Capítulo 143: Hora da Destruição
Poucas noites depois que o império de Mahesa caiu, Raja recebeu um pacote anônimo embrulhado em preto fosco. Dentro, tinha um único item: o relógio velho do seu pai. O vidro estava rachado, e atrás dele havia uma mensagem rabiscada em tinta vermelha.
"Se você quer que seu pai viva, entregue Alina."
Raja apertou o relógio na mão, a expressão dele escurecendo. Ele sabia que Mahesa nunca se deixaria ser usado como moeda de troca. Isso não era sobre orgulho. Era guerra psicológica, e Marco estava jogando isso com maestria.
'Ele pegou meu pai de refém," Raja disse friamente.
Os olhos de Alina se estreitaram. 'Marco fingiu ser aliado do seu pai. Mas desde o começo... Mahesa não passava de um peão."
Raja assentiu lentamente. 'Ele fez meu pai acreditar que eles iriam te derrubar juntos. Mas depois que o império desmoronou, Marco o transformou em isca."
Naquele momento, a tela de Alina piscou. Uma transmissão ao vivo apareceu: Mahesa, amarrado a uma cadeira em um quarto escuro, machucado e ensanguentado.
'Raja... não confie em ninguém... Marco está armando uma—"
A transmissão cortou. A tela mudou para o rosto de Marco, finalmente visível. Seu sorriso era venenoso, seus olhos afiados como uma serpente prestes a atacar.
'Alina. Você é boa em se infiltrar. Mas eu sempre soube que você voltaria por aqueles que você se importa. Então venha. Sozinha. Ou Mahesa morre."
A transmissão terminou. Alina respirou fundo.
'Ele sabe que eu preferiria me sacrificar a deixar um inocente morrer."
Raja se aproximou. 'Você não vai sozinha. É isso que ele quer: separação."
'Mas Marco é meu fardo para carregar, Raja. Ele não é apenas um fantasma do meu passado. Ele é o monstro que eu deixei viver."
Raja segurou a mão dela firmemente. 'Então me deixe ser sua sombra. Se você está entrando no inferno, eu vou com você."
Em outro lugar, o silêncio do quarto foi quebrado apenas pelo gotejar da água de um cano com vazamento. O ar estava pesado com sangue e mofo. Mahesa estava caído em uma cadeira de metal enferrujada, pulsos acorrentados. Seu rosto estava machucado, mas seus olhos, seus olhos ainda queimavam com fogo. Ele ainda não tinha se rendido.
Marco estava por perto, sentado em um sofá de couro gasto como um anfitrião cumprimentando os convidados. Ele usava um terno todo preto, um copo de vinho tinto girando em sua mão – um contraste gritante com a masmorra em que estavam.
'Tão teimoso, mesmo na velhice," Marco disse, tomando um gole casualmente.
Mahesa deu um sorriso doloroso. 'E você ainda é um covarde. Encurralando mulheres em vez de encará-las."
Marco riu. 'Oh, Mahesa. Isso não é sobre Alina. Isso é sobre legado. Eu nunca precisei da sua aliança. Eu só precisava do seu nome... do seu poder, como isca. E viu? Funcionou."
Mahesa estreitou os olhos. 'Você nunca vai derrotá-la. Ela não é a mesma garota que você conheceu. Ela é mais fria agora. Por sua causa."
Marco se aproximou, sua voz diminuindo.
'Eu sei. Eu a fiz assim. Eu sou aquele que a transformou em uma arma, em alguém que não confia em ninguém. Mas, infelizmente para ela... ela se apaixonou."
Ele agarrou a mandíbula de Mahesa. 'Essa é a maior fraqueza de Alina. E eu vou sangrá-la, começando por você."
Mahesa cuspiu na cara de Marco. 'Se ainda te resta alguma coragem, me mate agora."
Marco limpou a cusparada sem raiva, apenas com um sorriso silencioso. 'Ainda não. Eu quero que ela veja você morrer. Isso vai doer mais."
Ele saiu, deixando Mahesa sozinho no escuro.
'Alina... não venha por mim," Mahesa sussurrou. 'Não troque sua vida por um velho como eu."
O céu estava escuro quando nuvens de tempestade se reuniram acima do prédio dilapidado onde Marco mantinha Mahesa. Alina estava no terraço oposto, com os olhos fixos em seu alvo. Raja estava ao lado dela, armado e pronto.
