Capítulo 65: Mal-entendido
Alguém concordou com a cabeça. Eles se mexeram rápido, levantando o corpo mole da Alina. Em segundos, os sequestradores sumiram nas sombras do prédio e nos corredores apertados do hospital. Tudo tava tão organizado, tão quieto. Ninguém percebeu, exceto um cara, o Leo.
Ele achou uma coisa no jardim dos fundos. Uma caneta de prata, que era da Alina. Ele conhecia bem porque foi um presente dela mesma. Os olhos dele arregalaram. A respiração dele travou.
"Sem chance..." As mãos dela viraram punhos. "Alina..."
O Leo discou na hora o contato especial no celular. A voz do outro lado respondeu rápido.
"Equipe de investigação de emergência, aqui é o Leo. A doutora Alina foi sequestrada. Rastreiem a porra do sinal do pingente de comunicação dela. Tô mandando as coordenadas finais."
Com isso, ele olhou pro céu nublado. O peito dele tava apertado, mas a mente dele continuou focada.
"Eu não vou te perder de novo, Alina. Dessa vez... eu vou te trazer pra casa."
Em outro lugar, o Marco já tava sentado, curtindo a paisagem maneira na frente dele. A Alina já tava quase pelada. Ainda desmaiada, caída. As duas mãos dela levantadas, com algemas na barra de metal em cima da cabeça dela. As pernas dela esticadas, amarradas com cordas nas pontas esquerda e direita.
Em outro lugar, o Marco tava sentado numa cadeira de madeira entalhada, olhando a vista da noite escura por trás de uma janela de vidro gigante. Uma brisa suave varria as cortinas finas, levando o cheiro suave das flores da noite.
No centro do quarto mal iluminado, o corpo da Alina tava numa cama grande com um pano de cetim cobrindo o corpo dela meio pelado. As mãos dela estavam levantadas, presas com algemas finas penduradas numa coluna de metal em cima da cabeça. As pernas dela estavam abertas, amarradas delicadamente com cordas de seda para os dois lados da cama, criando uma tensão sutil em cada centímetro da pele dela.
Vários minutos se passaram antes da Alina abrir os olhos devagar, prendendo a respiração. O olhar dela pegou o Marco sentado, tomando vinho tinto, sarcástico, mas cheio de charme.
"Acordada, Alina?" a voz dele era baixa e grave, envolvendo o ar com um calor penetrante.
A Alina se contorceu, tentando se rebelar, mas só o barulhinho das algemas foi ouvido. O Marco fez um sinal para dois serviçais vestidos de preto. Um deles carregava um pequeno frasco de líquido transparente.
"Não, não!" A Alina tentou fechar a boca, mas eles eram fortes demais. A droga entrou também, forçando ela a engolir.
Alguns segundos depois, um calor estranho começou a entrar no corpo dela. Uma sensação sutil escorregou dos dedos dos pés pro peito. A respiração dela travou, a mente dela em turbulência.
"Sinta... deixe seu corpo ser honesto com você," o Marco sussurrou, os olhos dele vendo cada reação da Alina com paixão.
"Eu te odeio, Marco..." a Alina murmurou, mas a voz dela morreu, engolida pelo desejo que ela não conseguia controlar.
O corpo da Alina começou a suar levemente. A droga funcionou devagar, despertando sensações incomuns. A pele dela parecia mais sensível, cada toque do ar era como uma carícia delicada, fazendo cócegas nas terminações nervosas dela.
O Marco levantou devagar, chegando com passos silenciosos, mas dominantes. A mão dele, firme, mas experiente, traçou a linha da mandíbula da Alina, então desceu devagar pro pescoço dela. O toque não doía, era quente, ordenando. Era como se o corpo dela agora pertencesse ao Marco completamente.
"Por que seu corpo tá tremendo, hm?" ele sussurrou, o sopro dele roçando a orelha da Alina. "Você disse que me odiava..."
A Alina olhou pro lado, segurando o gemido que quase escapou. Mas o corpo dela, traído por uma mistura de drogas e desejo reprimido, começou a amolecer. Ela sentiu cada nó de sabor se abrir, esperando ser tocado.
O Marco tomou um pequeno gole de vinho, então olhou pra baixo. Uma gota do líquido vermelho caiu no pescoço da Alina, correndo devagar pela clavícula dela. Deliberadamente, o Marco lambeu, seguindo o rastro doce. A Alina deu um pequeno suspiro, entre desgosto e excitação, e um suspiro suave finalmente escapou dos lábios dela.
"Você é doce, Alina... mesmo quando tá se segurando," o Marco murmurou, a voz dele como um mantra.
As mãos dele começaram a passear pra baixo, tocando suavemente os lados da Alina. Testando cada limite, fazendo a respiração dela prender.
"Para..." A Alina chiou, embora o tom dela não fosse mais desafiador.
Mas o Marco sabia que às vezes, os corpos podem ser mais honestos que as palavras. E naquela noite, ele tava determinado a fazer a Alina perder todo o controle. Não com violência, mas com um jogo que abala a alma devagar.
