Capítulo 103: O Plano para Encurralá-la
Depois que todo mundo saiu da sala de reuniões e a porta fechou bem, a atmosfera mudou para um tom mais calmo. Mas a tensão ainda pairava no ar. Leo chegou mais perto de Alina, seus olhos fixos nos dela, cheios de preocupação e determinação.
"Felis exagerou dessa vez", ele disse, sua voz baixa, mas firme. "Não podemos simplesmente deixá-la escapar dessa. Ela passou dos limites muitas vezes."
Alina assentiu lentamente. O olhar em seus olhos não era mais hesitante como ontem. Agora havia fogo neles.
"Eu sei", ela respondeu. "Eu não quero mais ser vítima do jogo dela. Mas não podemos agir de forma descuidada, Leo. Felis não é uma oponente comum. Ela é esperta. Cada movimento que ela faz é uma armadilha."
Leo assentiu, seus olhos olhando para a distância. "Precisamos de um plano. Algo que não apenas a faça cair, mas garanta que ela não consiga se levantar."
"Temos que fazê-la confessar... com a própria boca", Alina disse. "Eu quero que ela admita todos os crimes que cometeu na frente de todos. Para que ela não possa mais se esconder atrás dessas mentiras."
Leo pensou por um momento e depois disse: "Podemos armar uma armadilha. Mas não qualquer armadilha. Precisamos de uma isca que Felis não consiga resistir."
Alina se virou para ele. "O que você quer dizer?"
Leo deu um leve sorriso, seus olhos guardando um plano. "Felis não é apenas obcecada por você. Ela é tão obcecada... por mim."
Alina olhou para ele com atenção. "Não me diga que você está planejando atraí-la com—"
"Eu vou abordá-la", Leo interrompeu. "Fazer com que ela acredite que estou começando a hesitar. Deixamos que ela sinta que está ganhando. E quando ela estiver desprevenida... gravamos cada confissão."
Alina cerrou a mandíbula. Seu coração resistiu à ideia. Mas sua lógica sabia que era a única maneira de derrubar Felis de uma vez por todas.
"Tudo bem. Mas eu ainda vou ficar de olho em você. Vamos juntos. E assim que ela falar... vamos garantir que o mundo inteiro ouça."
Aquele dia, o jogo começou. Leo sentou em seu quarto, segurando o telefone com uma voz o mais gentil possível. Alina observava de longe, com o peito apertado, mas sabia que isso tinha que ser feito.
Leo ligou para Felis. "Felis... preciso conversar", ele disse em tom pesado. "Alina tem estado muito ocupada com o trabalho ultimamente. Eu... me sinto sozinho. Preciso de alguém que me entenda."
Do outro lado, Felis fez uma pausa por um momento. Então seu sorriso floresceu. Esta era a ligação que ela esperava.
"Finalmente... você percebeu, Leo", ela disse de forma sedutora. "Eu sempre estive aqui para você. Alina é muito fria para você. Você precisa de alguém que saiba como fazer você se sentir importante."
Leo prendeu a respiração, fingindo estar interessado. "Podemos nos encontrar hoje à noite?"
"Claro", Felis respondeu rapidamente. "Venha ao meu apartamento. Sozinho."
Depois que a ligação terminou, Leo se virou para Alina, que ainda estava esperando do lado de fora. Seus olhos se encontraram e, por um momento, só houve silêncio preenchido com ansiedade e determinação.
"Tem certeza de que consegue fazer isso?" Alina perguntou baixinho, mas com significado.
Leo assentiu. "Eu não vou deixar ela me tocar. Mas eu vou fazê-la falar... até que tudo saia."
"Eu vou assistir por uma câmera escondida", Alina disse enquanto entregava a ele um relógio digital. "Tem um microfone nele. Tudo será gravado."
Aquela noite, Leo vestia uma camisa escura e seu rosto não mostrava hesitação. Ele sabia que estava entrando na toca do lobo. Mas desta vez, o lobo não sabia que estava sendo caçado.
Dentro do luxuoso apartamento perfumado com vinho e velas, Felis olhou para a garrafa de vinho que havia misturado com um afrodisíaco. Seu sorriso era astuto, seus olhos brilhando com desejo e intenções ocultas.
"Esta noite, você será meu, Leo."
Logo, a campainha tocou. Felis correu para abrir. Atrás da porta estava Leo, firme e composto, levantando uma sobrancelha ao vê-la. Um vestido transparente com um decote agressivamente baixo.
"Que merda é essa..." Leo pensou.
Mas ele manteve sua expressão calma.
"Entre", Felis disse brincando, seus olhos em Leo como um predador.
Leo entrou e sentou-se cautelosamente no sofá macio. Felis ofereceu a ele uma taça de vinho. Ele sabia que algo estava errado. O cheiro do vinho era muito forte, encobrindo algo. Ele apenas fingiu dar um gole. Quando Felis virou as costas, ele secretamente o despejou na planta no vaso ao lado do sofá.