'Você tem certeza disso?" ele perguntou. 'Mahesa te traiu. Ele não é inocente."
Alina ficou quieta por um longo momento, deixando o vento passar por seu cabelo.
'Eu sei o que Mahesa fez... com minha família, com minha vida," ela disse suavemente, mas com firmeza. 'Mas se eu deixar Marco matá-lo assim, eu não sou melhor do que o monstro que eu caço."
Ela se virou para Raja, fogo em seu olhar. 'Se vamos lutar essa guerra, vamos lutar de cabeça erguida. Sem truques. Sem reféns. Eu vou acabar com Marco, mas não sobre o cadáver de Mahesa."
Raja assentiu. Ele viu algo novo nela agora, não apenas vingança, mas propósito. Aquela noite, eles se infiltraram no prédio. As defesas de Marco eram intrincadas, mas Alina era melhor. Câmera por câmera, laser por laser, eles desmantelaram sua fortaleza até chegarem à prisão subterrânea.
Mahesa, ainda vivo, mas mal consciente, olhou para cima, incrédulo, quando Alina apareceu.
'Você...? Por quê...?'
Alina se ajoelhou, cortando as correntes. 'Porque você não é meu inimigo, Mahesa. Ele é."
Assim que o elo final se quebrou, alarmes gritaram pelo prédio. A voz de Marco ecoou pelo intercomunicador.
'Alina... eu sabia que você viria. E eu sabia que você não me mataria quando eu estivesse desarmado. Essa é sua fraqueza, e por isso eu sempre venço."
Alina olhou para o alto-falante, expressão fria como gelo. 'Não, Marco. Essa não é fraqueza. É isso que me mantém humana. E agora... é a sua vez de pagar."
As paredes vibraram levemente quando Marco ativou o bloqueio. Portas bateram. Raja levantou sua arma.
'Estamos selados," ele murmurou. 'Ele quer um confronto final."
'Bom," Alina disse. 'Eu terminei de perseguir sombras. Vamos encarar o próprio diabo."
No andar de cima, Marco estava no centro de comando, observando-os através de paredes de telas de vigilância. Ele sorriu ao apertar um botão.
'Dê as boas-vindas aos nossos convidados."
Lá embaixo, os corredores se encheram de mercenários de Marco, uniformes pretos, fuzis automáticos. Mas Alina estava pronta. Ela tocou no braço de Raja.
'EMP, agora."
Raja ativou um pequeno dispositivo. Uma explosão de energia desativou as armas ao redor deles. Confusão eclodiu. Alina atacou como uma sombra. Raja guardou o flanco deles. Mesmo Mahesa, embora ferido, conseguiu pegar uma pistola e atirar.
'Não completamente inútil, afinal," ele murmurou, mal conseguindo ficar em pé.
Eles chegaram à porta principal de aço.
'Alina," a voz de Marco veio de novo. 'Este não é o fim. É apenas o começo. Posso te oferecer mais do que vingança."
Alina foi até o intercomunicador.
'Eu não aceito ofertas de homens que não sabem o significado de honra."
Com um chute rápido, ela ativou uma carga plantada. A porta explodiu. Dentro, Marco estava sozinho, mãos vazias, mas atrás dele havia um sistema de bomba conectado à fundação do prédio.
'Me pegue," ele disse calmamente. 'Mas, dê um passo mais perto, e todos nós explodimos em chamas."
Raja mirou sua arma, mas Alina o impediu com a mão levantada.
Ela caminhou para frente. 'Você nunca vai vencer, Marco. Mesmo na morte, você será lembrado como o covarde que se escondeu atrás de um botão."
Marco riu. 'Você esqueceu quem te ensinou a lutar sujo."
Alina sorriu friamente. Ela tirou um pequeno dispositivo do bolso – uma cópia do código de substituição da detonação. O rosto de Marco caiu.
Clique!
O sistema de bomba foi desligado. As luzes ficaram verdes. Neutralizado. Agora, sem armas. Sem truques. Apenas os três em uma sala silenciosa. Pela primeira vez, Marco pareceu assustado.
Alina deu um passo à frente. 'Você não pode mais fugir, Marco. Desta vez... isso acaba."