Capítulo 64: O Plano de Reserva
Marco só respondeu com um sorriso sacana, tratando a ameaça de Alina como uma piada barata. Ele estalou os dedos, e as barras eletrificadas subiram lentamente.
'Sai, Alina. Chegou a hora de pagar o preço pelas tuas escolhas.'
Alina saiu a passos pesados. Na mão, Marco jogou para ela uma peça de roupa muito reveladora, muito humilhante.
'Coloca isto. Agora.'
Alina encarou a roupa, com a mandíbula travada. As mãos dela tremiam, não de medo… mas de raiva. Ela sabia que não era só uma questão de orgulho, era como o Marco queria quebrá-la, aos poucos.
'Está satisfeito agora?' ela perguntou em tom áspero. Mas Marco só cruzou os braços e encostou-se à parede, saboreando o sofrimento dela.
'Ainda não,' ele disse calmamente. 'Muda aqui mesmo. Na minha frente.'
Leo, ainda dentro da cela, gritou com fúria. 'Covarde! Deixa-me sair, seu idiota!'
Marco ignorou-o.
'Anda, Alina. Se não, o Leo leva outra descarga. Mais forte do que antes.'
Alina ficou parada, respirando fundo. Então ela baixou a cabeça e começou a abrir o zíper do casaco lentamente. Mas naquele momento, algo mudou. O olhar dela mudou. Calmo. Controlado.
'Tudo bem,' ela disse friamente. 'Mas se quer ver… prepare-se para as consequências.'
A mão dela tocou um pequeno pingente no pescoço, um objeto que sempre pareceu normal. De repente, uma luz fraca brilhou, e o ar à sua volta cintilou.
Marco franziu os olhos, confuso. 'O que é isso…?'
Alina olhou para ele com fúria. 'O seu jogo acabou, Marco. Agora… é a sua vez de estar atrás das grades.'
A luz do pingente dela desapareceu, revelando o corpo de Marco cambaleando dentro da cela. Com um movimento rápido e treinado, Alina pressionou um pequeno botão escondido no pingente. As barras caíram de novo.
Click!
Trancando Marco lá dentro, tomando o lugar de Leo. Marco gemeu, o corpo ainda fraco pela luz hipnótica.
'Não… ela usou aquela hipnose com luz para me enganar?!' ele murmurou, com a voz rouca e cheia de raiva. 'Eu devia ter sabido! Espere só, Alina… vou fazê-la pagar!'
Em outro lugar, as coisas estavam muito mais calmas. Alina fechou suavemente a porta de casa. No sofá, Leo estava fraco, mas consciente. O rosto dele estava pálido, o corpo ainda não recuperado do choque, mas os olhos dele brilharam ao ver a mulher agora sentada ao lado dele.
'Você ainda é tão imprudente como sempre, Alina…' ele sussurrou, com a voz rouca, mas sincera. 'Eu… eu não suportava perdê-la de novo.'
Alina olhou para baixo, com os olhos marejados. Sem pensar, ela envolveu os braços ao redor do corpo fraco dele, segurando-o firmemente, como se estivesse com medo que ele desaparecesse.
'Desculpe, Leo… eu devia ter contado a verdade desde o início. Mas eu estava com medo… havia muito em jogo.'
Antes que ela pudesse terminar, Leo pegou no rosto dela suavemente.
'Chega,' ele disse suavemente. 'Você está aqui, isso é o suficiente.'
Então os lábios dele tocaram os dela. Quentes, profundos e cheios de emoção. O beijo pareceu acalmar a tempestade entre eles, apagando as feridas que ainda não tinham sarado. Por um momento, o mundo parou.
A luz da manhã entrou pelas cortinas, iluminando suavemente o quarto. Alina abriu os olhos lentamente, ainda no abraço quente de Leo. O coração dela estava calmo, estável. Uma sensação que ela não tinha há muito tempo.
Na noite passada, eles partilharam calor, histórias e a cura lenta da dor. Mas o tempo nunca para.
'Leo, acorda!' Alina tocou suavemente a bochecha dele. 'Você tem aquela reunião com os doutores seniores hoje, lembra-se?'
Leo gemeu preguiçosamente, com os olhos ainda fechados. Mas ele rapidamente puxou Alina de volta para os braços dele.
'Senti tanto a sua falta,' ele sussurrou perto do ouvido dela. 'Vamos ficar assim só mais um pouco.'
Alina riu baixinho, incapaz de esconder o sorriso no rosto dela. 'Mas você vai se atrasar.'
'Deixa eles esperarem,' ele disse casualmente, enterrando o rosto no pescoço dela.
'Você não mudou…' Alina balançou a cabeça levemente, mas não queria realmente sair.
