Capítulo 29: Uma Pista Suspeita
Alina se levantou. "Eu vou com você."
Eles saíram da casa de madeira com cuidado. O sol estava quase se pondo, deixando para trás um céu alaranjado que aos poucos dava lugar à escuridão da noite. Mas as pegadas no chão ainda eram visíveis. Sem hesitar, eles seguiram a trilha.
Seus passos os levaram pelos campos da aldeia, onde as plantações verdes e exuberantes prosperavam. Mas quanto mais andavam, mais estranho parecia. Essas plantas... não eram comuns.
Alina se ajoelhou, tocando em uma das folhas e examinando-a de perto. O formato era diferente, diferente das plantas medicinais que ela costumava ver. Uma sensação ruim se espalhou em seu peito.
"Leo..." sua voz mal era um sussurro. "Esta não é uma planta qualquer. Acho que é o ingrediente base de uma droga ilegal."
Leo franziu a testa. "Tem certeza?"
Alina reconheceu a planta como algo que já financiou sua vida na máfia. Mas ela escolheu mentir, não querendo que Leo suspeitasse de nada.
Ela assentiu. "Já vi antes... no hospital. Pacientes com overdose mencionaram."
Leo cerrou os punhos. "Então, essa aldeia não é apenas um assentamento isolado. Tem algo maior acontecendo aqui."
Alina sabia que lugares como esse eram perfeitos para esconder operações ilegais. Mas quem estava por trás disso? Eles precisavam descobrir antes que as coisas saíssem do controle.
De repente, um galho quebrou por perto. Eles se viraram rapidamente. Alguém estava lá.
Uma voz fria veio de trás dos arbustos. "Vocês foram longe demais em algo que não deveriam saber."
Das sombras, surgiram bandidos, com os olhos brilhando com intenção maliciosa. Leo sentiu a tensão no ar, enquanto Alina já havia assumido uma posição defensiva, pronta para a briga.
Sem aviso, um dos bandidos balançou uma faca em direção a Alina. Com reflexos de raio, ela se abaixou, deixando a lâmina cortar bem acima de sua cabeça. Movendo-se rapidamente, ela torceu o corpo, seu cotovelo afiado atingindo a mandíbula do atacante, jogando-o para trás. Mas não havia tempo para respirar. Mais dois bandidos correram em sua direção, tentando encurralá-la.
Leo entrou em ação. Ele bloqueou um soco direcionado a Alina, depois revidou com um golpe forte no estômago do oponente. O bandido gemeu, dobrando-se de dor. Mas outro não hesitou. Ele balançou um pedaço de madeira em Leo. Leo desviou, mas o pedaço de madeira ainda roçou seu ombro, deixando uma dor ardente.
Enquanto isso, Alina lutou sem hesitar. Ela agarrou o braço de um dos bandidos, torcendo-o até que um estalo doentio soasse, fazendo-o gritar de dor. Então ela o jogou no chão e chutou seu rosto, nocauteando-o.
Leo enfrentou o último bandido, um homem maior e mais forte que os outros. Ele deu um soco forte, mas Leo o bloqueou com o antebraço, sentindo a força do impacto. Torcendo com o impulso, ele desferiu um chute poderoso nas costelas do bandido, fazendo-o cambalear. Antes que o homem pudesse se recuperar, Leo deu um golpe final em seu queixo, nocauteando-o.
Suas respirações estavam irregulares. Seus corpos brilhavam com suor. Eles trocaram um olhar, certificando-se de que o outro estava bem.
Os bandidos estavam espalhados no chão, gemendo ou inconscientes. "Isso foi só um aquecimento", Alina murmurou, com os olhos cheios de determinação.
Leo assentiu. "Eu deveria ter sabido desde o início. Você não é uma garota comum, é?"
Alina apenas deu um pequeno sorriso, seu olhar ainda fixo nas sombras à frente. Ela não estava pronta para contar a Leo por que lutava tão bem. Essa não era uma história para compartilhar no meio de uma batalha.
De repente, passos pesados se aproximaram. Da escuridão, mais bandidos apareceram. Desta vez, havia mais deles, e eles pareciam bem treinados. Alguns carregavam facas, enquanto outros brandiam barras de ferro ou correntes.
"Vocês cometeram um grande erro", disse um deles, com a voz baixa e ameaçadora.
