Capítulo 72: A Noite Que Não Conseguiu Queimar
'Eu devia era continuar a odiar todos os homens," Alina começou a divagar enquanto bebia um gole da garrafa de licor na mão. 'Eles são todos... iguais!"
O telemóvel dela não parava de tocar, mas ela não podia estar menos interessada. O olhar dela estava vazio, a voz embargada pelas lágrimas contidas.
'O Leo está a ligar-te," disse Jio, sentado não muito longe dela. 'Porque é que não atendes?"
Alina soltou uma risada amarga. 'Deixa-o. Ele tem mais medo de perder o lugar dele do que me defender. E eu nem estava errada, Jio…"
Jio olhou para o rosto dela corado, avermelhado pelo álcool. Sem perguntar, pegou no telemóvel dela, que não parava de tocar, e atendeu.
'Ela está comigo," disse ele calmamente.
A voz de Leo explodiu do outro lado, cheia de emoção. 'O quê?! O que é que vocês os dois estão a fazer?!"
Naquele momento, Alina subiu para o colo de Jio, não para o seduzir, mas para roubar a garrafa da mão dele. Mas tudo o que Leo ouviu foi a voz rouca de Alina.
'É melhor teres cuidado, Jio! Se lhe tocares, juro que—"
Jio sorriu, sabendo que os ciúmes estavam a consumir Leo. Em vez de esclarecer, ele mexeu na ferida.
'Oops. Já é tarde. Ela já está em cima de mim... aaahh…"
A fúria de Leo explodiu. Enquanto isso, Alina continuou a sua conversa bêbada, ainda a estender a mão para a garrafa.
'Para, Alina! A sério, já chega!" Jio tentou segurá-la quando ela quase caiu em cima dele, ainda a estender a mão para a bebida que ele escondeu atrás das costas.
'Só mais um gole," Alina queixou-se como uma criança. O rosto dela estava corado, os olhos marejados, a respiração a cheirar a álcool.
Jio tentou não rir. 'Se vomitares em mim, juro que te atiro da varanda."
Enquanto isso, o telemóvel ainda estava ligado. A voz furiosa de Leo chegou claramente.
'Jio! Não te metas comigo! Onde estás?!"
Casual, Jio aproximou o telemóvel da boca. 'No meu apartamento. Porquê? Queres vir?"
'Bastardo!" Leo gritou.
Click!
A chamada terminou. Jio exalou e atirou o telemóvel para cima do sofá.
'Esse gajo tem mesmo a pavio curto."
'Ele está chateado?" Alina perguntou inocentemente, finalmente desistindo e deixando o corpo tombar ao lado de Jio. Ela suspirou profundamente, exausta.
'Furioso. Ele acha que nós—"
'Sim, sim... ouvi," Alina murmurou, fechando os olhos. 'Deixa-o. Ele escolheu ficar calado quando fui intimidada pelos meus colegas de trabalho. Quando precisei do apoio dele, ele se importou mais com a imagem e a carreira dele. Ugh."
Jio olhou para ela em silêncio. Por trás da sua raiva bêbada, havia uma ferida que nenhuma quantidade de álcool conseguia esconder.
'Às vezes..." Jio disse suavemente, 'a pessoa com quem mais contas... é aquela que mais te decepciona."
Alina não respondeu. Talvez estivesse a dormir. Ou a fingir. Jio virou-se para o telemóvel, agora silencioso no sofá.
'Não sei quais são as tuas intenções com a Alina, Leo. Mas se a magoares outra vez… não vou ficar calado."
Enquanto isso, no escritório de Leo, o telemóvel dele estava no chão. O ecrã estava rachado por causa do seu surto anterior. Leo estava sentado na secretária, com os punhos cerrados, a mandíbula tensa.
A voz de Jio ainda ecoava na sua cabeça.
'Oops. Já é tarde. Ela já está em cima de mim…"
'Que raio quer dizer isso?!" Leo rosnou, batendo na mesa e fazendo os papéis voarem.
Os seus olhos estavam injetados, não apenas por ciúmes, mas pela culpa esmagadora no seu peito. Agora, ele só podia sentar-se ali, atormentado por imagens de Alina com outro homem.
'Ela está comigo."
