Capítulo 115: Surgindo Novamente das Profundezas
A porta abriu com tudo. Leo não falou muita coisa, só ficou encarando Raja com uma cara de desconfiança. Deu um passo para trás, abrindo espaço. Mas, em vez de um cumprimento, o que ele recebeu foi um soco forte, direto no templo.
Thud!
O corpo de Leo foi jogado para trás, batendo na parede. 'Raja, o que—'
'O que você fez com a minha mulher?!' Raja rosnou, respirando com dificuldade. A cara dele queimava de raiva, os olhos pegando fogo. 'Como ousa tocar nela… tirá-la de mim?!'
Ele avançou de novo, dando outro soco. Leo tentou bloquear, revidar, mas Raja era mais rápido, mais forte, e movido pela vingança. O soco não era só ciúme, era a fúria de uma perda reprimida há muito tempo.
'Chega!'
Alina correu entre eles, o corpo dela parando entre os dois homens.
'Raja, para!' Lágrimas encheram os olhos dela. 'Leo não tem culpa… Eu que escolhi ir embora. Eu… eu pedi para ele me tirar de tudo isso.'
Raja congelou por um momento. O peito dele subia e descia, como se estivesse segurando uma tempestade. Mas as palavras de Alina foram como uma adaga no coração.
'O que você quer dizer?' A voz dele era baixa, mas fria. 'Você… escolheu ele?'
Alina olhou para baixo. As mãos dela tremiam, mas ela sabia que era hora de falar a verdade, por mais dolorosa que fosse.
'Eu… não conseguia mais sobreviver no seu mundo, Raja. Era escuro demais, pesado demais para mim. Eu precisava… de espaço para respirar.'
Silêncio. A cara de Raja era de pedra, mas os olhos dele não conseguiam esconder a ferida lá dentro.
'Então… não foi tédio ou medo de eu te prender. Você só não queria estar comigo?'
Leo, com o rosto machucado, tentou falar. 'Escuta, não é o que você pensa. Eu só ajudei ela a se recuperar—'
'Quieto.' Alina cortou firme. Os olhos dela encontraram os de Leo, mas a voz era suave. 'Obrigada… mas deixa eu falar com ele.'
Leo deu um olhar pesado para Raja, depois saiu quieto do quarto, deixando os dois em um silêncio que doía. Agora, só os dois ficaram. Duas almas que antes eram uma só, agora destruídas. De pé, cara a cara, separados por culpa, saudade e verdades não ditas.
A sala de estar estava silenciosa, mas não em paz. O ar era sufocante entre os olhares fixos, cada um segurando uma tempestade de emoções. Raja estava de pé, com o corpo tenso. Um pouco de sangue no nariz, por causa do soco de Leo, mas ele não ligava. O foco dele era só Alina.
'Eu pedi para Leo me levar embora', Alina repetiu suavemente. 'Não foi culpa dele. Não o culpe de novo.'
'Por quê?' A voz de Raja falhou. Dessa vez, não era raiva—mas uma dor no coração que quase o derrubou. 'Eu fui tão ruim assim que você teve que fugir, Alina?'
Alina fechou os olhos. 'Porque eu sentia que não tinha mais um lugar ao seu lado. Eu estava com medo… e estava sozinha.'
'Sozinha?' Raja soltou uma risada amarga. 'Eu te procurei. Todo dia. Toda semana. Por um ano inteiro, eu vivi como um louco! Você sabe o quanto eu fiz? Eu abri todas as portas. Paguei todo mundo que pude. E você sumiu… e agora você diz que eu nunca estive lá para você?'
Alina abaixou o olhar. Os olhos dela estavam molhados, mas ela se controlou. 'Eu tive meus motivos para ir embora', ela sussurrou.
'O quê? Você ama ele?'
Alina não respondeu. Ela só olhou para Raja, desejando que aquele olhar pudesse curar as feridas deles. Mas ela sabia que as feridas eram muito profundas. E Raja só ficou ali, em silêncio, nas ruínas do mundo que ele construiu uma vez.
