Capítulo 80: O Jogo
"Era pra eu ter morrido naquela noite", respondeu **Alina** friamente. "Mas o destino me deu mais uma chance. E **Axel**… ele sabia quem eu realmente era. Ele me protegeu. Ele pagou com a vida por isso."
**Dozer** abaixou a cabeça, a respiração pesada. O peito dele apertou, preso entre a descrença e a dor de uma perda que ele nunca teve a chance de sentir.
"Agora você sabe", continuou **Alina**, a voz começando a tremer. "E se você ainda quiser me matar… faça isso. Mas você deve isso ao seu irmão pelo menos."
**Dozer** ficou em silêncio, sua mente girando com perguntas sem resposta. Então ele finalmente disse a única que o atormentava o tempo todo.
"Então por que **Indry** está atrás de você? Que segredo existe entre vocês duas?"
**Alina** respirou fundo, então começou a explicar.
"**Indry** era a amante secreta de **Marco**. Ela quer vingança de mim pela morte do namorado", ela disse suavemente. "Mas foi **Marco** quem matou **Axel**. Ele nos traiu, e **Axel** morreu me protegendo dele."
**Dozer** ficou chocado com a explicação de **Alina**. A verdade o atingiu como uma faca. Todo esse tempo, ele estava ajudando o assassino de seu irmão, sem nunca questionar a história. O arrependimento o invadiu, mas também acendeu outra coisa - uma chama de vingança.
"Mas como você conhece **Indry**?" perguntou **Alina**, com seu olhar afiado cheio de curiosidade.
**Dozer** saiu de seus pensamentos. Ele soltou o ar profundamente e começou sua história.
"Eu a conheci em uma boate chique", disse ele amargamente. "Ela fez a primeira jogada, sedutora, doce, sedutora. Eu estava desconectado do mundo na época e me deixei cair."
**Alina** ouviu em silêncio.
"Acabamos em um quarto de hotel naquela noite", continuou **Dozer**. "E a partir desse ponto, eu me tornei seu protetor, seu provedor. Eu não percebi que era tudo um jogo. Ela usou meu corpo, minhas habilidades, só para se vingar de você."
Sua voz se elevou com raiva. "Droga. Eu era apenas um peão no jogo dela. E quase matei a única pessoa que meu irmão morreu tentando salvar."
Seus punhos cerraram com força. "Ela acha que pode me usar como uma marionete. Ela está muito enganada."
Os olhos de **Dozer** ficaram frios, ardendo com uma resolução inabalável.
"Eu vou fazer ela se arrepender de ter me usado. E este será o fim de tudo."
Depois de encontrar **Alina**, **Dozer** colocou sua máscara de volta. Frio, calmo, sem emoção. Ele sabia que um passo em falso poderia desfazer todo o seu plano. Então ele agiu normalmente, como se nada tivesse acontecido.
Ele contatou **Indry** via mensagem de texto, sua voz relaxada na mensagem de áudio que ele enviou.
"Eu completei o trabalho. Agora é a sua vez de me dar o que eu quero."
Junto com isso, ele enviou uma foto. **Alina** deitada no chão, sangue escorrendo ao seu redor. Uma farsa convincente, o suficiente para enganar qualquer pessoa.
**Indry** respondeu quase imediatamente, seu tom satisfeito e sedutor como sempre.
"Finalmente. Eu sabia que podia contar com você", ela escreveu. "Espere por mim hoje à noite. Eu vou vir cumprir minha promessa."
**Dozer** deu um sorriso fino. Sua expressão calma, mas seus olhos brilhavam com uma vingança ardente.
A noite caiu. **Indry** chegou como sempre fazia, vestida extravagantemente e cheia de confiança. Nenhum vestígio de suspeita em seus olhos. Ela entrou no quarto do hotel onde **Dozer** esperava.
Ela estava no meio do quarto escuro, com os olhos cobertos por um pano preto macio. A sensação não era nova para ela. Ela sabia o que esperar. Mas ainda assim, toda vez que o pano cobria seus olhos, havia um sentimento diferente. Como se algo estivesse esperando para explodir.
**Dozer** estava na beira do quarto, observando com um olhar cheio de controle. Ele não precisava falar. Com apenas um sinal, um grupo de homens grandes saiu das sombras. Eles não se aproximaram, apenas ficaram, esperando. **Dozer** não disse nada. Seu olhar afiado comandava tudo.
**Indry** sentiu a mudança na sala. Algo estava errado esta noite. Ela não sabia o que estava por vir, mas seu corpo começou a responder como se estivesse sentindo uma tensão inevitável.
Um dos homens se aproximou, sua mão agarrando seu ombro com força. **Indry** não podia ver, só sentir. Seu coração bateu mais forte. Ela tentou se manter calma, mas algo estranho surgiu nela, uma mistura de medo e desejo tácito.
Suas mãos foram levantadas e amarradas com força. **Indry** lutou, mas ela estava muito fraca para resistir a esses homens. Seu aperto era firme e dominante. Doloroso. Sedutor. Demais, tudo de uma vez.
**Dozer** não interferiu. Ele apenas observou, sua câmera capturando cada segundo. Um pequeno sorriso curvou-se em seus lábios.
Esta noite não era sobre tocar ou dominar fisicamente. Era sobre controle emocional, dominar o medo e oferecer sensação sem conforto.
**Indry** tentou falar, implorar, mas sua voz foi sufocada. Tudo parecia escuro demais e muito calculado. E ainda assim, alguma parte dela ainda queria mais. Era uma contradição perturbadora, algo que ela não conseguia explicar.
Quando acabou, **Indry** estava exausta. A noite a forçou a sentir além do físico. A disputa de poder a deixou emocionalmente crua. Ela não tinha ideia de que tudo havia sido gravado. Sem ideia de que a filmagem em breve seria lançada, uma lembrança da qual ela nunca escaparia.
**Dozer** olhou para a tela brilhante do seu telefone, seus olhos acesos com um brilho vitorioso.
"Este é apenas o começo", ele sussurrou para si mesmo. "Depois desta noite, você sentirá cada segundo disso."
**Indry** acordou sentindo-se pesada. Uma dor surda persistia em suas articulações, como o eco de uma noite que ela não entendia completamente. Sua respiração estava irregular, seu peito apertado.
Ela estendeu a mão, pegando o telefone da mesa de cabeceira. A tela se iluminou. Dezenas de notificações inundaram. E então ela viu.
Um vídeo. Longa duração. Ela não precisava assistir tudo para saber o que estava nele.
Ela mesma, vulnerável, sorrindo, sem fôlego… presa em um jogo com o qual ela nunca concordou totalmente.
Homens mascarados a cercaram, tocando, forçando-a em um pesadelo que ela não sabia que estava sendo gravado. Seus dedos tremiam enquanto ela rolava pelas mensagens recebidas.
"Vadia."
"Quanto você cobra?"
"Eu quero o que você fez no vídeo."
"Imunda."
Mas a pior parte não foram os insultos. Foram os rostos, familiares, julgando-a como se ela não fosse mais do que um espetáculo.
Sua mão cobriu a boca enquanto ela segurava um soluço. Seu mundo desmoronou em uma manhã. **Dozer** não estava no vídeo. Mas de alguma forma, no fundo, sua alma gritou seu nome.
Seus olhos ficaram vermelhos, mas desta vez não de medo. Algo dentro dela mudou. As rachaduras em seu coração começaram a brilhar com um novo fogo, raiva.
"Se este é o seu jogo", ela sussurrou, "você não tem ideia do quão forte eu posso ser."