Sem esperar uma resposta, eles atacaram. Alina e Leo se moveram em sincronia.
Alina desviou de um golpe de um homem grande com um porrete de madeira, agarrando rapidamente seu pulso e torcendo-o até que ele derrubasse sua arma. Girando, ela cravou o joelho em seu estômago, fazendo-o cair com um gemido de dor.
Leo enfrentou dois oponentes ao mesmo tempo. Um deles cortou-o com uma faca, mas Leo recuou rapidamente, agarrando o pulso do homem e torcendo-o para trás, desequilibrando-o. Com um chute poderoso, Leo atingiu o joelho do bandido, jogando-o no chão. Mas a luta não acabou.
Outro bandido balançou uma corrente em direção a Alina por trás. Ela saltou para frente, evitando o golpe chicote, e então usou seu impulso para girar e chutar o agressor na cabeça. Ele cambaleou e caiu no chão.
Leo enfrentou um bandido enorme, mais duro que o resto. O homem deu um soco que quase acertou o rosto de Leo, mas Leo se abaixou bem a tempo. Ele contra-atacou com um golpe de cotovelo nas costelas, fazendo o bandido rosnar de dor. Antes que o homem pudesse se recuperar, Leo acertou um soco final em seu queixo, nocauteando-o.
Agora, apenas um bandido restava. Ele hesitou, vendo seus camaradas derrotados. O pânico brilhou em seus olhos antes que ele se virasse e fugisse para a escuridão. Alina respirou fundo e se virou para Leo.
"Eu preciso saber, onde você aprendeu a lutar assim?" Leo perguntou, com um tom sério desta vez.
Alina deu um pequeno sorriso. "Eu explico mais tarde. Mas por agora..." Seu olhar se voltou para o caminho escuro à frente. "Precisamos voltar para a aldeia e descobrir até onde essa operação vai."
Leo assentiu, e eles rapidamente voltaram.
Os aldeãos sabiam pouco do que realmente estava acontecendo. Eles não faziam ideia de que as plantas que cultivavam não eram apenas ervas medicinais. O chefe da aldeia explicou que o campo pertencia a um velho xamã. Os trabalhadores eram bem pagos, então nunca questionaram seu propósito.
Um dos aldeãos falou. "No começo, achamos que eram apenas plantas medicinais comuns, mas estranhamente, nos pagavam muito mais do que o normal. Algumas pessoas desconfiavam, mas o velho xamã nos proibiu de fazer perguntas."
Alina respirou fundo antes de revelar a verdade. As plantas eram o ingrediente base de uma droga ilegal, estritamente regulada por lei. Infelizmente, esta aldeia estava além do alcance das autoridades. Eles só seguiam os costumes tradicionais, com pouca proteção do mundo exterior.
O chefe da aldeia suspirou pesadamente, sua expressão uma mistura de confusão e preocupação.
"Não sabíamos nada sobre isso", ele finalmente admitiu. "Tudo o que sabíamos era que o velho xamã de repente nos ofereceu trabalho anos atrás. Ele disse que essas plantas tinham propriedades curativas. Nunca questionamos isso."
Alina trocou um olhar com Leo. Isso era pior do que eles imaginavam. Os aldeãos não estavam apenas alheios à lei - eles nem perceberam que estavam sendo explorados.
"Mas e o xamã?" Leo perguntou. "Ele já agiu de forma suspeita?"
O chefe da aldeia balançou a cabeça. "Sempre houve algo estranho nele. Ele nunca deixou forasteiros entrarem em seus campos. Mesmo nós raramente o vimos."
Alina cerrou os punhos. "Então, precisamos encontrá-lo. Ele é o responsável por tudo isso."
O chefe da aldeia hesitou. "Ele não é um homem comum. Alguns dizem que ele pode desaparecer. Outros acreditam que ele pratica magia negra."
Leo zombou. "Eu não acredito nisso. O que é claro é que ele tem poder aqui, e precisamos impedi-lo."
Alina olhou para os aldeãos, vendo o medo em seus olhos. Eles eram vítimas, não criminosos. Pior, eles não faziam ideia de que estavam sendo usados.
"Existe alguém que pode nos levar até ele?" Alina perguntou.
Um velho se adiantou hesitantemente. "Eu posso te mostrar o caminho. Mas depois disso, não quero fazer parte disso."