"Uau, isso foi rápido", Felis riu. "Quer mais?"
"Claro. Faz um tempo que eu não tomo um vinho tão bom.", Leo sorriu, acompanhando o plano.
Felis serviu outra taça, tomando um gole primeiro enquanto olhava para Leo significativamente.
"Sabe, Leo... sinto sua falta. Sinto falta do jeito que você me mimava antes. Você se lembra daquela noite? Quando eu me entreguei a você completamente? Eu nunca me arrependi. Eu gostei…"
Sem vergonha, Felis sentou no colo de Leo. Seus movimentos lentos, sedutores, como se tentasse fazer Leo perder o controle.
Em outro lugar, Alina assistia por um monitor escondido. Seus olhos se arregalaram ao ouvir a confissão de Felis.
"Então... foi Leo quem a ensinou a ser assim... mas por que ele nunca me contou?", ela se perguntou.
Leo tentou se manter calmo apesar da tentação. Ele era um homem normal, e Felis sabia como brincar com a fraqueza de um homem. Mas ele tinha uma missão.
"Felis... como você voltou para o hospital?"
O rosto de Felis começou a corar. A droga estava fazendo efeito. Sua língua se soltou sem filtro.
"Através do Dr. Arvan... ele foi tentado por mim. Então eu o usei. Em troca, ele colocou meu nome na lista de funcionários do hospital."
Leo havia suspeitado. Dr. Arvan era do tipo que se apaixonava pelo charme de uma garota bonita.
"E... por que Aileen?" Leo perguntou gentilmente.
Felis riu, sua risada como um sussurro do diabo.
"Porque eu estava com ciúmes! Ela estava sempre perto de você! Eu queria destruí-la, eu queria que você a odiasse. Então eu procurei alguém do passado dela para arruinar o futuro dela."
Ela se inclinou mais perto, começando a beijar o pescoço de Leo com um hálito quente. Leo fechou os olhos, lutando contra cada impulso dentro dele. Ele sabia que um erro poderia arruinar tudo.
A transmissão ao vivo se espalhou rapidamente, da tela escondida de Alina para toda a mídia do hospital e plataformas sociais. A confissão de Felis se tornou manchete em minutos. Mas no apartamento, Felis ainda não sabia.
Ela permaneceu no colo de Leo, seus movimentos sedutores, sua voz suave e persuasiva.
"Sabe, Leo...", ela sussurrou, seus lábios quase roçando sua orelha, "eu posso fazer você esquecer tudo sobre Aileen hoje à noite..."
Leo prendeu a respiração. Seu rosto permaneceu calmo, embora seu corpo tenha ficado tenso. Ele sabia que este era o momento mais crítico. Se ele escorregasse agora, tudo desmoronaria.
"E Rania?" ele perguntou suavemente, como se casualmente. "Você esteve envolvida com isso também?"
Felis soltou uma risada baixa, seu tom cheio de vitória.
"Oh, aquela pobre menina? Eu apenas... deixei alguém 'brincar' com ela. Não é cruel e bonito ao mesmo tempo?", ela disse baixinho, seu tom sádico escapando.
Leo cerrou o punho. Sua respiração ficou pesada, mas ele tinha que se manter no personagem. Ele olhou para Felis com uma expressão vazia, o suficiente para mantê-la falando.
"Então... quem visitou Rania no Hospital Psiquiátrico Harrowville?"
Felis sorriu. "Ninguém importante. Apenas alguém do meu passado que me devia um favor. Ele queria alguma ação, eu dei a ele um palco. E Rania... foi apenas um dano colateral."
Na tela escondida, lágrimas começaram a cair dos olhos de Alina. Suas mãos tremiam segurando o aparelho. Mas seu rosto permaneceu frio. O jogo acabou.
Momentos depois, batidas altas ecoaram na porta de Felis. Seguido por uma voz severa.
"Felisia Jein. Abra a porta. Aqui é a polícia."
Felis congelou. Ela se virou para Leo, que agora olhava para ela com um pequeno sorriso vitorioso.
"Você... me armou?"
"Você armou a si mesma", Leo disse secamente.
Felis gritou de raiva, tentando jogar o copo em Leo, mas ele já estava em pé e se afastando. A polícia entrou. Felis se enfureceu, mas não conseguiu resistir. Ela foi contida, seu rosto contorcido com fúria e ruína.
Antes de ser levada, ela gritou para Leo: "Você acha que Aileen vai te perdoar assim que souber que foi você quem me fez assim?!"
Mas Leo apenas olhou para ela e disse calmamente: "Se eu estava errado no passado, estou pronto para expiar. Mas você... você cruzou uma linha que nem o diabo ousaria andar."