Capítulo 98: A Família Perdida
Ela ficou calada. Seu coração bateu mais rápido do que antes. O nome **Aileen** era grande demais para ser falado sem cuidado. Perigoso demais para ter algum ponto fraco. Mas essa mensagem podia ser o ponto de virada de tudo.
**Felis** leu a mensagem repetidas vezes. Seus olhos se estreitaram, e seus dedos agarraram o telefone mais forte, por instinto.
'Uma irmã mais nova? Um hospital psiquiátrico?'
Algo dentro dela explodiu instantaneamente. Essa nova intriga deu a ela esperança. Se a informação fosse válida, então ela finalmente tinha achado uma rachadura. Uma rachadura que poderia abalar **Aileen Monroe**.
Ela respondeu rapidamente à mensagem, 'Quem é você? Por que está me contando isso?'
Mas não houve resposta. A mensagem pareceu engolida pelo ar. **Felis** estava parada no corredor do hospital, com o coração batendo forte. Ela sabia que, se fosse verdade, seria a informação mais valiosa que ela tinha descoberto desde que chegou.
'**Aileen**, não importa o quão perfeita você seja, todo mundo tem um lado que quer esconder.'
**Felis** sorriu de canto, então foi embora. Havia algo que ela precisava investigar hoje à noite. E ela faria isso bem, bem quietinho.
**Alina** não fazia ideia de que o perigo estava entrando em sua vida aos poucos. Ela permaneceu enterrada nos relatórios médicos dos pacientes, sem saber que em outro lugar, uma verdade estava sendo desenterrada.
Enquanto isso, **Felis** tinha chegado a outro hospital. Ela vagou pelo corredor quieto e úmido, procurando informações sobre as famílias de um dos pacientes, especialmente o motivo da admissão da garota.
Através da janela da sala de terapia, ela viu uma moça. Seu olhar era vazio, mas seus lábios repetiam o mesmo nome, '**Aileen**…'
A expressão dela era estranha, uma mistura de medo e raiva profunda.
**Felis** tentou se aproximar e conversar com ela, mas a reação da garota foi chocante. Ela de repente entrou em frenesi, puxando o cabelo e arranhando os braços com unhas por fazer.
'ARGH! Socorro!' **Felis** gritou em pânico.
Várias enfermeiras correram para acalmar a paciente furiosa.
'Garota maluca!' **Felis** xingou, esfregando o arranhão no braço. 'O que **Aileen** fez para deixá-la tão furiosa?'
Sem hesitar, ela secretamente tirou várias fotos para documentação pessoal. Ou talvez como evidência, caso algo acontecesse mais tarde.
Depois do incidente, **Felis** deixou o hospital com um sorriso vitorioso. Seu braço ainda doía, mas seu coração estava leve. Porque ela acabara de encontrar a primeira rachadura na imagem perfeita de **Aileen**.
Ela não parou por aí. Ela começou a cavar na vida pessoal da mulher. Quanto mais fundo ela ia, mais segredos surgiam, e todos estavam muito longe da imagem de uma mulher impecável.
Uma de suas descobertas mais chocantes veio de um homem. Esse homem, aparentemente, ainda era obcecado por **Aileen** até hoje. **Felis** rastreou sua trilha digital e gravações antigas, e o que ela encontrou lhe deu calafrios.
Em um quarto apertado coberto com pôsteres amarelados de **Aileen**, um vídeo gravou o homem beijando uma foto dela, depois com olhos selvagens, cheirando e beijando a roupa íntima de **Aileen**, de alguma forma guardada por anos.
**Felis** ficou parada, congelada, enojada. Mas seus lábios se curvaram em um sorriso de canto. 'Nojento, mas perfeito', ela murmurou.
Cada desgraça de **Aileen**, cada pedaço vergonhoso de seu passado, era combustível para o plano de **Felis**. E lentamente, aquelas peças começaram a formar um quadro maior.
**Felis** sabia exatamente como jogar nos bastidores. Usando seu privilégio como especialista freelancer no hospital, ela colocou uma imagem na tela digital principal, normalmente usada para informações de saúde e promoções de serviços.
Mas desta vez, todo o hospital ficou chocado com uma exibição inesperada: uma foto de uma paciente histérica, a irmã biológica de **Aileen**. Abaixo dela, um texto grande gerou o caos.