Lá fora, o mundo ainda era perigoso. Marco não tinha sido realmente derrotado, e o passado deles não tinha acabado. Mas por agora… a manhã parecia pacífica. E eles mereciam aproveitar, mesmo que só por um tempo.
Leo fechou os olhos, inalando o cheiro do cabelo de Alina, agora tão perto dele. O coração dele estava calmo, mais calmo do que tinha estado há anos.
'Eu te tenho agora, Alina…' ele pensou. 'Finalmente ganhei o seu coração. Mesmo que você esteja no corpo de outra pessoa, os meus sentimentos permanecem os mesmos. Por você. Minha Alina.'
Os lábios dele roçaram o topo da cabeça dela, e um pequeno sorriso formou-se. Felicidade pura, incondicional. Enquanto isso, Alina permitiu-se afundar no calor de Leo. Pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu-se segura. Sem mentiras, sem segredos entre eles, pelo menos por agora.
'Se todas as manhãs fossem assim…' Alina murmurou. '…eu não me importaria de me atrasar para o trabalho.'
Leo riu. 'Então agora é você que quer atrasar o tempo, hein?'
'Talvez.'
E por um momento, eles não disseram nada. Apenas ouvindo a batida do coração um do outro, como se para se convencerem de que era real. Que depois de toda a dor e da perseguição do destino… eles finalmente podiam respirar.
Mas em algum outro lugar… numa sala escura e úmida, Marco abriu os olhos. Eles ardiam vermelhos, não de feridas, mas de vingança. Aquele fogo reacendeu, e desta vez… ele não ia falhar.
'Execute o plano B,' a voz dele era fria, quase sem emoção. 'Capture Alina… por qualquer meio necessário. Tragam-na para mim. Agora.'
Os homens dele espalharam-se como sombras na noite. Enquanto isso, Leo e Alina voltaram à rotina deles. O hospital antigo deles ainda estava em renovação depois do último incidente, então toda a equipa médica foi transferida para uma instalação temporária menor, mas mais moderna.
Na sala de emergência do hospital temporário, Alina usava o seu jaleco branco, verificando as fichas dos pacientes, ocasionalmente olhando para Leo, que estava a conversar com um grupo de médicos seniores.
O dia parecia normal, quase normal demais. Sem o conhecimento deles, o perigo estava a mover-se por trás da cortina do conforto.
Alguém estava a observar de longe, pressionando um pequeno botão no pulso. Uma voz suave veio do dispositivo de comunicação.
'Alvo em posição. Aguardando ordem de captura.'
'Atraiam-na para um lugar tranquilo. Vamos levá-la para lá.'
A ordem veio numa voz rouca através do pequeno dispositivo. O homem que o recebeu assentiu lentamente e caminhou com uma perna mancando, usando um avental de paciente. O rosto dele parecia pálido, propositadamente feito para parecer desesperadamente doente. Ele aproximou-se de Alina, que estava a rever as notas médicas na estação das enfermeiras.
'Doutora…' ele disse fracamente. 'Por favor, ajude-me… perdi algo valioso esta manhã… mas não sei onde o deixei cair.'
Alina virou-se rapidamente, aproximando-se com reflexo profissional. O rosto do homem parecia genuinamente angustiado, cheio de ansiedade.
'Tudo bem, não entre em pânico. Onde foi a última vez que o viu?'
'Acho que… no jardim dos fundos, no banco da esquina… eu estava a descansar lá.'
Sem suspeitar, Alina assentiu e decidiu seguir. Ela olhou brevemente para Leo, ainda a fundo na conversa. Ela pensou que levaria apenas um momento. Mas quando Leo se virou para olhar para ela, ela tinha desaparecido.
'Onde ela foi?' ele murmurou, caminhando até ao local onde ela tinha estado. Nenhum rastro. Nenhum som. Apenas uma quietude estranha que fez o coração dele bater mais rápido.
Ele pegou no telemóvel e tentou ligar para Alina. Sem sinal. O corpo de Leo ficou tenso.
'Não… não me diga que ela está…'
Sem perder um segundo, ele saiu a correr da sala de reuniões, com os olhos a vasculhar o hospital em pânico. Enquanto isso, no jardim dos fundos, Alina finalmente sentiu que algo estava errado. Os passos do paciente estavam agora firmes. Sem mais interesse em objetos perdidos. Sem mais fraqueza na voz dele. Tarde demais.
'O quê?!'
Três figuras em uniformes pretos emergiram dos arbustos. Alina virou-se, pronta para lutar. Mas algo foi borrifado na cara dela.
'Não deixem ela falar!' o homem gritou.
A consciência dela começou a desaparecer. A última coisa que ela ouviu foram passos e a rajada do vento.
'Tragam-na para o chefe!'