Capítulo 111: Um Mundo Que Ela Nunca Conheceu
Raja nunca parava de surpreender a Alina. Depois da vingança que queimava, só algumas noites atrás, ele agora estava sempre ao lado dela em todo lugar, a qualquer hora. Até durante as reuniões de negócios, Raja não a deixava sair do seu campo de visão.
Aquele dia, eles estavam num clube chique, um lugar bem diferente dos lugares que eles costumavam frequentar. Era mais exclusivo, mais íntimo. Iluminação fraca, uma atmosfera tensa, mas não era isso que deixava a Alina ansiosa.
Na frente deles, uma dançarina de pole dance seminua se movia com graça fluida. Seu corpo girava e se contorcia de forma sedutora, provocando com movimentos ousados. O poste balançava em ritmo com seu corpo ondulante, enquanto os outros convidados a observavam com desejo.
A Alina sentava parada ao lado do Raja, seu corpo tenso. Ela estava acostumada ao luxo e ao entretenimento, mas aquela noite parecia diferente. Raja sentava calmamente, parecendo apreciar a reunião de negócios em andamento, ocasionalmente olhando para a Alina.
Mas o que mais a perturbava eram os olhares selvagens dos associados do Raja. Eles a encaravam com sorrisos provocadores, alguns até a medindo descaradamente com olhos desrespeitosos. Ela sentiu o calor subindo pelo pescoço e rosto.
Seus olhos se voltaram para o Raja, que permaneceu calmo, aparentemente indiferente ao que estava acontecendo ao seu redor. Nenhuma reação. Nenhum movimento para impedir o comportamento inapropriado de seus associados. Mas a Alina sabia que o Raja nunca deixaria passar.
Enquanto a tensão aumentava, um dos associados do Raja se inclinou para a frente e falou em tom sugestivo, 'Aileen, você sabe... uma mulher como você ficaria ainda mais deslumbrante naquele palco.'
Seu coração agitou. Seus olhos encararam o homem com nojo. Mas antes que ela pudesse responder, o Raja se levantou, seu olhar afiado o suficiente para silenciar o homem.
'Já acabou?' Raja disse friamente, sem um sorriso. Todos os olhos se voltaram para eles.
Sem esperar por uma resposta, ele pegou seu telefone e começou a bloquear seus contatos um por um. 'A partir de agora, nossa parceria acabou,' ele disse suavemente, mas toda a sala tremeu.
A Alina olhou para o Raja, chocada com sua ação drástica. Mas o Raja não se importava com as reações deles. 'Você acha que pode tratar minha mulher assim? Vou garantir que você não consiga se mexer em um centímetro nesta indústria novamente.'
A sala ficou em silêncio. O que antes era riso e conversa se transformou em um silêncio espesso e sufocante. Aqueles que a haviam zombado agora perceberam que o Raja nunca recua.
O associado que havia falado antes agora parecia pálido, finalmente entendendo. O Raja não era apenas um rei nos negócios, ele era um homem que podia destruí-los em um instante.
'S-Sr. Mahesa, nós—' o homem tentou explicar, mas sua voz morreu quando o Raja o cortou com um olhar mortal.
'Não existe mais 'nós'.' Raja virou-se, pegou na mão da Alina e a conduziu para fora sem mais nenhuma palavra.
Lá fora, o ar da noite estava frio. A Alina caminhava ao lado dele, seu coração batendo forte. Ela não sabia se era ciúme que sentia, algo que ela conseguia controlar. Mas havia algo mais, algo mais profundo, mantendo-a ligada a este homem. O Raja não apenas dominava o mundo ao seu redor, ele dominava seu coração também.
No entanto, a Alina não conseguia ignorar a realidade aterrorizante que seu mundo havia se tornado, especialmente o papel que o Raja lhe dera nele.
'Raja, ainda há chance de eu ir embora? Eu me sinto mais confortável no mundo do hospital do que no seu.'
Raja não respondeu imediatamente. Ele parou em frente ao seu carro preto estacionado sob a sombra de uma grande árvore. A brisa da noite roçou seus rostos, fria e cortante, mas não tão fria quanto o silêncio do Raja.
A Alina estava ao lado dele, os olhos fixos no homem que agarrava sua vida com força. O homem que lhe deu tudo: luxo, proteção e um amor que viciava, mas a prendia em um mundo que ela nunca escolheu.
'Eu só quero minha vida de volta,' ela sussurrou, mal audível.
Raja abriu a porta do carro e olhou para a Alina das sombras. Seus olhos estavam escuros, indecifráveis: não estavam com raiva, nem tristes, mas algo muito mais perigoso.
'Você pode ir,' ele finalmente disse, sua voz grave como um trovão. 'Mas, você sabe, Alina, ninguém realmente sai da minha vida... Minha vida não é um hospital do qual você sai assim que está curada.'
A Alina prendeu a respiração. Seu coração disparou, não por medo, mas pela percepção de que uma parte dela não queria sair. Não por amor. Mas por desejo. Poder. A maneira como o Raja amava: feroz, consumidora e destrutiva.
'Você vai me trancar de novo como antes?' ela perguntou baixinho, amargamente.
Raja se aproximou, a poucos centímetros de seu rosto. Ele levantou seu queixo gentilmente, forçando-a a olhar em seus olhos.
'Se essa for a única maneira de mantê-la ao meu lado… sim.' Seu olhar a perfurou, inabalável. 'Eu não vou perder você, Alina. Este mundo é muito sujo para você, mas eu sou mais sujo. E eu não vou deixar você ser tocada por nada mais sujo do que eu.'
A Alina estremeceu. Ela sabia que isso não era amor saudável. Mas o mundo deles nunca soube o que significava 'saudável'.
Enquanto ela entrava no carro, suas mãos tremiam no colo. Raja sentou-se ao seu lado, e quando o motor rugiu, o silêncio dentro era mais alto do que o zumbido baixo do carro.
No coração da Alina, uma pergunta persistia, lentamente se transformando em uma ferida. 'Isso é amor… ou uma prisão?'
No entanto, de alguma forma, aquela prisão parecia o único lugar onde ela realmente se sentia viva. O carro acelerou pela noite, mas o silêncio interior era mais ensurdecedor do que o zumbido do motor. A Alina podia sentir a presença do Raja ao seu lado: calmo, frio, mas fervendo por baixo da superfície. Ela se virou ligeiramente, observando o contorno de seu rosto iluminado pelos postes de luz que passavam. Seu maxilar estava contraído, os dedos agarrando o volante com força.
'Eu sei que você quer ir embora,' sua voz quebrou o silêncio, profunda e pesada. 'Mas seu corpo diz o contrário.'
O coração da Alina bateu forte. Ela engoliu em seco, mas não disse nada.
'Toda vez que você olha para mim como fez mais cedo,' Raja continuou, ainda olhando para a frente, 'seus olhos tremem, mas há uma chama ali. Medo e desejo, emaranhados. Você acha que eu não consigo ver a diferença?'
A Alina olhou para o lado, seu rosto queimando. Ela odiava como o Raja conseguia lê-la tão claramente: muito profundamente, muito nua.