As palavras de Jio apunhalaram-no. Queimaram-no.
'Será que mereço mesmo perdê-la... só por causa dos meus próprios medos?" ele sussurrou para si mesmo.
Depois levantou-se, pegou nas chaves do carro e dirigiu-se para o apartamento de Jio para encontrar Alina.
As ruas estavam tranquilas naquela noite. As luzes da cidade eram apenas um cenário para o caos na mente de Leo. Ele acelerou em direção ao apartamento de Jio. Mas quando chegou, estava vazio. Nenhum sinal deles. Nenhum som. Nenhuma luz. Apenas o silêncio o recebeu.
'Onde é que eles foram?" ele murmurou, frustrado.
Entrou novamente no carro, a tentar adivinhar para onde Alina poderia ter sido levada. Então algo fez clique.
'O bar. Ela deve ter voltado àquele bar.'
Sem pensar, ele pisou no acelerador. Numa interseção, avistou duas figuras familiares, Jio e Alina. Jio estava a segurar Alina, que mal conseguia ficar de pé.
O sangue de Leo ferveu. Ele encostou bruscamente. A porta do carro bateu ao abrir. Sem uma palavra, ele aproximou-se deles.
THUD!
O seu punho aterrou em cheio na cara de Jio. O homem cambaleou e caiu na calçada, com sangue a escorrer do lábio.
'Ei, que merda?!" Jio gritou. 'Qual é o teu problema?!"
Leo ignorou-o. Ele imediatamente agarrou o corpo fraco de Alina e abraçou-a com força, tremendo de fúria e ciúmes.
'Larga-me! Odeio-te, Leo!" Alina contorceu-se, empurrando-o no peito. 'Não quero ir para casa contigo! Tu… tu não és ninguém para mim agora!"
Mas Leo não se importou. Ele ergueu-a como se ela fosse algo precioso ou algo que ele estava prestes a perder.
'Pára de lutar. Podes ficar zangada, gritar, até me odiar mais tarde… Mas hoje à noite, não te vou deixar cair mais fundo."
Alina bateu no peito dele fracamente, depois finalmente cedeu, com os olhos semicerrados pela exaustão e pelo álcool. À distância, Jio observou-os afastar-se. Sangue no rosto. Dor no coração.
Antes de entrar no carro, Leo virou-se. O olhar dele era frio e afiado.
'Obrigado por tomares conta dela esta noite… Mas de agora em diante, ela é minha responsabilidade."
Leo abriu a porta do apartamento com um braço enquanto segurava Alina com o outro. Ela murmurou incoerentemente, o corpo quente e suado por causa do álcool.
'Preciso de te refrescar primeiro," murmurou Leo, deitando-a suavemente na cama.
Foi à cozinha buscar um copo de água e uma toalha molhada. Mas quando voltou, os seus olhos arregalaram-se de choque.
'Alina…"
Ela estava seminua. A camisa dela tinha escorregado do ombro, e a saia tinha subido pelas coxas.
'Porque é que estás a tirar a roupa?" Leo perguntou, em pânico, a tentar cobri-la com um cobertor.
Mas Alina afastou a mão dele. 'Está calor… não me toques…"
Leo congelou. A respiração dele acelerou quando os seus olhos, sem querer, traçaram as curvas que ele só tinha imaginado.
'Não me olhes assim…" Alina sussurrou, bêbada, com os olhos semicerrados e nebulosos.
A tentação era avassaladora. Num instante, Leo puxou-a para os seus braços e beijou-a. A princípio suave. Depois profundo, desesperado. Beijaram-se como se quisessem apagar toda a dor e raiva. Mas quando Leo estava prestes a ir mais longe.
'Urghh…"
Alina de repente afastou-o, cobrindo a boca… e vomitou-lhe em cima do peito.
'Santa—!" Leo recuou. 'Oh meu Deus, Alina!"
Ele olhou para a sua camisa branca agora ensopada, para a sala cheia do cheiro de vómito. Alina, meio consciente, correu para a casa de banho sem dizer nada. Leo enxugou a cara, dividido entre a diversão, a desilusão… e o fracasso total.
'Que noite romântica para lembrar," murmurou sarcasticamente, a olhar para a camisa arruinada.