que ficar me olhando?' a Alina cumprimentou com um sarcasmo meio irritado.
Raja sorriu calmamente, como se o tom afiado dela fosse música pros ouvidos dele. 'Eu só tenho um trabalho agora, te proteger, pra nenhum outro homem chegar perto de você além de mim.'
Mas naquele dia, tudo mudou. Aconteceu um acidente. Um bombeiro foi levado às pressas pro hospital. As queimaduras dele eram graves, e a vida dele tava em risco. Todos os médicos estavam ocupados. A equipe da Alina tinha sido chamada pra uma emergência em outra unidade. Só a Alina ficou.
Sem hesitar, ela correu pro paciente. Rapidamente, ela abriu o uniforme meio queimado, examinou os ferimentos no peito dele e começou o tratamento.
Assim que as mãos dela tocaram a pele do homem, o Raja entrou. Os olhos dele brilhavam. Sem falar nada, ele pegou na mão da Alina e puxou. A voz dele tava fria, mas fervendo de fúria contida.
'O que você tá fazendo?'
'O paciente tá crítico. Eu tenho que ajudar ele,' a Alina respondeu, ofegante.
'Não,' o Raja rosnou. 'Deixa outro médico cuidar disso. Nem toda vida precisa ser salva por você.'
A Alina bateu na mão dele. A respiração dela veio rápida, não só por causa da urgência, mas de raiva fervendo.
'Não seja insano, Raja,' ela explodiu, os olhos brilhando. 'Você pode ter tudo nesse mundo, mas não o meu direito como médica.'
Raja ficou em silêncio. O olhar dele escureceu, a mandíbula travada. Mas a Alina não deu chance pra ele falar.
'Aquele paciente tá morrendo, e eu sou a única que pode ajudar. Se o seu orgulho significa mais pra você do que uma vida humana, então vai embora.'
Raja rangeu os dentes. Os punhos dele se fecharam, mas ele não se mexeu nem falou. Ele só ficou olhando a Alina se ajoelhar de novo perto do paciente, totalmente focada nas queimaduras que precisavam de cuidados urgentes.
Quando outro médico chegou pra assumir, a Alina finalmente se levantou. O corpo dela tremia, não de medo, mas de emoção represada.
Ela saiu sem olhar pro Raja. Mas quando passou por ele, ela disse quietamente, mas firme, 'Eu posso ser sua, mas eu não sou uma boneca que você pode mandar por causa de ciúmes.'
Raja simplesmente observou a figura dela indo embora. Pela primeira vez, ele ficou sem palavras. A Alina era teimosa, sempre foi. Mas era exatamente por isso que ele não conseguia parar de amar ela.
Horas depois do incidente, a Alina tava sozinha no lounge dos médicos. O corpo dela tava cansado, mas a mente dela tava mais exausta. Ela sabia que tinha feito a coisa certa, mas por que o coração dela ainda tava tão pesado? E por que o olhar do Raja ainda assombrava ela?
De repente, uma batida ecoou. Antes que ela pudesse responder, a porta abriu. O Raja entrou. Calmo, mas frio, ele olhou pra Alina como se o mundo pertencesse a eles e ele mandasse nele.
'Já teve drama o suficiente por hoje?' ele perguntou quietamente, o tom dele não permitindo discussão.
A Alina olhou torto. 'Se você veio me culpar, eu não tenho energia—'
Raja chegou perto. A mão dele alcançou, pegando no queixo dela, forçando ela a olhar pra cima.
'Eu não gosto que me desafiem,' ele disse suavemente, a voz baixa, mas fazendo ela tremer por dentro. 'Mas eu odeio ainda mais te ver tocar em outro homem, mesmo que seja pra salvar a vida dele.'
Lágrimas encheram os olhos da Alina, mas não de medo. 'Então o que você quer? Me demitir? Me trancar?'
'Eu podia fazer mais do que isso,' o Raja sorriu friamente. 'Esse hospital, o sistema dele, até os diretores por trás, todos estão sob meu controle. Você sabe disso. Mas eu não vou tocar neles.'
Ele se aproximou mais, sussurrando no ouvido dela. 'Eu só vou tocar em você.'
A mão dele passou devagar pelo cabelo dela, parando no pescoço dela, o toque dele suave, mas mandão.
'Você não vai receber um pedido de desculpas meu, Alina,' ele sussurrou, 'mas um aviso. Porque você é minha. E eu não vou deixar o mundo ou ninguém te tirar de mim.'