Capítulo 32: Preso em uma Conspiração
Alina sentiu o corpo tenso. 'Tão falando de mim!'
A mão dela tremeu um pouco quando segurou o celular, mas ela continuou gravando a conversa em segredo.
Um dos homens levantou uma caixa de madeira e levou pra fora, com os outros atrás. Pela fenda fina entre as prateleiras, Alina podia ver eles—cinco caras altos, bombados, vestidos de preto, com umas caras frias e indecifráveis.
"O mais rápido possível," um deles falou de novo. "Se ela continuar se intrometendo, o chefe não vai ficar quieto."
Leo virou pra Alina, com uma cara séria. Ele chegou mais perto, cochichando no ouvido dela, "A gente precisa vazar daqui antes que eles nos achem."
Alina deu uma leve balançada de cabeça, mas antes que eles pudessem se mexer, um som repentino ecoou de fora da casa.
Toc, toc, toc!
A batida forte na porta da frente fez os homens lá dentro darem uma pausa.
"Quem é?" um deles perguntou.
Uma voz grossa respondeu de fora, "A próxima remessa chegou."
Os homens trocaram olhares. Um deles soltou um rosnado baixo. "Droga. Eles estão adiantados."
Alina e Leo cruzaram os olhares. Remessa? Será que isso significava mais coisas ilegais sendo contrabandeadas pra vila?
Leo fechou os punhos, a mente dele correndo pra achar um plano de fuga. Eles não tinham escolha. Com cuidado, ele pegou na mão da Alina, sinalizando pra ela se preparar. No momento que eles vissem uma abertura, eles precisavam correr.
Eles não podiam ficar ali mais tempo. Se fossem pegos, iam ser silenciados antes de ter a chance de falar.
Quando eles chegaram na vila, a respiração deles ainda tava irregular. Não tinha tempo pra descansar. Eles precisavam descobrir o próximo passo—rápido.
"A gente precisa mandar essas provas pra mídia," Alina falou de repente.
Leo virou pra ela, a sobrancelha franzida. A mídia? Não a polícia?
Como se ela estivesse lendo a mente dele, Alina continuou, "A gente não pode confiar na polícia. Eles não vão acreditar na gente de cara. Além disso, a gente não sabe em quem confiar."
Leo ficou quieto, processando as palavras dela. Ela tava certa. Nem todos os oficiais estavam do lado certo. Alguns podiam estar trabalhando com o inimigo, garantindo que crimes como esses continuassem despercebidos. E Alina sabia disso melhor que ninguém.
No passado, ela tinha trabalhado com o chefe da polícia pra facilitar transações ilegais—uma verdade que ela tinha escondido do Leo. Se as suspeitas dela estivessem corretas, então a corrupção ainda tava rolando.
"O que a gente precisa agora é sinal de celular," Alina falou. "Essa vila é muito isolada. Desde que a gente chegou aqui, meu celular não pegou nada."
Leo soltou o ar, olhando em volta. Sem torres de celular, sem eletricidade, nem um rádio à vista. Mas isso não queria dizer que eles estavam sem opções.
"Beleza," ele finalmente falou. "Me ajuda a achar materiais pra construir um transmissor simples."
Eles se separaram na hora, mas os problemas surgiram mais rápido do que o esperado. A vila era extremamente tradicional—sem eletrônicos, sem fios. Alina procurou pelas casas dos moradores, mas tudo que ela achou foram cordas de rattan e fibras de coco.
"Leo, isso é um desastre," ela murmurou, voltando de mãos vazias. "Sem cabos, sem metal, até as panelas deles são feitas de barro."
Leo coçou a nuca. Isso tava mais difícil do que ele pensava. Ele foi pra um depósito velho perto dos campos, esperando achar alguma coisa útil. Depois de fuçar em várias caixas de madeira, os olhos dele pararam em um fio fino enterrado embaixo de uma pilha de ferramentas de fazenda.
"Pelo menos temos isso," ele falou, mostrando o que achou. "Agora precisamos de alguma coisa pra funcionar como uma antena."
Alina pensou por um momento, aí apontou pra uma torre de bambu no centro da vila. Era usada pelos moradores pra pendurar lampiões a óleo à noite.
"E se a gente usar aquilo?"
Leo deu um sorriso fraco. "Isso pode funcionar. Bora tentar."