Leo ficou do lado de fora da parede, com a cara pálida. Os ouvidos dele pegaram a verdade amarga que ele tinha guardado para si mesmo e agora, Raja também sabia. Ele fechou os punhos, lamentando que Alina nunca tivesse deixado a verdade vir à tona. Se ela só tivesse sido honesta desde o começo…
Raja saiu daquela casa com os pés pesados. Não havia mais raiva no rosto dele. Sem vingança. Só vazio—um olhar vazio de um homem que perdeu tudo antes mesmo de ter a chance de segurar. Ele entrou no carro, mandou o motorista ficar quieto. E foi embora… deixando um rastro de desespero atrás de seu corpo implacável.
Nos dias seguintes, o nome de Raja Mahesa ressurgiu na mídia. Não por causa de triunfos nos negócios ou movimentos no mercado de ações, mas pelas festas extravagantes que ele dava nas boates mais luxuosas da cidade. Mulheres bonitas o cercavam. Elas riam, dançavam, se agarravam a ele. Mas nenhuma tocou o coração dele. Nenhuma acabou na cama dele. Ele pagava a elas, pagava por barulho para afogar o vazio lá dentro.
Toda noite, ele chegava em casa bêbado. Seus ternos finos jogados no sofá. Garrafas espalhadas pelo chão. E o olhar vazio, como se esperasse que a mulher que ele amava explodisse pela porta, desse um tapa nele, gritasse com ele, o salvasse de si mesmo. Mas ela nunca veio. Só o silêncio veio. E a culpa que nunca foi embora.
Depois de desaparecer do mundo da medicina por um tempo, Alina finalmente voltou. Ela reabriu sua pequena clínica, esquecida sob camadas de poeira e memória. Não era luxuosa, mas era quente, sincera—nada como o Hospital Internacional Bungalow, que agora existia apenas como um fantasma de dor. Ela não queria voltar para lá. Aquele lugar a lembrava demais de Raja.
Leo também foi embora. O cara tinha se mudado para outra cidade, arrumando uma nova carreira como médico de um hospital regional. Deixando as memórias para trás e deixando Alina também.
Um dia de primavera, o vento soprava suavemente quando o sino da clínica tocou. Um homem idoso entrou, vestido com um terno elegante e cheirando a perfume caro. O rosto dele calmo, mas os olhos tinham algo incomum. Ele veio sozinho—sem guarda-costas, sem motorista.
'Eu gostaria de um check-up', ele disse, com uma voz profunda e autoritária.
Alina olhou para ele brevemente, sentindo algo estranho. Mas ela assentiu, mantendo a profissionalidade.
'Por favor, sente-se. Vamos começar o exame.'
Momentos depois, ela falou de novo. 'Sua pressão arterial está normal, Senhor. Mas eu aconselho a diminuir o consumo de doces e caminhar mais se quiser ter uma vida longa', Alina disse com um sorriso gentil.
O velho assentiu. Os olhos dele pousaram nela, como se estivesse lendo a história da vida dela através do olhar dela.
'Obrigado, Dra. Monroe. Seu serviço é… curativo', ele disse, com a voz cheia de seriedade.
Alina sorriu educadamente. Mas quando ela se virou para escrever algo em sua mesa, o homem disse: 'Sabe, meu filho uma vez veio em um lugar como este. Mas ele era teimoso demais para se examinar.'
Alina se virou rapidamente. 'Seu filho, Senhor?'
O homem deu um sorriso fraco. 'O nome dele é Raja. Talvez você já tenha ouvido falar dele.'
O sangue drenou do rosto de Alina. O coração dela bateu sem motivo.
'…Raja Mahesa?'
O velho apenas assentiu.
'Ele é meu filho. E a julgar pelo quanto ele sofreu no ano passado… eu sei, com certeza, que existe uma mulher que significou o mundo para ele. E eu acredito… estou falando com ela agora.'
Alina congelou. Sem saber o que dizer.
'Eu não estou aqui para forçar vocês dois a voltarem', disse o homem enquanto se levantava lentamente. 'Eu só queria dizer obrigado… por fazer meu filho se apaixonar tão profundamente.'
Então ele saiu. Deixando Alina congelada em sua cadeira, segurando um estetoscópio que agora parecia pesado—como se estivesse sobrecarregada pelo peso de um passado que de repente havia retornado.