A Alina começou a perder a noção do tempo. Segundos pareciam minutos, e cada toque do Marco parecia pregar a consciência dela entre a realidade e o sonho. O corpo dela tava quente, a respiração dela tava curta. Ela se contorceu, não mais porque queria escapar, mas porque a sensação tava ficando cada vez mais intensa. Tentadora, perturbadora e atormentando tudo ao mesmo tempo.
O Marco olhou pra ela por um tempão, saboreando cada respiração irregular da Alina. Os dedos dele traçaram os lados dos quadris dela, subindo e descendo devagar, como dedilhando uma melodia em um instrumento caro.
"Cada centímetro de você... ainda se lembra de mim," ele sussurrou, a voz dele baixa e profunda.
A Alina fechou os olhos, mordendo o lábio. "Seu... babaca..."
O Marco sorriu um pouco. Ele sentou na beira da cama, o rosto dele no nível do corpo da Alina. Então, sem avisar, ele beijou de leve a área embaixo das costelas da Alina. O lugar mais sensível. O toque foi leve, quase como o vento, mas foi o suficiente pra fazer a Alina gemer baixinho. Ela tentou abafar o som, mas a reação do corpo dela disse o contrário.
Vendo ela, o Marco ficou ainda mais excitado. "Não lute contra você mesma, Alina. Deixe-me... te levar mais longe."
Ele pegou o chicote de couro fino, não pra machucar, mas pra tocar, fazendo cócegas suaves nas coxas da Alina, traçando a linha da pele dela sem deixar rastros. Cada chicotada criou ondas vibrantes dentro do corpo da mulher, fazendo ela não conseguir mais distinguir entre dor e prazer.
A Alina abriu os olhos devagar. Atrás do olhar odioso dela, tinha um fogo que era difícil de apagar. "Você só quer meu corpo..."
O Marco olhou de volta, os olhos dele sérios. "Talvez no começo. Mas o que me deixou maluco... foi o jeito que você revidou. E o jeito que você continua desafiando, mesmo quando seu corpo desistiu."
Ela abaixou a cabeça de novo, beijando os lábios da Alina com uma intensidade lenta, mas profunda. Dessa vez, a Alina não resistiu. Ela beijou de volta, cheia de raiva e paixão. Naquele beijo, tinha guerra. Mas também o reconhecimento de que os limites deles estavam começando a borrar. E naquela noite, a fronteira entre ódio e desejo, entre vingança e paixão começou a se dissolver.
Por trás das cortinas grossas que se abriram um pouco, um par de olhos testemunhou tudo. O Leo ficou parado no corredor escuro, o corpo dele tenso, a mandíbula dele endurecida.
Ele viu a Alina amarrada, o corpo dela se contorcendo sob o toque do Marco. Ouviu os suspiros que antes eram só pra ele. E agora tudo era um espetáculo que bateu forte no peito dele.
As mãos dela viraram punhos. A dor não era da inveja comum, mas porque a Alina, a mulher que ela tinha cuidado, agora parecia ter cedido a outro homem. O Marco. Seu velho inimigo. Alguém que sempre soube como dar a facada onde mais doía.
O suspiro suave da Alina voltou. O Leo fechou os olhos, o peito dele roncando. Tinha uma parte dele que queria invadir, jogar o Marco pra fora e reclamar o que ele considerava seu. Mas por outro lado, ele sabia que a Alina não era mais a mesma. Ou ela ainda pode ser salva?
O Marco, que percebeu a presença não convidada, sorriu um pouco sem virar a cabeça. "Você veio também, Leo," ele disse levemente, a mão dele ainda tocando a pele quente da Alina.
A Alina se assustou. Ela abriu os olhos, virando a cabeça o melhor que pôde. O olhar dela encontrou os olhos do Leo na escuridão. O corpo dela endureceu, não por constrangimento, mas por medo de que o Leo a entendesse mal.
"Leo..." ela sussurrou fracamente.
O Marco riu baixo, triunfante. "Ah, olha só. Mesmo nesse estado, ele ainda te chama."
O Leo saiu das sombras. A luz fraca destacou o rosto dele cheio de raiva e mágoa. "Deixe ele ir, Marco."
"Tarde demais," o Marco respondeu, levantando devagar. "O corpo dele já é mais honesto que o coração dele. E você sabe disso."
O Leo se moveu pra frente, mais perto da cama. Mas quando ele viu o corpo da Alina de perto. A pele corada dela, a respiração pesada dela, os olhos dela ainda embaçados. Ele não sabia mais se ficava bravo com o Marco, ou consigo mesmo por deixar tudo isso acontecer.
E naquela noite, entre suor, paixão e ressentimento, os três foram arrastados para um turbilhão de relacionamento que não podia mais ser chamado de amor, mas também não era bem ódio.
A Alina tentou tranquilizar o Leo.
"Leo, eu posso explicar!"