Usando o que eles acharam, eles foram trabalhar. Cada segundo contava, porque eles sabiam—seus inimigos não iam ficar parados se percebessem que Alina e Leo estavam tentando alcançar o mundo lá fora.
Leo subiu na torre de bambu rapidinho, prendendo o fio em um dos postes, esperando pegar até o sinal mais fraco.
Embaixo, Alina segurava o celular nervosamente. "Será que isso vai funcionar mesmo?"
"A gente só precisa de uma barrinha de sinal," Leo respondeu, apertando os nós. "Se a gente conseguir até a menor recepção, a gente pode mandar uma mensagem."
Mas outro problema surgiu. O fio era muito fino e não comprido o suficiente pra alcançar o topo da torre.
Alina mordeu o lábio, pensando rápido. "E se a gente usar uma placa de metal pra impulsionar o sinal?"
Leo desceu e olhou pra ela. "Metal? Onde a gente vai achar isso?"
Ela apontou pra cozinha de uma das casas. "Pode ter uma bandeja ou panela de metal velha lá dentro."
Sem perder tempo, eles entraram numa casa abandonada. Alina achou uma bandeja de metal enferrujada—acabada mas ainda condutiva. Eles correram de volta pra torre e prenderam ela como um refletor de sinal.
Leo tirou o celular e segurou no alto. Por um momento, nada aconteceu. Aí... Uma barrinha de sinal apareceu.
"Funcionou!" Alina quase gritou, mas Leo tapou a boca dela rapidinho.
"Faz silêncio, a gente ainda não tá seguro," ele sussurrou firme.
Alina digitou uma mensagem correndo. Não tinha tempo pra ligar—a única saída era mandar as provas pra mídia. Os dedos dela tremiam enquanto ela apertava enviar.
Mas assim que a mensagem ia ser enviada, o som de passos ficou mais perto. Leo e Alina trocaram um olhar. Foram achados.
Um grupo de bandidos cercou eles, com os olhos cheios de ameaça. Armas afiadas brilhavam nas mãos deles sob o luar fraco.
"Ei! O que vocês dois tão cochichando?" um dos homens rosnou, claramente o líder. "Vocês realmente acham que podem sair daqui vivos?"
Alina olhou pro celular ansiosamente. O sinal ainda tava instável—a mensagem não tinha sido enviada completamente ainda.
Leo soltou o ar e deu um passo pra frente. "Eu vou ganhar tempo pra você. Fica aí até a mensagem ir."
Alina lançou um olhar furioso pra ele. "Isso é muito perigoso. A gente precisa ficar junto!"
"Sem tempo pra discutir," Leo respondeu calmamente, os olhos dele fixos nos bandidos. Ele fechou os punhos, pronto pra brigar.
Um dos bandidos zombou. "Acha que consegue com a gente? Só tem dois de vocês."
Leo deu um sorriso. "Quem disse que eu preciso ganhar?"
De repente, ele pegou uma pedra do chão e atirou em um dos lampiões a óleo pendurados. O vidro estilhaçou, derramando óleo no chão de madeira—o fogo começou a se espalhar.
"Merda! Fogo!" um dos homens gritou em pânico.
Leo aproveitou o momento, partindo pra cima do bandido mais próximo, acertando um soco rápido na cara dele antes de chutar outro no chão.
"Alina, agora!" ele gritou.
Com as mãos tremendo, Alina apertou "Enviar" de novo. Um segundo… dois segundos… e finalmente—Mensagem enviada.
O alívio a inundou, mas quando ela se virou, o coração dela afundou. Leo tava cercado.
Ela não pensou duas vezes. Ela partiu pra cima do bandido com a pior cara, acertando um chute forte que o jogou no chão. Os outros se moveram pra ajudar, mas Leo bloqueou o caminho deles, socos voando.
A confusão chamou a atenção dos moradores. Um por um, eles apareceram, sussurrando com medo, assistindo em silêncio.
Então, de repente, o chão tremeu violentamente. Um terremoto. A terra tremeu, derrubando as pessoas. As casas de madeira velhas gemeram, os telhados de palha desabando.
"Terremoto!" Leo gritou. "Fiquem longe dos prédios e árvores!"
O pânico explodiu. Os bandidos que estavam atacando eles agora correram com medo. Mas alguns não tiveram sorte—árvores enormes caíram, esmagando eles sob o peso.
O líder deles, que antes tava tão arrogante, agora fugiu sem olhar pra trás.
"Covarde!"