'A melhor médica do Bungalow International Hospital ignora a própria irmã. Nunca a visitou, muito ocupada construindo uma reputação para ganho pessoal.'
A atmosfera ficou tensa. A fofoca se espalhou como fogo. A sala de descanso, corredores, até a estação das enfermeiras, zumbiam com sussurros.
Mas a reação mais surpreendente veio de **Alina**. Ela simplesmente encarou a tela com uma expressão vazia. Nenhum choque, nenhum pânico. Como se a mulher na tela não significasse nada. Até que finalmente, **Raka** se aproximou com um olhar confuso.
'**Aileen**, essa notícia é verdade?'
**Alina** se virou para ele, franzindo a testa. 'Do que você está falando, Dr. **Raka**? Seja claro.'
**Raka** fez uma pausa, estudando o rosto de **Alina**. Dividido entre a crença e a dúvida. Mas uma pergunta agora assombrava todo mundo. Quem era aquela garota maluca? E qual era sua ligação com **Aileen**?
**Alina** notou o olhar atordoado de **Raka**, seu olhar fixo além da tela digital.
'Ei, o que você ia dizer?', ela perguntou suavemente, quebrando seu transe.
Ele se assustou, respirou fundo e olhou para ela. 'A garota na tela, essa é realmente sua irmã?'
**Alina** se virou para a tela grande no final do corredor. O rosto da garota era desconhecido. Ela não a conhecia ou, pelo menos, não se lembrava dela. Mas havia algo nos olhos da garota, em sua voz sussurrante, naquela expressão capturada, algo que a perfurou profundamente.
Ela é sua irmã, **Aileen**? uma voz quieta ecoou em sua mente, como um sussurro de um passado enterrado.
Sem responder a **Raka**, **Alina** se virou e foi embora. Seus passos se aceleraram, como se impulsionados por algo que ela não conseguia explicar. Ela não sabia quem era aquela garota. Mas uma coisa era certa, ela pretendia descobrir.
Desde o dia em que acordou no corpo de **Aileen**, **Alina** sabia de uma coisa. Ela não era aquela mulher. O rosto era de **Aileen**. O nome, os registros, a identidade médica, tudo pertencia a ela. Mas sua memória estava em branco. Nenhuma família, nenhuma infância, nenhuma ideia de quem **Aileen** costumava ser. E, honestamente, **Alina** não se importava. Ela só queria uma vida pacífica, viver essa nova vida da melhor maneira possível.
Mas agora, tudo tinha mudado. Uma garota que afirma ser irmã de **Aileen** apareceu na tela principal do hospital. Seus olhos estavam selvagens, feridos, mas dentro daquele olhar havia algo que tocou o coração de **Alina**.
'Ela poderia ser realmente sua família, **Aileen**?'
Pela primeira vez, **Alina** sentiu um senso de responsabilidade. Não por obrigação, mas por gratidão, por ter recebido uma segunda chance na vida através do corpo de outra pessoa. Ela decidiu que encontraria a garota.
Enquanto isso, a notícia do escândalo de **Aileen** se espalhou rapidamente. O Bungalow International Hospital se tornou fofoca nacional. A mídia se reuniu, e o nome de **Aileen** ressurgiu com toda sua controvérsia.
Em outro lugar da cidade, **Leo**, descansando em seu apartamento, encarou a TV em choque.
'**Aileen**?', ele sussurrou, meio incrédulo.
Ele imediatamente pegou o telefone e tentou ligar para **Alina**. Mas não houve resposta. Até suas mensagens de texto não foram lidas. Porque naquele momento, **Alina** já estava a caminho do Harrowville Psychiatric Hospital. E lá, uma resposta que ela nunca procurou estava esperando.
Dentro do carro cortando a névoa da manhã, **Alina** olhou para o reflexo fraco de seu rosto na janela. Não era seu rosto antigo, mas de **Aileen**, a mulher que lhe deu uma segunda vida.
Suas mãos agarraram o volante com força. Em seu coração, ela sussurrou suavemente, quase como uma oração.
'Não se preocupe, **Aileen**. Se ela realmente é sua irmã, eu vou garantir que ela seja cuidada.'