Capítulo 81: Guerra de Emoções
Indry não parava de mexer na tela do celular, discando o número que ela conhecia MUITO bem. Dozer ainda não atendia. Cada segundo que passava deixava a respiração dela mais pesada, os pensamentos mais frenéticos.
'Atende, Dozer, atende a chamada...' ela sussurrou, a voz tremendo.
Finalmente, quando ela estava quase desistindo, aquela voz familiar apareceu.
"Alô?" A voz de Dozer parecia em pânico, meio apressada.
Indry entrou logo de cara, "O que aconteceu? Quem vazou o vídeo? Como foi parar na internet?"
Mas Dozer a interrompeu. A voz dele estava alta, as emoções meticulosamente encenadas.
"Eu acabei de descobrir também. Aquele vídeo arruinou tudo, Indry. Meus colegas se afastaram. Eles acham que eu faço parte do escândalo." A respiração dele estava pesada, como a de um homem realmente devastado. "Estou tentando consertar. Mas tudo está uma bagunça."
Indry ficou em silêncio, tentando processar tudo. Um momento atrás, ela estava cheia de raiva. Mas agora, era Dozer quem parecia quebrado. E, estranhamente, a dúvida surgiu no coração dela. Será que ele realmente estava por trás disso? Ou será que alguém estava armando para os dois?
'Eu achei que você fosse o culpado," ela disse baixinho.
'Se eu fosse o culpado," Dozer respondeu rápido, a voz um pouco embargada, "por que eu ia me afundar junto? O que eu ganharia? Eu perdi tudo, Indry."
Silêncio. Do outro lado, Dozer encarava o próprio reflexo no espelho. Seus olhos estavam frios. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios.
Só mais um passo, ele pensou. Você confia em mim de novo, e é exatamente isso que eu quero.
'Eu vou descobrir quem está por trás disso," Indry disse mais calma. 'E quando eu descobrir..."
Dozer interrompeu suavemente, "Vamos lutar contra isso juntos."
E Indry acreditou nele. De novo. Dozer encerrou a chamada com um sorriso malicioso. Tudo estava indo conforme o planejado. Enquanto isso, Indry estava correndo atrás de um culpado que não existia. Andando por um caminho sem saída, cuidadosamente construído para não deixar rastros.
Em outro lugar, sob um céu sombrio, Alina estava parada perto da janela do hospital. A mão dela segurava uma pasta com prontuários, mas seus pensamentos estavam longe da sala. Sua clínica estava indo bem, mas Leo havia insistido em uma condição inegociável. Ela ainda tinha que trabalhar no hospital principal.
Desde que o escândalo estourou, ela não tinha tido uma conversa decente com Leo. Mas naquela manhã, algo a fez parar no meio do caminho.
Leo estava no saguão do hospital, apresentando alguém para a equipe. O rosto da mulher era familiar, MUITO familiar.
'Esta é minha noiva, Lucy Lopes," Leo anunciou, o sorriso dele falso, quase sem emoção.
Aplausos encheram a sala. Alina congelou. Leo até anunciou a data do casamento na frente de todo mundo. Como se o passado deles nunca tivesse existido.
Algo estava errado. Leo não era do tipo de fazer demonstrações públicas, especialmente sobre casamento. E Lucy, uma celebridade famosa que deveria estar imersa em glamour, agora parecia uma peça de um roteiro cuidadosamente planejado.
Quando Lucy estava sozinha no pequeno jardim do hospital, Alina reuniu coragem para se aproximar.
'Você não é a Lucy Lopes? A famosa atriz e modelo de sucesso?" ela perguntou educadamente.
Lucy se virou e sorriu calorosamente, como se não estivesse sob os holofotes. "Oi, sim, sou eu," ela respondeu gentilmente.
Alina ficou surpresa. Ela esperava que uma celebridade mantivesse distância. Mas Lucy estava aberta, até começou a compartilhar histórias sobre seu trabalho, sobre Leo e como eles se conheceram.
A conversa fluiu. Duas mulheres de mundos diferentes, mas parecia que eram amigas de longa data se reencontrando.
'Então, você vai se casar com Leo?" Alina perguntou lentamente, tentando sondar mais fundo.
Lucy riu baixinho, a risada dela suave, mas havia algo tênue em seus olhos. 'Sim, parece que sim. Leo é interessante."
Alina saiu do jardim, os passos firmes, mas a mente em tormenta. Não era ciúme. Ela já tinha passado dessa fase há muito tempo. Mas havia algo nos olhos de Lucy, algo que não combinava com seu sorriso. Os instintos de Alina, afiados por anos lendo pacientes, sabiam quando alguém estava escondendo algo.
Ela não perguntaria diretamente. Ainda não. Ela sabia que, às vezes, a verdade se revela melhor quando não é dita.
Enquanto isso, da direção oposta, Leo apareceu. O passo dele era rápido, os olhos procurando por Lucy.
'Ela está desconfiada?" Leo perguntou em voz baixa, quase um sussurro.
Lucy assentiu lentamente. 'Eu acho que não, mas estou me perguntando sobre você," ela disse, olhando para ele atentamente. 'Por que você está a afastando, sendo que você claramente ainda se importa?"
Leo não respondeu. Seus olhos encaravam o local onde Alina acabara de estar. Havia uma sombra de dor ali, uma ferida antiga que nunca cicatrizou completamente. Mas seus lábios permaneceram selados. Silencioso, como se estivesse guardando uma verdade complexa demais para explicar.
Sem uma palavra, Leo pegou na mão de Lucy e a levou embora. Lucy olhou para trás, os olhos demorando em Leo. Ela sabia que havia algo maior do que um simples triângulo amoroso ali. E, de alguma forma, sentia que fazia parte de um plano que não era dela.
Em uma sala mal iluminada, com cortinas grossas fechadas, Dozer estava sentado confortavelmente em sua poltrona macia. Ele girava a bebida no copo de cristal, enquanto a voz do telefone preenchia o ar. Indry estava chorando do outro lado.
'Eu nem posso mais sair de casa, Doz," a voz dela tremia, sufocada pela vergonha e pela pressão crescente. 'As pessoas lá fora… elas não me insultam, apenas. Elas me tocam. Como se eu agora pertencesse ao público."
Dozer recuou na cadeira, a expressão dele calma. Quase calma demais.
'Ah, Indry," ele disse gentilmente, a voz dele parecendo reconfortante. 'Eu sei que isso é difícil. Mas você precisa ser forte. Não deixe eles vencerem."
Mas por trás dessas palavras de simpatia, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. Ele se deliciou com a lenta desconstrução que não parecia um ataque, mas sim uma armadilha emocional que ele mesmo criou.
'Todo mundo me vê como lixo," Indry sussurrou. 'Como se eu merecesse ser tratada assim. Eu nem sei mais em quem posso confiar."
Dozer se levantou e foi até a janela, espiando para fora. O mundo lá fora parecia comum. Mas, para Indry, tinha se transformado em um inferno.
'Não se preocupe," ele disse suavemente. 'Eu vou descobrir quem está por trás disso. E eu não vou ficar em silêncio se eles continuarem te machucando."
Indry ficou quieta. Houve uma pausa em seus soluços. Em meio ao caos interno dela, apenas a voz de Dozer lhe dava a sensação de não estar sozinha. E era exatamente isso que Dozer queria.
Ele queria ser o único lugar para onde Indry pudesse correr. Mesmo que esse lugar fosse construído a partir das ruínas que ele mesmo criou.
Dozer abaixou a voz, gentil, envolto em uma máscara perfeita de empatia.
'Para tirar sua mente da dor, que tal você vir comigo em algum lugar hoje à noite?"